Quarta-feira, Maio 6, 2026
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UNESP AFASTA PROFESSORES APÓS DENÚNCIAS DE ESTUPRO, ASSÉDIO E ONDA DE PROTESTOS EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A crise envolvendo denúncias de assédio e abuso sexual dentro da Unesp de São José dos Campos ganhou novos desdobramentos nesta semana após a direção do Instituto de Ciência e Tecnologia anunciar o afastamento de dois professores citados em relatos feitos por estudantes e ex-alunos da instituição. A decisão foi tomada após a repercussão de denúncias graves que provocaram revolta no ambiente universitário e mobilizaram centenas de alunos em protestos dentro e fora do campus.

Segundo comunicado oficial divulgado pela universidade, os dois docentes ficarão afastados das atividades acadêmicas por 30 dias. O prazo poderá ser prorrogado conforme o andamento das investigações internas abertas pela instituição.

O caso ganhou enorme repercussão após a estudante de odontologia Carolina Ferreira, de 21 anos, afirmar publicamente ter sido vítima de estupro cometido por um professor da universidade em 2023, quando ela tinha apenas 18 anos. Segundo o relato da jovem, o trauma causado pela violência e pelos acontecimentos posteriores interrompeu completamente sua trajetória acadêmica.

“Eu entrei na faculdade no curso que eu sempre sonhei e lutei tanto pra conquistar. No meu primeiro ano, esse sonho foi interrompido de forma violenta: eu fui estuprada por um professor”, declarou Carolina em relato que rapidamente repercutiu entre estudantes e nas redes sociais.

Após a denúncia se tornar pública, outros relatos começaram a surgir envolvendo possíveis casos de assédio, abuso de poder e violência de gênero dentro do ambiente universitário. Segundo organizadores de uma manifestação realizada na segunda-feira, dia 4, aproximadamente 10 denúncias teriam sido relatadas por estudantes e ex-alunos da universidade.

A mobilização reuniu cerca de 200 estudantes da Unesp de São José dos Campos. Vestidos de preto em sinal de protesto e luto, os alunos se concentraram inicialmente no campus de odontologia e depois seguiram pelas ruas da região central da cidade cobrando investigação rigorosa dos casos, acolhimento às vítimas e punição aos responsáveis.

Durante o ato, diversos estudantes carregaram cartazes com frases contra assédio sexual, violência de gênero e abuso de autoridade dentro das universidades. Os protestos também levantaram discussões sobre medo, silenciamento e vulnerabilidade enfrentados por estudantes dentro do ambiente acadêmico.

Em nota oficial, a direção do ICT informou que acompanha as manifestações “com atenção e responsabilidade” e reforçou que repudia qualquer forma de assédio ou violência dentro da universidade.

A instituição também informou que, desde o dia 30 de abril, foram instaurados dois Processos de Investigação Preliminar para apurar episódios registrados oficialmente na Ouvidoria da universidade.

Segundo a Unesp, existem canais institucionais disponíveis para acolhimento, orientação e recebimento de denúncias, garantindo sigilo, imparcialidade e até anonimato às vítimas. A universidade afirmou que as denúncias podem ser feitas por meio da Ouvidoria Geral, Ouvidoria Local e diretamente à Direção da unidade.

Ainda de acordo com a nota, todos os casos formalmente registrados são apurados conforme as normas institucionais e a legislação vigente. A direção ressaltou, porém, que sem o registro oficial da denúncia a universidade fica limitada para abrir investigações formais sobre os fatos narrados.

Sobre as manifestações realizadas pelos estudantes, a Unesp declarou reconhecer o direito legítimo de mobilização e expressão dos alunos, mas pediu que os atos ocorram de forma respeitosa e pacífica.

O caso continua provocando forte repercussão em São José dos Campos e em toda a comunidade acadêmica, enquanto estudantes seguem cobrando transparência, responsabilização e medidas concretas de proteção às vítimas dentro do ambiente universitário.

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