Quarta-feira, Junho 17, 2026
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“NÃO MORRE, MOÇO”: PM REZA APÓS ATIRAR EM ELETRICISTA AUTISTA QUE NÃO RESISTIU EM SÃO PAULO


Uma ocorrência policial na zona norte de São Paulo terminou em morte, investigação e forte repercussão após imagens de câmeras corporais mostrarem o comportamento de um policial militar logo depois de atirar contra o eletricista Igor Hyppolito, de 45 anos, diagnosticado com autismo, TDAH e epilepsia. Nas gravações divulgadas, o cabo Cauan Alencar Bastos aparece rezando o Pai-Nosso e pedindo para que a vítima não morresse enquanto ela recebia atendimento.

“Pelo amor de Deus, não morre.” A frase foi dita pelo policial após os disparos que atingiram Igor durante uma abordagem registrada no dia 29 de abril. O caso começou depois de uma briga de trânsito envolvendo o eletricista e um motoboy. A Polícia Militar foi acionada e localizou Igor com um facão.

As imagens das câmeras corporais mostram que, antes mesmo de descer da viatura, o cabo teria afirmado: “Peraí que eu vou matar ele, eu vou dar tiro”. Em seguida, houve disparos. O soldado que acompanhava o cabo também atirou. Igor foi atingido na região das costelas e, enquanto era socorrido, repetia que não conseguia respirar.

Uma enfermeira que passava pelo local ajudou no atendimento à vítima até a chegada do socorro. Durante a ocorrência, um borracheiro também reclamou de um disparo que quase o atingiu e discutiu com o policial. A sequência registrada pelas câmeras ampliou a repercussão do caso e passou a integrar a apuração sobre a conduta dos agentes.

Em outro momento, o cabo enviou uma mensagem de áudio à companheira relatando que havia atirado em um homem que agonizava e afirmou que tentava salvar a vida dele. Depois, próximo à viatura, o policial aparece rezando. A cena contrasta com a gravidade da ação registrada minutos antes e se tornou um dos pontos mais marcantes do caso.

Igor Hyppolito foi encaminhado ao Hospital Geral de Taipas, mas não resistiu aos ferimentos. Familiares informaram que ele trabalhava como eletricista e tinha diagnóstico de autismo, TDAH e epilepsia. A morte provocou questionamentos sobre a abordagem, o uso da força e a atuação dos policiais durante a ocorrência.

A Secretaria da Segurança Pública informou que os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades nas ruas por determinação judicial. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, pelo 18º Batalhão da Polícia Militar e pela Corregedoria da corporação.

A apuração deverá esclarecer a dinâmica da abordagem, a necessidade dos disparos, a conduta dos policiais e as circunstâncias que levaram à morte de Igor. As imagens das câmeras corporais serão fundamentais para a análise do caso, principalmente por registrarem falas, reações e os momentos posteriores aos tiros.

A morte do eletricista reacende o debate sobre preparo policial em ocorrências envolvendo pessoas neurodivergentes, crises comportamentais, situações de conflito e uso progressivo da força. Para a família, o caso representa uma perda irreparável. Para as autoridades, passa a ser uma investigação que precisa responder se a ação policial seguiu os protocolos ou se houve excesso.

Enquanto os órgãos responsáveis seguem com a investigação, a frase dita após os disparos resume a dramaticidade da ocorrência: “não morre, moço”. Igor morreu. E agora caberá à Justiça e aos órgãos de controle apontar as responsabilidades.

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