HOMEM FOI SUGADO PARA FORA DE AVIÃO APÓS EXPLOSÃO E TRAGÉDIA DA TAM VOLTA À MEMÓRIA QUASE 30 ANOS DEPOIS
O caso recente de um passageiro que sobreviveu após ser parcialmente sugado pela janela de um avião reacendeu a lembrança de uma das histórias mais impressionantes e trágicas da aviação brasileira. Em 2027, completa 30 anos o episódio em que o engenheiro Fernando Caldeira de Moura Campos, de 38 anos, morador de São José dos Campos, morreu após ser ejetado de um avião da TAM durante um voo comercial entre o Vale do Paraíba e a capital paulista.
A tragédia aconteceu em 9 de julho de 1997. O Fokker 100 havia decolado de Vitória, no Espírito Santo, com destino a São Paulo, e fez uma parada em São José dos Campos, onde 25 passageiros embarcaram. Entre eles estava Fernando, que seguia para a capital. O trecho era curto e deveria durar cerca de 20 minutos, mas, aproximadamente dez minutos após a decolagem, uma explosão abriu um rombo na fuselagem da aeronave.
Com a descompressão, Fernando foi sugado para fora do avião. O corpo dele caiu em uma área rural de Suzano, na Grande São Paulo. Dentro da aeronave, o susto tomou conta dos passageiros e tripulantes, mas o avião conseguiu seguir até o Aeroporto de Congonhas, onde pousou em segurança. Apesar do impacto da explosão e do buraco aberto na fuselagem, nenhuma outra pessoa a bordo sofreu ferimentos graves. Cerca de 60 pessoas estavam no voo.
O caso marcou profundamente a história da aviação nacional pela forma incomum e violenta como ocorreu. A explosão dentro de uma aeronave em pleno voo, seguida da ejeção de um passageiro, transformou a viagem curta entre São José dos Campos e São Paulo em uma tragédia lembrada até hoje. A imagem do avião com a fuselagem danificada se tornou símbolo de um episódio que chocou o país.
Na época, a investigação apontou como principal suspeito o professor Leonardo Teodoro de Castro. Ele foi investigado pela suspeita de ligação com o artefato que explodiu dentro da aeronave e arrancou parte da fuselagem. No entanto, o caso nunca teve um desfecho judicial definitivo.
Três dias após a explosão no voo, Leonardo foi atropelado por um ônibus na Avenida Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. Ele ficou em estado vegetativo depois de passar quase um ano internado em uma Unidade de Terapia Intensiva. Por causa da condição de saúde, a defesa solicitou e conseguiu a suspensão do processo, sob o argumento de que ele não tinha condições de responder à Justiça.
A prisão preventiva do professor chegou a ser decretada, mas foi revogada antes mesmo do julgamento de um recurso. O advogado dele, Tales Castelo Branco, sustentava à época que não havia provas contra o cliente e afirmava que o atropelamento não havia sido tentativa de suicídio. Para a defesa, o acidente impediu que Leonardo pudesse se defender e tentar provar inocência.
Anos depois, em setembro de 2023, a Justiça Federal arquivou o processo e declarou extinta a punibilidade. Na prática, a decisão reconheceu que não era mais possível aplicar ou executar uma punição no caso. Com isso, a tragédia permaneceu na memória nacional sem uma condenação judicial.
Fernando Caldeira de Moura Campos era engenheiro, diácono e frequentador da Igreja Cristã Evangélica de São José dos Campos. Na época da morte, era casado e pai de duas filhas pequenas. Sua família tinha origem em São Sebastião, no Litoral Norte, e ele era dono de uma empresa que prestava serviços ao setor aeronáutico, especialmente à Embraer.
Quase três décadas depois, o caso volta a ser lembrado diante de outro episódio envolvendo descompressão em avião. A diferença é que, no caso recente, o passageiro sobreviveu após ser parcialmente sugado pela janela. Já em 1997, a explosão no voo da TAM tirou a vida de Fernando e deixou uma marca dolorosa na história da aviação brasileira, especialmente para São José dos Campos, cidade de onde ele havia embarcado minutos antes da tragédia.

Explosão que causou a morte de uma pessoa abriu um buraco na aeronave — Foto: Reprodução/TV Diário

