CORRIDA GRAVADA COLOCA CASO EM NOVO RUMO: MOTORISTA DE APP CONTESTA ACUSAÇÃO APÓS ADOLESCENTE PULAR DE CARRO EM JACAREÍ
Uma corrida de aplicativo que terminou com uma adolescente pulando de um carro em movimento, em Jacareí, ganhou um novo capítulo e passou a ter versões em confronto. A defesa do motorista investigado apresentou uma gravação de cerca de 25 minutos do trajeto para contestar a acusação de importunação sexual. O caso ocorreu na noite de quarta-feira, 20, no Jardim Maria Amélia, e segue sendo apurado pela Polícia Civil.
De acordo com a defesa, o áudio da corrida mostra que a discussão dentro do veículo teria girado em torno do pagamento, de pendências anteriores, de supostos calotes e da possibilidade de levar a situação à delegacia. Nos trechos da gravação acessados pela reportagem, não aparece a fala de teor sexual atribuída ao motorista no boletim de ocorrência. A análise da íntegra do áudio, sua autenticidade e o confronto com os depoimentos ficarão a cargo da Polícia Civil e de eventual perícia.
A gravação começa com o motorista confirmando o nome da passageira e questionando a forma de pagamento cadastrada no aplicativo. A adolescente afirma que pagaria por Pix, embora o sistema indicasse pagamento em dinheiro. Em seguida, o motorista pergunta se a corrida estava no nome dela ou da mãe, e a passageira responde que costuma colocar o nome da mãe no aplicativo.
Ao longo do trajeto, a conversa passa a ficar mais tensa. O motorista afirma que já teria sofrido quatro calotes e diz que, se soubesse da situação antes, poderia ter cancelado a corrida. Mais perto do destino, ele tenta confirmar a casa da adolescente e pede que ela chame a mãe para resolver o pagamento.
Em um dos momentos mais delicados do áudio, o motorista pede que a passageira deixe o celular no carro e entre para chamar a mãe. Depois, afirma que não trabalha daquela forma e pede para que ela desça do veículo. Na sequência, menciona que poderia levá-la à delegacia, enquanto a adolescente questiona o motivo. Pouco antes de ela pular do carro em deslocamento, o motorista repete que a corrida estava sendo gravada.
Depois do episódio, o áudio registra o motorista conversando com o condutor de uma van que passava pelo local. Ele afirma que era motorista de aplicativo, que a passageira não teria pagado a corrida e nega que se tratasse de sequestro. Para a defesa, esse material cria uma divergência objetiva em relação à versão inicial registrada no boletim.
O boletim de ocorrência, por outro lado, aponta que a representante da adolescente procurou a Polícia Civil depois que a filha chegou em casa chorando e abalada emocionalmente. Segundo o registro, a adolescente contou que havia solicitado um carro de aplicativo no Parque da Cidade, em Jacareí, para voltar para casa com duas amigas. Após deixar as amigas no bairro Bela Vista, o motorista seguiu para o Jardim Maria Amélia, onde teria ocorrido a discussão sobre o pagamento e, conforme a versão registrada, uma fala de conotação sexual.
Ainda segundo o boletim, a adolescente pulou do carro em movimento, sofreu escoriações no joelho, nas costas e no braço, e ficou escondida em um matagal até se sentir segura para voltar para casa. Em uma segunda edição do registro, a ocorrência passou a ser enquadrada como crime tentado de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável. O próprio documento, porém, informa que a análise foi preliminar e pode ser reavaliada com o surgimento de novos elementos.
O advogado Jorge Cespedes, que representa o motorista, afirmou que a defesa aguarda a conclusão da investigação e nega a acusação de assédio sexual durante a corrida. Em nota, declarou que espera a comprovação da inocência do investigado e afirmou que os responsáveis por uma eventual falsa acusação deverão responder na Justiça.
A Polícia Civil deverá confrontar a gravação apresentada pela defesa com o boletim de ocorrência, os depoimentos da adolescente, da representante legal, do motorista e das amigas que estavam no veículo no início da corrida. Também poderão ser analisados dados da plataforma, rota do aplicativo, histórico de pagamento, mensagens, localização, eventuais câmeras no trajeto e a íntegra do áudio.
Até a conclusão da investigação, o motorista é tratado como investigado. Não houve prisão em flagrante. O caso segue em apuração para esclarecer se a corrida terminou em crime sexual, como registrado inicialmente, ou se a situação foi resultado de uma discussão sobre pagamento que terminou com a adolescente pulando do veículo em movimento.

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