Quinta-feira, Junho 11, 2026
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MORTE DE DHEORGE: ÁUDIOS EXPÕEM SUPOSTA COMBINAÇÃO DE VERSÕES APÓS DESAPARECIMENTO NO MAR


A morte de Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, após o desaparecimento no mar de Ilhabela, ganhou novos desdobramentos e passou a ter um elemento central na investigação: gravações de câmeras de segurança que teriam registrado conversas do grupo que estava com ele e com Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, no dia da tragédia. Os áudios, agora analisados pela Polícia Civil, levantam suspeitas sobre uma possível combinação de versões antes que o desaparecimento dos dois fosse comunicado às autoridades.

Bruna, que sobreviveu após ficar 42 horas à deriva no mar, usou as redes sociais para rebater acusações e afirmar que também foi vítima. “Quero ver todas as pessoas que estão me acusando de coisas terríveis pagarem com a língua! Eu também fui vítima. Eu ia morrer. A verdade está vindo à tona”, escreveu a estudante.

O caso aconteceu depois que a moto aquática em que Bruna e Dheorge estavam apresentou pane e afundou no mar de Ilhabela. Os dois ficaram desaparecidos. Bruna foi encontrada com vida por pescadores quase dois dias depois, enquanto o corpo de Dheorge foi localizado oito dias após o início das buscas.

Segundo as informações da investigação, o grupo saiu para o passeio por volta das 11h59 do dia 24 de maio. A lancha levava nove pessoas: sete amigos, o dono da moto aquática, conhecido como Neto Mineiro, e um marinheiro que pilotava a embarcação. Por volta das 17h, a lancha retornou com sete pessoas. Bruna e Dheorge não estavam mais no grupo e permaneciam desaparecidos no mar.

Um dos pontos que mais chamam a atenção é o intervalo entre o retorno da lancha e o acionamento das autoridades. A polícia foi comunicada sobre o desaparecimento apenas às 23h47. Antes disso, por volta das 21h12, câmeras registraram parte da conversa do grupo em frente a uma loja. Em um dos trechos, uma voz diz: “A gente vai ter que conversar a mesma coisa”. Em outro momento, também há falas sobre exames, uso da moto aquática e o que seria informado à polícia.

As gravações ainda trazem trechos que aumentam os questionamentos sobre a conduta do grupo. Em uma das falas, uma voz afirma: “Você tem que falar uma coisa e manter o que você falar até o final”. Em outro trecho, o áudio registra a frase: “Você pode ligar para quem você quiser, hoje ele não vai. Vai ser só amanhã, só amanhã”. Para a investigação, esse material pode ajudar a esclarecer se houve demora injustificada, omissão de socorro ou tentativa de alinhamento de versões.

A irmã de Dheorge, Lorrane Pereira, manifestou revolta nas redes sociais e cobrou justiça. Segundo ela, as horas até o acionamento das autoridades não teriam sido de desespero, mas de cálculo. “Seis horas para chamar a polícia. Seis horas que foram usadas para combinar história e proteger o próprio rabo, enquanto duas pessoas precisavam de socorro no mar”, escreveu.

Lorrane também afirmou que a família não aceita que o caso seja tratado apenas como fatalidade. Para ela, se ficar comprovado que houve omissão enquanto Bruna e Dheorge estavam desaparecidos, os responsáveis devem responder pelo que fizeram. A companheira de Bruna também se manifestou, dizendo que os dois foram deixados para morrer e que a sobrevivência da estudante foi um milagre.

A Polícia Civil de Ilhabela já ouviu 13 pessoas no inquérito, incluindo todos os que estavam na lancha no dia do desaparecimento. A investigação busca esclarecer a dinâmica do passeio, como Bruna e Dheorge passaram a ocupar a moto aquática, em que circunstâncias o equipamento apresentou pane e afundou, e por que houve demora até a comunicação oficial às autoridades.

Neto Mineiro, apontado como dono da moto aquática, nega ter alugado ou emprestado o equipamento. Ele afirmou que Dheorge teria pegado a moto sem autorização. Uma mulher que estava na lancha confirmou essa versão, dizendo que Dheorge e Bruna colocaram coletes e saíram sem autorização. Essa declaração também deverá ser confrontada com as gravações obtidas pela Polícia Civil.

Segundo a apuração, quem entregou ou permitiu o uso da moto aquática poderá ser indiciado por homicídio culposo, crime em que não há intenção de matar. Com os novos elementos, a investigação também deverá analisar a eventual responsabilidade de pessoas que estavam no grupo e a possível demora no pedido de socorro.

Enquanto os áudios são analisados, a morte de Dheorge segue cercada de dor, revolta e perguntas ainda sem resposta. Para a família, as gravações podem ser decisivas para revelar o que aconteceu nas horas em que ele e Bruna lutavam pela vida no mar. Bruna, única sobrevivente da tragédia, afirma que também foi vítima e que a verdade está vindo à tona.

Bruna Damaris e Dheorge Pereira

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