Domingo, Maio 10, 2026
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CICLISTA MORRE DURANTE DESAFIO DE 555 KM NA SERRA DA MANTIQUEIRA E LUTO TOMA CONTA DO ESPORTE

A ciclista mineira Eliana Tamietti, de 48 anos, conhecida no meio esportivo como Lili, morreu durante uma competição de ultradistância realizada entre São Paulo e Minas Gerais. A atleta participava do Bikingman Brasil, uma prova de 555 quilômetros com largada e chegada em São José dos Campos, que atravessa cidades paulistas e mineiras em um trajeto marcado por subidas intensas, estradas de terra, trechos de asfalto e paisagens desafiadoras da Serra da Mantiqueira.

A morte aconteceu na madrugada de sábado, 9 de maio, na região de Piranguçu, no Sul de Minas. Segundo a organização do evento, ainda não há informações conclusivas sobre as circunstâncias da morte. Em nota, o Bikingman informou que Eliana recebeu atendimento rapidamente, mas não resistiu, mesmo com os esforços das equipes de resgate, ciclistas e suporte presentes na competição.

De acordo com o diretor da prova, Vinícius Martins, a atleta teria sofrido uma queda após um possível mal súbito enquanto pedalava em um trecho de estrada de terra próximo a Piranguçu. Eliana seguia acompanhada de outros três ciclistas, que haviam feito uma breve parada durante o percurso. Pouco depois, ela avançou sozinha por alguns segundos e acabou sofrendo o acidente.

O socorro foi acionado imediatamente pelos ciclistas que estavam no trajeto, com apoio da direção do evento. Equipes do Samu, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil foram mobilizadas para atender a ocorrência, mas o óbito foi constatado ainda no local. Segundo a direção da prova, Eliana não chegou a ser levada ao hospital.

Os dados de rastreamento por GPS mostram que Lili havia passado pelo ponto mais alto da prova, a 1.812 metros de altitude, no km 199 do percurso, por volta das 2h20 da madrugada. O deslocamento seguiu normalmente até aproximadamente 4h27, já no km 219, horário que coincide com o momento do socorro. A morte ocorreu pouco tempo depois de a atleta enfrentar um dos trechos mais difíceis da competição, na região da Serra de Luminosa, em estradas conhecidas por fazerem parte do Caminho da Fé.

Segundo Vinícius Martins, a perícia descartou falhas mecânicas na bicicleta e problemas na estrada como causas do acidente. Ele afirmou que o equipamento foi periciado e que não havia defeito na bicicleta nem irregularidade no trecho. O registro preliminar apontou mal súbito, queda e morte, mas a causa específica ainda segue inconclusiva. As autoridades devem apurar se Eliana morreu em razão de um problema de saúde antes da queda ou em consequência dos traumas provocados pelo acidente.

Mesmo diante da morte da ciclista, a competição não foi cancelada. A organização informou que a decisão de manter o evento foi tomada em conjunto com a família. Em nota, o Bikingman declarou que seguiria com a prova em homenagem à vontade de Lili de percorrer os caminhos da Mantiqueira.

Eliana Tamietti era uma atleta experiente e muito respeitada no ciclismo de ultradistância e gravel, modalidade disputada com bicicletas preparadas para enfrentar tanto o asfalto quanto estradas de terra. Natural de Belo Horizonte, ela já havia concluído outras edições do Bikingman em 2024, 2025 e 2026. Também havia terminado a edição Mantiqueira da prova, com 500 quilômetros e mais de 9 mil metros de altimetria acumulada, em 42 horas e 38 minutos, conquistando o terceiro lugar entre as mulheres.

A trajetória da ciclista também ultrapassava as fronteiras do Brasil. Em 2025, Eliana completou sua primeira prova internacional de ultradistância, a Across Andes, com 857 quilômetros e 12.200 metros de altimetria acumulada. Além disso, acumulava conquistas importantes no ciclismo mineiro, como o vice campeonato estadual de contra relógio individual em 2023 e o bicampeonato dos 300 km do Caminhos de Rosa, em 2023 e 2024.

Conhecida pela força, disciplina e paixão pelos desafios, Lili deixa uma marca profunda entre atletas, amigos e admiradores do ciclismo. Sua história era movida pela superação e pela coragem de enfrentar percursos extremos, noites sem dormir, montanhas, frio, cansaço e limites físicos que poucos se dispõem a encarar.

Em um depoimento divulgado no ano passado por um patrocinador, Eliana falou sobre o impacto do ciclismo em sua vida e sobre a transformação que os grandes desafios provocam na mente de quem pedala longas distâncias. Para ela, cada obstáculo vencido fazia nascer um novo sonho. A frase resume a essência de uma atleta que encontrou na bicicleta não apenas um esporte, mas uma forma intensa de viver.

A morte de Lili causou comoção no meio esportivo e deixou em luto a comunidade do ciclismo de ultradistância. Mais do que uma competidora, Eliana Tamietti era símbolo de resistência, coragem e amor pela estrada. Sua partida durante uma prova na Mantiqueira transforma o percurso em memória e faz com que cada quilômetro pedalado por ela seja lembrado como parte de uma trajetória marcada por determinação e paixão pelo esporte.

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