VEREADOR RASGA CARTILHA SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES EM UBS E PROVOCA REPERCUSSÃO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
O vereador Thomaz Henrique, do Partido Liberal, provocou forte repercussão em São José dos Campos após recolher e rasgar exemplares de uma cartilha informativa dentro de uma Unidade Básica de Saúde. O material, segundo as informações divulgadas, traz orientações sobre o combate ao feminicídio, à violência doméstica, à homofobia e a outras formas de violência, além de indicar caminhos para que mulheres, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade saibam onde procurar ajuda.
A atitude do parlamentar ganhou destaque porque ocorreu em um ambiente de atendimento público, justamente em um local frequentado por moradores que buscam serviços de saúde, orientação e acolhimento. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Thomaz Henrique aparece recolhendo exemplares da cartilha e rasgando um dos materiais. A gravação passou a circular e gerou debate sobre a retirada de uma publicação voltada à conscientização e ao acesso à informação.
A cartilha foi produzida com o objetivo de orientar a população sobre direitos, canais de denúncia e serviços disponíveis para atendimento em casos de violência. O conteúdo aborda temas sensíveis e de grande impacto social, como feminicídio, violência doméstica e homofobia, assuntos que fazem parte da realidade enfrentada por muitas famílias e que exigem informação clara para que vítimas e pessoas próximas saibam como agir diante de situações de risco.
No final da publicação, são listados diversos canais de apoio e atendimento, entre eles a Delegacia de Defesa da Mulher, serviços de saúde e gabinetes de vereadores da cidade. Entre os nomes citados no material aparece também o gabinete do próprio Thomaz Henrique. Segundo o parlamentar, a inclusão de seu nome foi um dos motivos de sua reação. Ele afirmou que não concordou com a presença de seu gabinete na cartilha e classificou o material como “ideológico”.
A manifestação do vereador, no entanto, ocorreu em um momento de grande sensibilidade para São José dos Campos. A cartilha também foi entregue à Delegacia de Defesa da Mulher em dias marcados pela mobilização da cidade em torno do caso de estupro coletivo de uma menina de 12 anos no bairro Galo Branco, crime que causou comoção, revolta e intensificou as discussões sobre proteção, denúncia e enfrentamento à violência sexual.
Além desse caso, a cidade também foi impactada pela morte de uma motorista de ônibus encontrada sem vida nesta última segunda-feira. A ocorrência é investigada como feminicídio e reforçou o alerta sobre a violência contra mulheres no município. A sequência de episódios graves ampliou a cobrança por ações de prevenção, acolhimento e divulgação de informações que possam ajudar vítimas a buscar apoio antes que situações de violência se agravem.
Diante desse contexto, a atitude do vereador passou a ser questionada por moradores e pelas redes sociais. A principal discussão gira em torno da retirada de um material que, independentemente de divergências políticas ou discordâncias sobre seu conteúdo, tinha como finalidade apresentar canais de atendimento e orientar a população sobre formas de denunciar e enfrentar a violência. O episódio também levantou dúvidas sobre quais providências o parlamentar pretende adotar em relação aos exemplares distribuídos em outros espaços públicos, como a Delegacia de Defesa da Mulher.
O caso reacende um debate importante em São José dos Campos: até onde vai a discordância política quando o assunto envolve materiais de orientação sobre violência contra mulheres, crianças e grupos vulneráveis. Para parte da população, a divulgação de informações sobre direitos e canais de denúncia é uma ferramenta essencial para ampliar a rede de proteção. Para o vereador, a cartilha teria conteúdo ideológico e não deveria utilizar seu nome sem concordância.
A repercussão segue nas redes sociais e no cenário político municipal. Enquanto Thomaz Henrique sustenta que reagiu por discordar do material e da inclusão de seu gabinete na publicação, o episódio coloca em evidência a necessidade de discutir, com responsabilidade, como o poder público, os serviços de saúde, as delegacias especializadas e os representantes eleitos devem atuar diante de casos de violência que afetam diretamente a segurança e a vida da população.
Em meio a denúncias recentes, investigações de crimes graves e cobranças por proteção às vítimas, a cena do vereador rasgando a cartilha dentro de uma UBS se tornou mais um capítulo da tensão política e social em torno do enfrentamento à violência em São José dos Campos. O caso deve continuar repercutindo, principalmente pela gravidade dos temas abordados no material e pelo momento em que a cidade acompanha situações que reforçam a urgência de informação, prevenção e acolhimento.


