Segunda-feira, Julho 13, 2026
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NEGOU A MOCHILA, MAS NÃO ESCONDEU O VOLUME NAS PERNAS: PRF APREENDE 1.490 AMPOLAS ILEGAIS NA DUTRA


Uma fiscalização de rotina na Rodovia Presidente Dutra terminou com uma apreensão milionária e uma passageira presa em Caçapava. A mulher, de 32 anos, estava em um ônibus que seguia de São Paulo para o Rio de Janeiro quando foi abordada pela Polícia Rodoviária Federal no km 126 da rodovia, durante a Operação Conatus, neste domingo, 12 de julho.

O que chamou a atenção dos policiais primeiro foi uma mochila preta localizada no compartimento interno do ônibus, acima da poltrona ocupada pela passageira. Dentro dela, os agentes encontraram centenas de ampolas de origem estrangeira, entre medicamentos emagrecedores e anabolizantes, produtos sem autorização para comercialização no Brasil.

Ao ser questionada, a mulher negou ser dona da mochila. A negativa, porém, não encerrou a fiscalização. Durante a abordagem, os policiais perceberam um volume incomum preso à parte inferior das pernas da passageira. Na verificação, encontraram mais centenas de ampolas escondidas junto ao corpo.

Ao todo, foram apreendidas 1.490 ampolas, sendo 1.480 de tirzepatida, substância usada em medicamentos associados ao emagrecimento, e 10 de decanoato de nandrolona, um anabolizante. Parte da carga estava na mochila e outra parte era transportada presa às pernas da mulher, em uma tentativa de ocultar o material durante a viagem.

Segundo as informações da ocorrência, os produtos teriam origem no Paraguai. O valor de compra estimado da carga é de aproximadamente R$ 185 mil, mas o material poderia alcançar cerca de R$ 555 mil no mercado clandestino brasileiro. A apreensão mostra o tamanho do esquema e o alto valor envolvido na entrada irregular desse tipo de produto no país.

A passageira recebeu voz de prisão e foi encaminhada à Delegacia da Polícia Federal em São José dos Campos. O material apreendido também foi apresentado para os procedimentos legais. A investigação deverá apurar a origem das ampolas, o destino da carga, se havia outros envolvidos no transporte e qual seria a rede de distribuição dos produtos.

A ocorrência reforça o alerta sobre o comércio ilegal de medicamentos emagrecedores, que cresceu nos últimos anos com a alta procura por substâncias usadas para perda de peso. Produtos sem registro, sem controle sanitário e sem procedência regular podem representar risco à saúde, já que não há garantia sobre composição, armazenamento, dosagem, transporte ou condições de fabricação.

A Anvisa já havia determinado restrições e apreensões de produtos irregulares ligados à tirzepatida e outros compostos usados de forma clandestina como emagrecedores. Medicamentos sem registro no Brasil não podem ser livremente comercializados, distribuídos, importados, divulgados ou usados fora das regras sanitárias. Em casos excepcionais, a entrada de medicamento no país depende de prescrição médica, uso pessoal e cumprimento de exigências específicas.

O caso de Caçapava também chama atenção por ter ocorrido em um trecho da Dutra que já havia registrado outra apreensão recente de medicamentos ilegais. Em maio, a PRF apreendeu centenas de ampolas de tirzepatida escondidas dentro de caixas de som, também na altura do km 126 da rodovia. Na ocasião, a carga foi avaliada em centenas de milhares de reais.

Desta vez, a estratégia de ocultação foi diferente. A carga estava dividida entre a bagagem interna do ônibus e o próprio corpo da passageira. A tentativa de negar a propriedade da mochila perdeu força quando os policiais encontraram mais ampolas presas às pernas da mulher, ampliando a suspeita de transporte consciente do material.

A Rodovia Presidente Dutra é uma das principais rotas de ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro e também costuma ser usada para o transporte irregular de mercadorias, drogas, medicamentos e produtos contrabandeados. Operações como a realizada em Caçapava buscam identificar cargas ilegais antes que cheguem aos grandes centros consumidores.

Com a apreensão, a PRF retirou de circulação quase 1,5 mil ampolas que poderiam ser vendidas de forma clandestina. A passageira ficou à disposição da Polícia Federal, enquanto o caso segue em apuração para esclarecer todos os detalhes da tentativa de transporte dos produtos ilegais pela Via Dutra.

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