CASO JOICE: MORTE DE JOVEM DE 27 ANOS SEGUE SOB SIGILO, 99 BLOQUEIA CONDUTOR E FAMÍLIA COBRA RESPOSTAS EM VARGINHA
A morte de Joice Batiston, de 27 anos, segue cercada de perguntas em Varginha, no Sul de Minas. Encontrada ferida e inconsciente às margens da Avenida Perimetral na noite de sexta-feira, 19, a jovem chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Quatro dias depois, a Polícia Civil mantém a investigação sob sigilo, a família contesta a hipótese inicial de atropelamento e a empresa de transporte por aplicativo 99 informou que bloqueou o motociclista que realizou a corrida solicitada por Joice antes de ela ser encontrada gravemente ferida.
Joice trabalhava como atendente em um supermercado e morava com a mãe e um irmão no bairro Alto da Figueira. Na noite em que desapareceu, ela pediu uma corrida por aplicativo para se encontrar com uma amiga em um bar da cidade, mas nunca chegou ao destino. Pouco depois, foi localizada caída em um trecho da Avenida Perimetral por uma motorista que passava pelo local. O Corpo de Bombeiros foi acionado e a jovem foi encaminhada para atendimento médico, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
A Polícia Civil informou que ainda não é possível determinar a causa da morte. O delegado responsável pelo caso, Marcelo Farra, afirmou que os investigadores seguem trabalhando na apuração e aguardam a conclusão dos laudos periciais. Os exames deverão ser fundamentais para esclarecer se Joice foi vítima de atropelamento, agressão ou outro tipo de violência antes de ser encontrada inconsciente.
A família, no entanto, afirma não acreditar na possibilidade de atropelamento. Parentes que tiveram contato com o corpo relataram que os ferimentos observados não seriam compatíveis com esse tipo de acidente. O cunhado de Joice, Lucas Azola Cesarino, disse que, ao participar do reconhecimento, percebeu sinais que, segundo ele, indicariam agressão. Ele afirmou que a jovem apresentava escoriações nos joelhos, mas que o rosto estava muito machucado, o que aumentou a suspeita dos familiares.
A irmã de Joice, Josilene Batiston, também declarou que a família acredita na possibilidade de agressão. Segundo ela, quando os familiares chegaram ao local, Joice estava com o rosto ensanguentado e tinha ralados nos braços e nas pernas, mas os ferimentos mais graves aparentavam estar concentrados na região do rosto. A família espera que os laudos e a análise das imagens ajudem a esclarecer o que realmente aconteceu entre o momento em que a jovem solicitou a corrida e o momento em que foi encontrada caída na avenida.
Nesta terça-feira, 23, a empresa 99 se manifestou sobre o caso. Em nota, a plataforma lamentou a morte de Joice, prestou solidariedade à família e informou que uma equipe especializada foi acionada assim que o caso foi registrado na Central de Segurança da empresa. Segundo a 99, os familiares estão recebendo acolhimento e orientações sobre o acionamento do seguro disponibilizado pela plataforma, que inclui atendimento psicológico e suporte para despesas funerárias.
A empresa também informou que o motociclista parceiro responsável pela corrida solicitada por Joice foi bloqueado da plataforma. A 99 afirmou ainda que permanece à disposição para colaborar com as autoridades durante a investigação. O bloqueio do condutor ocorre enquanto a Polícia Civil apura a dinâmica dos fatos e analisa os elementos reunidos até o momento.
Um dos pontos centrais da investigação será reconstruir os últimos deslocamentos de Joice. A Polícia Civil já recolheu imagens de câmeras de segurança que podem ajudar a identificar o trajeto feito pela jovem, o deslocamento da motocicleta por aplicativo, o horário em que ela teria deixado a corrida e as circunstâncias que a levaram até a Avenida Perimetral. Todo o material está sendo analisado pelos investigadores.
Segundo a família, alguns pertences pessoais de Joice foram encontrados próximos ao local onde ela estava caída, mas o celular da jovem ainda não foi localizado. O aparelho pode ser uma peça importante para a apuração, já que pode conter informações sobre a corrida, contatos recentes, mensagens, localização e possíveis registros feitos antes do ocorrido.
A Avenida Perimetral, onde Joice foi encontrada, é uma via de grande circulação em Varginha, com fluxo intenso de veículos, incluindo caminhões. Apesar disso, há trechos sem iluminação pública, o que preocupa moradores e familiares. A Prefeitura de Varginha informou que existe planejamento para instalação de iluminação e câmeras de segurança na região, mas ainda não há prazo definido para a execução das melhorias. A administração municipal alegou que a avenida fica em uma área considerada rural, o que exige investimentos maiores em infraestrutura.
A morte de Joice causou comoção e indignação. A jovem era descrita por familiares como trabalhadora e tinha planos para o futuro. O caso ganhou ainda mais repercussão depois que veio à tona a informação de que ela não chegou ao local onde encontraria uma amiga, mesmo tendo solicitado transporte por aplicativo. A sequência de dúvidas aumentou a angústia da família, que agora aguarda respostas oficiais.
Enquanto a investigação segue sob sigilo, a família de Joice espera que os laudos periciais, as imagens de câmeras e os depoimentos ajudem a esclarecer a causa da morte e a sequência dos fatos. O caso permanece em apuração pela Polícia Civil, que ainda não confirmou a dinâmica da ocorrência nem a causa oficial da morte da jovem de 27 anos.


