POLÍCIA IDENTIFICA DOIS HOMENS APÓS CABRA DECAPITADA E ANIMAIS MORTOS CAUSAREM REVOLTA EM CARAGUATATUBA
Um cenário de horror encontrado em uma rua do bairro Cidade Jardim, em Caraguatatuba, provocou revolta entre moradores e mobilizou a Polícia Civil em uma investigação de maus-tratos a animais que terminou com a identificação de dois homens, de 33 e 32 anos. O caso veio à tona após populares encontrarem uma cabra decapitada e galos mortos abandonados em uma calçada próxima a uma área de mata, em uma cena que chocou quem passava pelo local.
Segundo a Polícia Civil, o episódio aconteceu no sábado, dia 25 de abril, e causou indignação principalmente porque os animais ficaram expostos em via pública, sendo vistos por adultos, idosos e até crianças da região. A ocorrência foi registrada pela Delegacia Sede de Caraguatatuba, ligada à Delegacia Seccional de São Sebastião, que passou a investigar imediatamente o caso diante da repercussão causada entre os moradores.
As imagens encontradas pelos policiais foram consideradas extremamente fortes. A cabra estava sem a cabeça e apresentava sinais evidentes de violência, enquanto galos também apareceram mortos e descartados no mesmo local. A situação gerou revolta nas redes sociais e levantou discussões sobre crueldade animal e intolerância quanto ao descarte de restos dos animais em área pública.
Durante as diligências realizadas ao longo da investigação, os policiais civis conseguiram identificar os dois suspeitos envolvidos no caso. Conforme apurado, um deles teria confessado ter realizado o sacrifício da cabra, enquanto o outro admitiu participação no descarte do corpo do animal já mutilado. O caso acabou sendo formalizado por meio de Termo Circunstanciado de Ocorrência.
O Instituto de Criminalística elaborou um laudo técnico apontando ocorrência de maus-tratos aos animais. Segundo a Polícia Civil, o documento confirmou que o método utilizado no abate foi cruel e incompatível com os parâmetros legais previstos na legislação ambiental brasileira.
As investigações apontam que a cabra teria sido submetida a decapitação seguida de um processo de sangria prolongada, permanecendo sangrando até o escoamento total do sangue. Para os investigadores, o sofrimento imposto ao animal configura crueldade evidente. Além disso, o descarte do corpo em via pública, com vísceras expostas, agravou ainda mais a situação e aumentou a indignação popular.
A Polícia Civil informou ainda que os dois investigados seriam praticantes de religião de matriz africana. No entanto, a corporação reforçou que a investigação não possui qualquer relação com perseguição religiosa ou criminalização da fé. Segundo os investigadores, o foco da responsabilização está exclusivamente no método considerado cruel utilizado contra os animais e no descarte irregular realizado em local público.
A própria Polícia Civil lembrou que o Supremo Tribunal Federal reconhece a constitucionalidade do sacrifício ritual de animais em cultos religiosos de matriz africana, garantindo a liberdade religiosa prevista na Constituição. Porém, também destacou que a decisão do STF não autoriza maus-tratos, sofrimento prolongado ou práticas consideradas cruéis contra animais.
Os dois homens deverão responder pelo crime previsto no artigo 32, parágrafo 2º, da Lei nº 9.605/1998, referente a maus-tratos a animais com agravante em razão da morte. O caso agora seguirá para análise do Poder Judiciário.
A Polícia Civil reforçou que denúncias de maus-tratos a animais podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 181. Em situações de emergência ou flagrante, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. Fotos, vídeos, localização exata e informações de testemunhas podem ajudar diretamente no andamento das investigações.


