TRÊS NOMES, TRÊS FAMÍLIAS, UMA TRAGÉDIA: EXCURSÃO PARA APARECIDA DEIXA MARIANA EM LUTO NA BR 267
A estrada que deveria conduzir uma excursão de Mariana até Aparecida, destino de fé, oração e esperança, acabou se transformando em cenário de dor. Geralda Aparecida de Souza Oliveira, de 41 anos, Maria Aparecida Gonçalves, de 57 anos, e Maria Geralda Severiano Honorato, de 60 anos, perderam a vida após o grave acidente entre um ônibus de turismo e um caminhão carregado com leite na BR 267, entre Conceição do Rio Verde e Cambuquira, no Sul de Minas. Três mulheres, três histórias e três famílias agora marcadas por uma despedida que ninguém esperava viver.
A terceira morte foi confirmada na madrugada deste domingo, 12 de julho. Maria Geralda Severiano Honorato estava internada no Hospital São Sebastião, em Três Corações, onde passou por cirurgia ortopédica depois de ser socorrida com vida. Ela resistiu por horas, recebeu atendimento médico, mas não suportou a gravidade dos ferimentos. A notícia da morte dela ampliou a comoção provocada por uma tragédia que já havia arrancado outras duas vidas e deixado dezenas de passageiros feridos.
Antes dela, Geralda Aparecida de Souza Oliveira, de 41 anos, esposa do motorista do ônibus, e Maria Aparecida Gonçalves, de 57 anos, já haviam morrido em razão do acidente. Geralda Aparecida foi sepultada no Cemitério dos Palmeiras, no distrito de Cabanas, em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira. Maria Aparecida Gonçalves foi sepultada no Cemitério Santana, em Mariana. O corpo de Maria Geralda Severiano Honorato também deve ser velado no Cemitério Santana, com sepultamento após o velório, segundo a Prefeitura de Mariana.
A dor se espalhou por Mariana como uma notícia difícil de aceitar. A cidade viu partir um ônibus em direção a um dos maiores símbolos religiosos do país e agora recebe sobreviventes abalados, famílias em luto e três nomes que passam a representar a face mais humana da tragédia. O que começou como uma viagem de devoção terminou em silêncio, lágrimas e despedidas.
O acidente aconteceu por volta das 3h de sábado, 11 de julho, no km 338 da BR 267. Segundo o Corpo de Bombeiros, o ônibus de dois andares transportava 41 passageiros e um motorista. O grupo saiu de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, com destino ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. Muitos passageiros seguiam embalados pela expectativa da chegada, pela fé e pelo desejo de viver um momento de espiritualidade. Mas a madrugada interrompeu o caminho.
A colisão envolveu o ônibus e um caminhão carregado com leite, que trafegava no sentido contrário. A dinâmica inicial apontada pelas autoridades indica que uma estrutura do caminhão teria se desprendido na rodovia. O motorista do ônibus não conseguiu desviar e acabou atingindo a peça. O impacto destruiu parte da frente do coletivo e transformou a viagem em um cenário de desespero.
Dentro do ônibus, o susto foi imediato. Relatos de sobreviventes apontam que muitos passageiros cochilavam no momento do impacto. Em segundos, o silêncio da madrugada foi quebrado por uma explosão, por gritos, pedidos de ajuda e pela tentativa de entender o que havia acontecido. A fé que seguia estrada afora deu lugar à correria das equipes de socorro e ao medo de quem viu a morte passar perto.
Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu e apoio foram mobilizadas para atender as vítimas. Feridos foram encaminhados para hospitais de Três Corações e Lambari. Alguns passageiros tiveram ferimentos leves e receberam alta. Outros precisaram permanecer internados para acompanhamento e procedimentos médicos. Maria Geralda estava entre os casos que exigiram maior cuidado, mas acabou não resistindo.
Os passageiros que receberam alta no Hospital São Francisco de Paulo, em Lambari, foram acolhidos pela prefeitura no Salão Nobre do Cassino. Ali, receberam colchonetes, cobertores, alimentação e acompanhamento de profissionais de saúde. O espaço se tornou um abrigo temporário para quem escapou com vida, mas carregava no corpo e na memória os sinais de uma madrugada traumática.
Neste domingo, ao menos 24 passageiros retornaram para Mariana em um ônibus disponibilizado pela empresa responsável pela viagem. A volta, porém, não teve o mesmo sentido da partida. Não era mais uma excursão rumo a Aparecida. Era o retorno de sobreviventes a uma cidade em luto. Era a volta de quem saiu em busca de fé e precisou voltar carregando dor, susto e saudade pelas vidas perdidas no caminho.
A Prefeitura de Mariana divulgou nota de pesar pelas mortes das três moradoras. A administração municipal lamentou profundamente os óbitos, manifestou solidariedade aos familiares e amigos e afirmou que toda a comunidade marianense está profundamente abalada pelas perdas. A mensagem também pediu conforto aos corações dos familiares neste momento de dor.
A Polícia Civil informou que realizou perícia no local do acidente. Os corpos das duas vítimas que morreram ainda na rodovia foram encaminhados ao Posto Médico Legal, onde passaram por exames. A morte de Maria Geralda, registrada depois no hospital, também passa a integrar a apuração sobre as consequências da colisão. As causas e circunstâncias do acidente continuam sendo investigadas.
A investigação deverá esclarecer como a estrutura do caminhão se desprendeu, quais eram as condições dos veículos, de que forma ocorreu o impacto e se houve algum fator mecânico, operacional ou externo que contribuiu para a tragédia. Enquanto as respostas ainda são buscadas, famílias enfrentam a parte mais difícil: a despedida.
Geralda Aparecida, Maria Aparecida e Maria Geralda embarcaram em uma viagem que tinha destino de fé. Não voltaram como todos esperavam. Seus nomes agora se unem à memória de uma tragédia que marcou a BR 267 e deixou Mariana em luto. Para os sobreviventes, ficam as lembranças da madrugada, do barulho, do socorro e da volta dolorosa para casa. Para as famílias, fica a ausência. Para a cidade, fica o adeus a três mulheres que partiram no caminho de Aparecida.


