Segunda-feira, Junho 22, 2026
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REBELIÃO SANGRENTA EM POTIM: PRESOS CORTAM PESCOÇO, ARRANCAM ÓRGÃOS E QUEIMAM CORPO


A Penitenciária I de Potim foi palco de uma rebelião marcada por extrema violência entre sábado, 20, e domingo, 21. O motim deixou dois presos mortos, quatro feridos, corpos mutilados, barricadas improvisadas e 15 visitantes, sendo 14 mulheres e uma criança, retidas por cerca de 18 horas dentro da unidade. A Polícia Civil autuou nove detentos em flagrante e pediu à Justiça a conversão das prisões em preventivas.

Segundo as informações da investigação, a crise começou durante o período de visitas, após duas mulheres serem barradas por causa de imagens consideradas suspeitas no equipamento de inspeção corporal, conhecido como body scanner. A retenção das visitantes para verificação complementar teria provocado a reação de presos ligados a elas, que passaram a contestar a decisão da administração da unidade e a ameaçar uma revolta caso a entrada fosse impedida.

A partir daí, o Pavilhão 5 se transformou em cenário de horror. De acordo com a apuração policial, presos teriam usado armas artesanais, feito barricadas com colchões e grades amarradas e impedido o acesso seguro das equipes de segurança. A presença de familiares no interior da penitenciária tornou a situação ainda mais delicada, já que uma intervenção imediata poderia colocar em risco mulheres, uma criança, servidores e detentos que estavam rendidos.

Durante a crise, cinco presos foram rendidos, amarrados e agredidos diante dos negociadores. Gustavo Santos Lima Lourenço, de 25 anos, e Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos, morreram após uma sequência de agressões atribuída aos amotinados. Outros quatro detentos ficaram feridos, com lesões provocadas por golpes de objetos perfurantes e cortantes de fabricação artesanal.

A investigação descreve atos de barbárie contra as vítimas. Segundo os relatos reunidos pela polícia, um dos presos teve o pescoço cortado com uma navalha. Os corpos também teriam sido mutilados, arrastados pelo pátio e um deles foi alvo de tentativa de incêndio. As informações apontam ainda que os agressores teriam arrancado órgãos internos das vítimas e tentado expor os corpos em uma tela de proteção da unidade. A confirmação técnica da causa das mortes, da sequência das lesões e do momento em que cada ferimento foi produzido dependerá dos laudos periciais e necroscópicos.

Os objetos usados como armas também foram recolhidos para análise. Entre os materiais citados estão vergalhões, pedaços de chapas metálicas, fragmentos de espelhos e outros itens adaptados para causar ferimentos. A perícia deverá apontar quais instrumentos foram utilizados, a compatibilidade das lesões com os relatos e a participação individual de cada investigado.

Enquanto os presos rendidos eram usados como forma de pressão contra a administração, 14 mulheres e uma criança ficaram sem rota segura para deixar o presídio. Elas não tiveram ferimentos físicos, mas permaneceram retidas até o fim das negociações, em um ambiente de tensão, ameaças e risco de confronto. Para a Polícia Civil, a situação configurou privação de liberdade.

A rebelião atravessou a noite e só terminou por volta das 6h de domingo, após cerca de 18 horas de negociação conduzida pela Polícia Penal e pelo Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar. Com a rendição dos principais envolvidos, as visitantes foram liberadas em segurança, os feridos receberam atendimento e os corpos foram removidos.

A Polícia Civil autuou nove detentos em flagrante na própria penitenciária, por razões de segurança. Eles são investigados por crimes como motim de presos, homicídio qualificado, tentativa de homicídio e sequestro ou cárcere privado. A autuação em flagrante e o indiciamento não representam condenação, e todos os investigados mantêm o direito de defesa no decorrer do processo.

Um dos presos apontados como liderança teria declarado em depoimento que a situação fugiu do controle após o início do tumulto. Outros investigados negaram participação direta ou permaneceram em silêncio. As versões apresentadas serão confrontadas com imagens internas, depoimentos de sobreviventes, relatos de policiais penais e laudos técnicos.

A Secretaria da Administração Penitenciária informou que a ocorrência foi encerrada após negociação e que as visitantes deixaram o local sem ferimentos. A pasta também afirmou que presta apoio às famílias que estavam no pavilhão durante a crise, confirmou a morte de dois presos e os quatro feridos, e informou que os envolvidos foram transferidos para outras unidades prisionais, onde responderão judicialmente pelos atos praticados.

Após o fim do motim, a Penitenciária I de Potim passou por revista geral realizada pelo Grupo de Intervenção Rápida, com apoio da Polícia Militar na área externa. A ação teve como objetivo localizar armas artesanais, objetos proibidos, danos estruturais, pontos de barricada e outros materiais relacionados à rebelião.

A investigação ainda precisa esclarecer a participação exata de cada detento, a origem das armas improvisadas, o resultado da apuração sobre as visitantes barradas no body scanner e as condições que permitiram que a crise evoluísse para um episódio de tamanha violência. O caso segue sob análise da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário.

A rebelião sangrenta em Potim deixou marcas dentro e fora da penitenciária. Além das mortes e feridos, o episódio expôs uma crise de segurança, medo entre familiares e a brutalidade de um motim que transformou um dia de visita em 18 horas de terror no sistema prisional do Vale do Paraíba.

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