CAMINHÃO LOCALIZADO, MOTORISTA SUMIDO: PRF APREENDE VEÍCULO QUE ARRASTOU CARRO DE IDOSA NA DUTRA
A Polícia Rodoviária Federal localizou e apreendeu o caminhão envolvido no acidente que assustou motoristas na Rodovia Presidente Dutra, em São José dos Campos, quando o carro de uma idosa de 83 anos foi arrastado por vários metros. O veículo foi encontrado na noite de quarta-feira (1º), na região de Taubaté, horas depois da colisão que ganhou grande repercussão nas redes sociais. Apesar da localização do caminhão, o motorista que conduzia o veículo no momento do acidente ainda não havia sido encontrado.
Segundo a PRF, o caminhão passou a ser monitorado pelos sistemas da corporação enquanto trafegava pela Rodovia Carvalho Pinto. As equipes acompanharam o deslocamento do veículo e aguardaram o acesso à Via Dutra para realizar a abordagem na região de Taubaté. O veículo foi apreendido e passou a fazer parte da investigação sobre o acidente registrado durante a manhã, no trecho de São José dos Campos.
O homem que estava ao volante no momento da abordagem afirmou aos policiais que assumiu a direção do caminhão apenas horas depois do acidente e negou envolvimento na colisão. De acordo com a PRF, documentos e registros encontrados durante a fiscalização indicam que outro motorista conduzia o caminhão no momento em que o carro foi arrastado pela Dutra. Esse condutor segue sendo procurado para prestar esclarecimentos.
Durante a abordagem, os agentes recolheram a fita do cronotacógrafo, equipamento que registra dados importantes sobre a condução do veículo, como velocidade, tempo de direção e períodos de parada. A análise desse material poderá ajudar a esclarecer o deslocamento do caminhão, identificar horários, verificar a velocidade no período próximo ao acidente e apurar se houve cumprimento das regras de descanso exigidas para motoristas profissionais.
O acidente aconteceu na manhã de quarta-feira (1º), na altura do km 145 da Rodovia Presidente Dutra, no sentido São Paulo, em São José dos Campos. Imagens gravadas por motoristas mostram o carro preso à lateral do caminhão e sendo arrastado por vários metros pela rodovia. A cena impressionou pela gravidade e pelo risco de uma tragédia maior.
A motorista do carro, a aposentada Maria Auxiliadora de Carvalho, de 83 anos, contou que agarrou um terço e rezou enquanto era arrastada. Ela disse que pediu proteção a Deus, ao anjo da guarda e a Nossa Senhora. Mesmo em meio ao desespero, a idosa conseguiu desligar o veículo para tentar evitar um incêndio. Após o acidente, afirmou ter saído tremendo, mas sem ferimentos.
Maria Auxiliadora também conseguiu fotografar a placa do caminhão, informação que ajudou as autoridades na busca pelo veículo. Segundo o relato da aposentada, o caminhoneiro chegou a parar por alguns instantes, mas deixou o local antes que ela conseguisse registrar também a placa traseira. A fuga sem prestação de socorro passou a ser um dos pontos centrais da apuração.
A ocorrência inicial foi registrada como colisão lateral. Segundo relatos da vítima, ela seguia pela Dutra quando precisou mudar de faixa por causa de um estreitamento na pista. A aposentada afirmou que sinalizou a manobra, mas o caminhão teria alegado que não a viu. O carro ficou preso ao veículo pesado e acabou sendo arrastado pela rodovia.
Com o caminhão apreendido, a investigação passa a focar na identificação e localização do motorista que dirigia o veículo no momento do acidente. A PRF deverá encaminhar as informações à Polícia Civil, que poderá apurar a responsabilidade do condutor pela colisão e pela saída do local sem prestar atendimento à vítima.
O caso reforça o alerta sobre a convivência entre veículos leves e pesados na Dutra, uma das rodovias mais movimentadas do país. Caminhões e carretas possuem pontos cegos, principalmente nas laterais, o que exige cautela redobrada em mudanças de faixa. Ainda assim, a fuga após um acidente com vítima ou risco de vítima é conduta grave e será investigada pelas autoridades.
Até a última atualização disponível, o caminhão havia sido apreendido, o condutor abordado negou participação no acidente e o motorista que dirigia o veículo no momento da colisão seguia sem ser localizado. A análise do cronotacógrafo, dos documentos, das imagens de monitoramento e dos relatos da vítima deverá ajudar a reconstruir a sequência que transformou a manhã de Maria Auxiliadora em uma cena de medo, fé e sobrevivência na Dutra.


