NO DIA DAS MÃES, FAMÍLIAS VIVEM A DOR DA ESPERA POR FILHOS DESAPARECIDOS NO VALE DO PARAÍBA
Enquanto muitas casas amanhecem neste Dia das Mães com café na mesa, flores, mensagens, abraços e homenagens, outras famílias vivem uma realidade marcada pela ausência, pelo silêncio do telefone e pela angústia de não saber onde estão aqueles que deveriam estar por perto. Para mães que têm filhos desaparecidos, a data não é de festa. É de procura, oração, medo e esperança. É o dia em que o coração aperta ainda mais, porque o presente mais desejado não cabe em embalagem nenhuma: é uma notícia, uma pista, uma ligação, uma confirmação de que o filho está vivo.
Em Taubaté, a líder de limpeza Marcela Laís, de 35 anos, passa o Dia das Mães em busca do filho Miguel Kauã Lourenço Alves Braga, de 19 anos, desaparecido desde terça-feira, 5 de maio. O jovem sumiu junto com o tio, Allisson Alves Braga, de 30 anos, e o amigo Rafael Vitor de Souza, de 20 anos. Os três foram vistos pela última vez no bairro Jardim Sônia Maria, nas proximidades da Escola Municipal Walther de Oliveira, e desde então a família vive uma rotina de incerteza.
A dor de Marcela é a dor de uma mãe que não consegue descansar. Ela já percorreu delegacias, procurou informações em hospitais e chegou a ir ao Instituto Médico Legal para verificar se um corpo poderia ser o do filho. O alívio veio quando soube que não era Miguel, mas a angústia permaneceu, porque a pergunta principal continuou sem resposta: onde ele está?
Segundo Marcela, o desaparecimento é totalmente incomum. Miguel mora em uma pequena casa com o tio e nunca havia ficado tanto tempo sem dar notícias. O celular está desligado, as mensagens não são respondidas e nenhum contato foi feito com a família. Em meio ao medo, a mãe segue buscando qualquer informação que possa indicar o paradeiro do filho, do tio dele e do amigo que também desapareceram.
O drama vivido por Marcela também faz a região lembrar de outro caso que marcou profundamente Cruzeiro e comoveu moradores do Vale do Paraíba: o desaparecimento de Bruna Oliveira da Silva. Mãe de duas crianças, Bruna desapareceu e deixou para trás uma família mergulhada na aflição, vivendo a mesma espera cruel que acompanha tantos casos sem resposta imediata. A história dela mobilizou amigos, parentes, autoridades e moradores, mostrando como o desaparecimento de uma pessoa não atinge apenas uma casa, mas uma cidade inteira.
Quando alguém desaparece, desaparece junto a tranquilidade da família. A rotina muda, o sono some, cada ligação assusta, cada notícia incompleta reacende o medo e cada minuto parece mais longo. Para uma mãe, a ausência de um filho é uma ferida aberta. Não saber se ele está com frio, com fome, ferido, perdido ou precisando de ajuda transforma a espera em sofrimento constante.
Neste Dia das Mães, Marcela representa muitas mulheres que não conseguem comemorar. Mães que olham para a porta esperando o filho entrar, que seguram o celular na esperança de uma chamada, que revisitam fotos, conversas antigas e lembranças tentando encontrar alguma explicação. São mães que não pedem luxo, presente ou homenagem. Pedem apenas a chance de abraçar novamente.
O caso de Miguel Kauã, Allisson Braga e Rafael Vitor reforça a importância da mobilização da população. Em situações de desaparecimento, qualquer detalhe pode ser decisivo. Uma imagem de câmera de segurança, uma informação sobre o trajeto, um relato de quem viu algo estranho ou uma denúncia anônima podem ajudar a mudar o rumo das buscas. Muitas vezes, uma pista pequena para quem informa pode ser enorme para quem procura.
A lembrança do caso Bruna, em Cruzeiro, também reforça que desaparecimentos precisam ser tratados com urgência, sensibilidade e responsabilidade. Por trás de cada nome divulgado existe uma família adoecida pela espera, uma mãe em desespero, filhos, irmãos, amigos e pessoas que não conseguem seguir a vida enquanto não encontram respostas.
Neste domingo, 10 de maio, enquanto o Dia das Mães é celebrado em milhares de lares, Marcela segue procurando. A esperança dela é simples e imensa ao mesmo tempo: reencontrar Miguel com vida. E essa esperança precisa ser compartilhada por todos que puderem ajudar.
Quem tiver informações sobre o paradeiro de Miguel Kauã Lourenço Alves Braga, Allisson Alves Braga ou Rafael Vitor de Souza pode entrar em contato com Marcela pelo telefone (12) 99166-8760 ou acionar a Polícia Militar pelo 190.

Miguel Kauã (à esq.), Allisson Braga (no alto), Bruna e Rafael Vitor estão desaparecidos

