Domingo, Junho 7, 2026
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foi muito especial me encontrar com meus anjos, Alex e Allan, que Deus e sua misericórdia enviou para me resgatar daquele mar. Que Deus abençoe a todos sempre”, disse Bruna. Em outro momento, olhando para o pescador Alex, ela resumiu o sentimento que carregava desde o resgate: “Mais uma vez, eu te agradeço. Se não fosse você, eu não estaria aqui”.


A cena emocionou quem acompanhou o reencontro. Alex também se mostrou tocado ao ver Bruna recuperada e cercada pela família. Segundo ele, no momento em que encontrou a jovem no mar, ela estava debilitada, muito fraca e com sinais claros de exaustão. O pescador afirmou que revê-la bem trouxe uma sensação de alívio e gratidão. “Fiquei muito alegre de vê-la bem. Porque aquele outro dia ela tava bem debilitada, bem fraquinha e hoje eu encontrei ela aqui assim bem. Tá bem, graças a Deus, melhorando mais ainda. A família toda aí, gratificante pra gente. A gente fica contente”, disse Alex em entrevista à TV Vanguarda.

Durante o encontro, Bruna voltou a relatar detalhes dos momentos de desespero vividos no mar. Ela contou que tentou nadar junto com Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, até uma ilha próxima, mas os dois não conseguiram avançar por causa da força da correnteza. A situação se agravou durante a madrugada, quando o cansaço, a dor e a dificuldade de permanecer juntos tornaram a sobrevivência ainda mais difícil.

“Quando chegou na terça-feira de madrugada, eu lembro que a gente estava tentando nadar para chegar na ilha, só que a gente não chegava por conta da correnteza. Eu falei para ele: ‘vamos tentar, vamos nadar’. Aí ele falou: ‘estou com câimbra, estou com câimbra’. Muita dor. Então eu falei: ‘você fica aqui, que eu vou procurar ajuda’”, relatou Bruna.

Bruna e Dheorge desapareceram na região da Praia da Ponta das Canas, em Ilhabela, depois que a moto aquática em que estavam sofreu uma pane mecânica e acabou sendo arrastada por fortes correntes em direção ao mar aberto. Bruna foi encontrada com vida após cerca de 42 horas à deriva. Dheorge foi localizado morto depois de oito dias de buscas, em um desfecho que abalou familiares, amigos e todos que acompanharam o caso.

A morte de Dheorge ainda é investigada pela Polícia Civil, assim como as circunstâncias do acidente. A Marinha do Brasil também apura as condições envolvendo a moto aquática, a pane mecânica e os fatores que contribuíram para que o casal fosse levado para alto-mar. Até o momento, nove pessoas foram ouvidas, e a investigação deve avançar com novos depoimentos e análise das informações já reunidas.

O corpo de Dheorge foi sepultado na sexta-feira, 5, no Ceará, sua terra natal. Enquanto a família dele vive o luto, Bruna segue em recuperação física e emocional após sobreviver a uma experiência extrema. O reencontro com os pescadores trouxe um momento de conforto em meio à dor, mas também reforçou a dimensão humana de uma história marcada por sofrimento, perda e gratidão.

Na Praia da Maranduba, o abraço entre Bruna, Alex e Allan simbolizou mais do que um agradecimento. Representou o encontro entre quem resistiu até o limite e quem chegou quando a esperança parecia desaparecer no mar. Para Bruna, os pescadores foram enviados por Deus. Para Alex e Allan, revê-la viva, em pé e ao lado da família foi a confirmação de que o gesto de resgate se transformou em uma lembrança que ficará para sempre.

Bruna Damaris, ao centro, durante reencontro emocionante com o pescador Alex, um dos responsáveis por seu resgate após cerca de 42 horas à deriva no mar, em encontro realizado na Praia da Maranduba, em Ubatuba.

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