Quarta-feira, Maio 6, 2026
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“A SUA MÃE PASSOU POR AQUI”: APÓS MATAR THALITA, EX MANDOU ÁUDIOS AO FILHO FINGINDO PREOCUPAÇÃO

A investigação sobre o brutal assassinato da motorista de ônibus Thalita de Arantes Lima, de 41 anos, ganhou novos detalhes que aumentaram ainda mais a revolta e a comoção em São José dos Campos. Segundo a Polícia Civil, horas antes do corpo da vítima ser encontrado dentro da própria residência, o ex-companheiro dela, Wesley Souza Ribeiro, de 31 anos, preso e confesso pelo feminicídio, enviou mensagens e áudios ao filho de Thalita fingindo preocupação com o desaparecimento da mulher enquanto tentava despistar a família e criar uma falsa narrativa sobre o caso.

Thalita foi encontrada morta na noite de segunda-feira, dia 4, dentro de uma casa no bairro Jardim Majestic, na região leste da cidade. O corpo estava enrolado em um cobertor, cercado por marcas de sangue e já em avançado estado de decomposição, indicando que o crime poderia ter ocorrido dias antes da localização da vítima. O laudo preliminar do Instituto Médico Legal confirmou que a motorista foi assassinada com 13 golpes de faca, reforçando a violência extrema do feminicídio.

Enquanto familiares procuravam desesperadamente por notícias de Thalita, Wesley mantinha contato com o filho da vítima através de mensagens de áudio nas quais fingia preocupação e dizia também estar tentando encontrá-la. O conteúdo das conversas passou a integrar a investigação da Polícia Civil e mostra o suspeito simulando normalidade poucas horas antes do corpo ser localizado.

Em um dos áudios enviados ao filho da vítima, Wesley afirma ter ido até a residência e tenta criar a impressão de que Thalita teria saído normalmente para trabalhar.

“Acabei de chegar aqui em casa. A sua mãe passou por aqui. Trancou a porta do quarto. Eu não estou achando a chave agora, nem para pegar minhas coisas para tomar banho”, dizia o suspeito em uma das mensagens.

Em outro trecho, ele afirma acreditar que Thalita teria ido trabalhar porque as roupas do uniforme dela haviam desaparecido do varal.

“Eu acho que ela foi trabalhar porque mexeu as roupa de uniforme dela que tava no varal. Tá tudo sem tá no varal, não tá mais lá no varal, entendeu?”, declarou Wesley tentando reforçar a falsa versão.

As mensagens chamaram atenção dos investigadores principalmente pela tentativa do suspeito em aparentar tranquilidade enquanto a vítima já estava morta dentro da residência. Em outro áudio, Wesley chega a pedir que o filho da motorista o avisasse caso recebesse qualquer notícia sobre o paradeiro da mãe.

“Aí você fica atento no celular e se ela ligar para você também, você me retorna aqui, tá?”, afirmou o investigado.

Mesmo após cometer o crime, Wesley continuou sustentando o discurso de preocupação. Em uma das gravações analisadas pela polícia, ele diz que estaria tentando contato com Thalita insistentemente.

“Pior que não. Mas ela passou lá. Só que eu já liguei um par de vezes, não aguento mais ligar. Pior que a mensagem chega, chama”, dizia o suspeito nos áudios enviados à família da vítima.

As investigações também revelaram que Thalita vinha demonstrando medo do comportamento agressivo do ex-companheiro semanas antes de ser assassinada. Em mensagens enviadas para uma amiga, a motorista relatou episódios de ameaça e afirmou que não suportava mais o relacionamento abusivo vivido com Wesley.

Em um dos relatos mais assustadores revelados pela investigação, Thalita contou que acordou durante a madrugada e encontrou Wesley segurando uma faca dentro do quarto.

“Ele falou para mim assim: ‘Toma, chama a polícia. Fala que eu tentei te matar antes que eu faça uma merda’”, escreveu a vítima para a amiga semanas antes do feminicídio.

Segundo a Polícia Civil, os relatos reforçam que Thalita vivia sob constante pressão psicológica e em um ambiente marcado por ameaças, controle e violência doméstica. A investigação aponta que o relacionamento já apresentava histórico de episódios agressivos antes do assassinato.

Wesley Souza Ribeiro foi preso na noite de terça-feira, dia 5, em Aparecida, logo após desembarcar de um ônibus vindo de Resende, no Rio de Janeiro. De acordo com o delegado Neimar Camargo Mendes, responsável pelo caso, o suspeito vinha sendo monitorado pelas equipes policiais desde que deixou o estado fluminense.

O carro de Thalita, que havia desaparecido da garagem da residência após o crime, também foi localizado em Resende por policiais civis do Rio de Janeiro, fortalecendo ainda mais os indícios levantados pelas investigações.

Inicialmente, Wesley foi preso por descumprimento de medida protetiva. Paralelamente, a Polícia Civil já havia solicitado à Justiça a prisão preventiva dele pelo crime de feminicídio, pedido que acabou sendo aceito posteriormente.

Nesta quarta-feira, dia 6, o delegado responsável pelo caso confirmou oficialmente que Wesley confessou o assassinato de Thalita durante depoimento prestado às autoridades.

O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de São José dos Campos e continua provocando forte repercussão em toda a região do Vale do Paraíba.

O espaço segue aberto para manifestação da defesa de Wesley Souza Ribeiro sobre as acusações e os fatos investigados pela Polícia Civil.

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