COMBATE AO TRÁFICO DISPARA NO VALE E OCORRÊNCIAS CRESCEM 79,3% EM CINCO MESES, APONTA SSP
O enfrentamento ao tráfico de drogas ganhou força na Região Metropolitana do Vale do Paraíba em 2026. Levantamento da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, com dados consolidados entre janeiro e maio, aponta que as ocorrências de tráfico de entorpecentes cresceram 79,3% na região em comparação com o mesmo período do ano passado. O número passou de 174 registros nos cinco primeiros meses de 2025 para 312 no mesmo intervalo deste ano.
O avanço chama atenção porque, diferente de crimes como furtos, roubos e homicídios, o aumento nos registros de tráfico costuma indicar maior atuação das forças de segurança. Cada ocorrência desse tipo, em geral, nasce de uma ação policial, seja em flagrante, investigação, operação de inteligência, cumprimento de mandado ou abordagem realizada pelas polícias Civil e Militar. Na prática, os números mostram uma ofensiva mais intensa contra a circulação de drogas e a atuação de grupos criminosos na região.
A alta ocorre em um momento em que a RMVale aparece como uma das áreas mais preocupantes do estado no cenário da violência. A região possui a maior taxa de homicídios de São Paulo e convive com indicadores que reforçam a necessidade de ações permanentes de segurança pública. Nesse contexto, o crescimento das ocorrências de tráfico é apresentado como reflexo da intensificação do trabalho policial, principalmente em áreas onde o comércio ilegal de entorpecentes costuma estar ligado a outros crimes violentos.
Os dados também mostram aumento expressivo nas apreensões de drogas. Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 46 ocorrências de apreensão de entorpecentes, contra 21 no mesmo período de 2025. A alta foi de 119%, indicando que as operações têm resultado não apenas em prisões e flagrantes, mas também na retirada de drogas de circulação.
Outro indicador que reforça a ampliação das ações é o número de flagrantes lavrados. Nos cinco primeiros meses deste ano, foram 677 registros, contra 608 no mesmo período do ano passado, crescimento de 11,3%. O número de prisões também se manteve elevado. Ao todo, 1.086 pessoas foram presas entre janeiro e maio de 2026 na região, número ligeiramente superior às 1.059 prisões registradas no mesmo intervalo de 2025.
Entre os presos, 680 foram detidos em flagrante, enquanto 501 foram capturados por meio de mandados judiciais. Esses dados indicam atuação em duas frentes. De um lado, a resposta imediata das equipes nas ruas diante de crimes em andamento. De outro, o trabalho investigativo e judicial que resulta no cumprimento de ordens de prisão contra suspeitos já identificados.
As apreensões de armas também permaneceram em patamar relevante. No período analisado, 104 armas de fogo foram retiradas de circulação na RMVale. Esse tipo de apreensão tem impacto direto na redução do potencial ofensivo de grupos criminosos, especialmente em uma região onde a violência letal segue como um dos principais desafios da segurança pública.
Além do combate ao tráfico e da retirada de armas das ruas, o levantamento aponta a recuperação de 133 veículos roubados ou furtados nos cinco primeiros meses de 2026. A recuperação desses veículos representa a devolução de patrimônio às vítimas e também atinge esquemas criminosos ligados à receptação, desmanches e circulação de veículos usados em outros delitos.
O avanço das ocorrências de tráfico também precisa ser lido junto ao cenário de violência da região. Entre janeiro e maio, os homicídios dolosos no Vale passaram de 89 para 119, crescimento de 33,7%. Somando homicídios e latrocínios, os crimes violentos passaram de 90 para 121, alta de 34,4%. As tentativas de homicídio também aumentaram, passando de 132 para 166 registros, enquanto os casos de estupro subiram de 293 para 369.
O perfil da violência letal também revela um padrão preocupante. Levantamentos regionais apontam que a maioria das vítimas de homicídio é formada por homens, com idade média de 33 anos. Cidades como São José dos Campos, Taubaté, Caraguatatuba, Ubatuba, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Lorena, Cruzeiro, Jacareí e São Sebastião aparecem entre os municípios com maior número de ocorrências letais no período analisado.
Diante desse quadro, o crescimento das ocorrências de tráfico mostra uma tentativa das forças de segurança de atacar uma das bases da criminalidade organizada. O tráfico de drogas costuma movimentar disputas territoriais, circulação de armas, intimidação de moradores e conflitos entre grupos criminosos. Por isso, ações voltadas à apreensão de entorpecentes, prisão de envolvidos e identificação de pontos de venda são consideradas estratégicas para reduzir a violência.
A Polícia Civil também manteve alto volume de atividade investigativa. Entre janeiro e maio de 2026, foram instaurados 2.380 inquéritos na região. Embora o número seja menor que os 2.515 registrados no mesmo período de 2025, ele mostra que a apuração de crimes segue em ritmo intenso, em paralelo ao aumento das operações e prisões.
Os números da SSP indicam que o combate ao tráfico avançou em produtividade, mas também revelam o tamanho do desafio enfrentado pela segurança pública no Vale. A região vive um cenário em que a atuação policial se intensifica ao mesmo tempo em que crimes violentos seguem em alta. O resultado é um quadro que exige presença constante das forças de segurança, inteligência policial, investigação qualificada e ações integradas para conter a expansão do crime organizado.

