Segunda-feira, Junho 1, 2026
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CORPO ENCONTRADO NO MAR É DE DHEORGE, DIZ IRMÃ: BUSCA DE OITO DIAS TERMINA EM LUTO EM ILHABELA


A angústia que mobilizou familiares, amigos, equipes de resgate e moradores do Litoral Norte chegou ao desfecho mais doloroso nesta segunda-feira, 1º de junho. O corpo encontrado nas proximidades da Ilha de Búzios, em Ilhabela, é de Dheorge Pereira Bernardino, segundo confirmação feita pela irmã do jovem nas redes sociais. A localização ocorreu após oito dias de buscas no mar, desde o desaparecimento durante um passeio de moto aquática na região da Praia da Ponta das Canas.

A notícia encerrou uma das operações de busca mais acompanhadas dos últimos dias no Litoral Norte de São Paulo. Dheorge desapareceu no domingo, 24 de maio, depois que a moto aquática em que estava teria apresentado pane mecânica e sido arrastada pela correnteza em direção ao mar aberto. Com ele estava Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, que foi resgatada com vida por pescadores após passar cerca de 42 horas à deriva.

O corpo foi localizado em uma área próxima à Ilha de Búzios, justamente na região onde as equipes concentravam os trabalhos desde que o colete salva-vidas de Dheorge havia sido encontrado boiando em alto-mar. A descoberta trouxe dor à família, mas também encerrou a incerteza que acompanhava os parentes desde o desaparecimento. Em uma mensagem emocionada, a irmã agradeceu a todos que ajudaram nas buscas e afirmou que, embora o resultado não tenha sido o esperado, a família recebeu a oportunidade de se despedir.

“Não terminou como a gente queria, com ele vivo, mas Deus deu a oportunidade da gente se despedir dele. Vamos trazer ele pra casa, a gente vai se despedir”, escreveu a irmã, em publicação marcada por dor, fé e gratidão às pessoas que se mobilizaram durante os dias de procura.

Horas antes da confirmação, a própria irmã havia feito um forte desabafo nas redes sociais. Ela acusou pessoas que estariam em uma lancha no dia do acidente de terem abandonado Dheorge no momento em que ele precisava de socorro. Na publicação, Lorrane Pereira disse que alguns “amigos” teriam virado as costas para o irmão e não teriam prestado apoio à família durante as buscas. Ela também destacou que apenas um amigo permaneceu ajudando desde o início, a quem chamou de exemplo de lealdade.

Apesar da revolta, a irmã também havia pedido cautela, silêncio e respeito enquanto ainda não havia confirmação oficial sobre a identidade do corpo. Ela solicitou que moradores, amigos e internautas evitassem boatos e especulações, principalmente para preservar os pais de Dheorge, que estavam psicologicamente fragilizados e ainda não haviam sido informados sobre a situação naquele momento.

O caso comoveu o país principalmente após o resgate de Bruna. A jovem estava na garupa da moto aquática e sobreviveu após quase dois dias no mar. Em relato depois de receber alta hospitalar, ela afirmou que a moto aquática sofreu uma pane e que os dois foram levados pela força da correnteza. Bruna também disse que permaneceu ao lado de Dheorge durante boa parte da luta pela sobrevivência e negou boatos de que ele teria retirado o colete salva-vidas por vontade própria antes de desaparecer.

As buscas envolveram uma grande força-tarefa no Litoral Norte. Participaram da operação equipes do GBMar, Grupamento de Bombeiros Marítimo, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira e Comando de Aviação da Polícia Militar. Embarcações e aeronaves realizaram varreduras em uma extensa área marítima, com atenção especial à região da Ilha de Búzios, onde o colete salva-vidas havia sido encontrado e onde, nesta segunda-feira, o corpo foi localizado.

A operação chegou a ser prorrogada após nova avaliação das equipes no fim de semana. A família manteve a esperança durante todos os dias, pedindo orações e insistindo para que as buscas não fossem encerradas. A mãe de Dheorge chegou a declarar que acreditava na possibilidade de o filho estar em uma ilha, perdido, aguardando ajuda, e pediu que as autoridades continuassem procurando.

Com a confirmação feita pela irmã, amigos e moradores passaram a usar as redes sociais para deixar mensagens de solidariedade à família Bernardino. A comoção também alcançou pessoas de outras cidades, que acompanharam cada etapa da busca e torciam por um desfecho diferente.

Dheorge havia desaparecido em um passeio que começou como lazer e terminou em tragédia. A moto aquática foi encontrada parcialmente submersa e à deriva no dia seguinte ao desaparecimento, a cerca de 22 quilômetros do ponto onde havia sido vista pela última vez. A partir dali, o caso passou a ser tratado como uma corrida contra o tempo no mar, marcada por esperança, incerteza e dor.

Detalhes sobre o traslado do corpo, velório e sepultamento de Dheorge Pereira Bernardino ainda não haviam sido divulgados pela família até a última atualização. A despedida agora passa a ser o novo momento de dor para parentes e amigos, depois de oito dias de uma busca que mobilizou o Litoral Norte e terminou com a confirmação mais difícil.

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