AGRESSÕES EM CORRIDA DE BLABLACAR TERMINAM COM PRISÃO E DANOS A VIATURA DA PM
Uma viagem que deveria terminar de forma tranquila se transformou em uma sequência de violência, pânico e destruição na noite de sexta-feira, dia 1º de maio, em São José dos Campos. Um passageiro de 23 anos foi preso em flagrante após protagonizar uma série de agressões durante uma corrida contratada pelo aplicativo BlaBlaCar. Segundo a polícia, o homem atacou o motorista, agrediu a própria namorada, danificou o carro e ainda causou estragos em uma viatura da Polícia Militar Rodoviária.
A ocorrência foi registrada na praça de pedágio do km 92,5 da Rodovia Governador Carvalho Pinto, trecho que liga cidades do Vale do Paraíba. O caso mobilizou policiais e chamou atenção pela escalada de violência dentro e fora do veículo.
Segundo informações do boletim de ocorrência, o grupo havia embarcado em Guarulhos com destino a São José dos Campos. No automóvel estavam o motorista, de 27 anos, que também é policial militar e retornava para casa após o serviço, o passageiro acusado, sua companheira de 26 anos e outro ocupante.
Durante a viagem, o homem teria apresentado comportamento alterado e sinais claros de embriaguez. Conforme os relatos, ele passou a reclamar repetidamente da duração do percurso, demonstrando irritação constante e dirigindo ofensas ao motorista.
Com o passar do trajeto, a situação dentro do carro ficou cada vez mais tensa. Segundo testemunhas, o passageiro iniciou uma discussão com a namorada e teria passado a agredi-la fisicamente com tapas nos braços e empurrões.
Ainda conforme o registro policial, ele começou a chutar insistentemente o banco do motorista enquanto o veículo seguia em movimento, colocando em risco a segurança de todos os ocupantes e aumentando a possibilidade de acidente em plena rodovia.
Diante do comportamento considerado agressivo e da ameaça à integridade dos passageiros, o motorista decidiu interromper a viagem e estacionar na praça de pedágio do km 92,5 para pedir que o homem deixasse o veículo.
No entanto, a situação saiu do controle. Segundo o boletim, o passageiro se recusou a desembarcar e precisou ser retirado à força. Logo após sair do carro, ele teria partido para cima do motorista, iniciando agressões físicas.
O homem desferiu socos contra o condutor, provocando ferimentos leves. Em seguida, ainda alterado, enrolou o relógio nos dedos e golpeou o para-brisa do Chevrolet Agile, causando danos significativos ao veículo.
A sequência de violência continuou do lado de fora do automóvel. Testemunhas relataram que a namorada tentou conter o agressor, mas acabou sendo novamente atacada. Segundo a ocorrência, ela recebeu tapas no rosto em meio à confusão.
Parte das agressões teria sido registrada pelas câmeras de monitoramento instaladas na praça de pedágio, material que poderá servir como prova durante a investigação e o processo criminal.
A Polícia Militar Rodoviária foi acionada e encontrou o suspeito ainda bastante exaltado. Durante a abordagem, ele resistiu às ordens policiais e, já colocado dentro da viatura, passou a chutar repetidamente o compartimento interno conhecido como “guarda-preso”, causando danos ao patrimônio público.
Após ser contido, o homem foi encaminhado para a Central de Polícia Judiciária de São José dos Campos, onde permaneceu preso em flagrante.
Durante interrogatório, o suspeito negou parte das agressões. Ele afirmou não ter atacado a companheira nem chutado o banco do motorista, mas admitiu ter quebrado o vidro do carro e danificado a viatura policial, alegando que agiu por raiva.
O exame de corpo de delito confirmou lesões leves no motorista do aplicativo. A companheira também passou por avaliação médica, embora o primeiro laudo não tenha apontado lesões aparentes.
Mesmo assim, segundo a polícia, as imagens das câmeras, testemunhos e demais elementos foram considerados suficientes para sustentar a prisão em flagrante.
O delegado responsável enquadrou o suspeito por diversos crimes, incluindo lesão corporal, perigo para a vida ou saúde de terceiros, dano, dano ao patrimônio público e violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha.
A vítima, motorista do aplicativo, manifestou desejo de representar criminalmente contra o agressor. Já a companheira informou não desejar medidas protetivas, embora esse posicionamento não impeça o andamento da investigação.
O caso seguirá para audiência de custódia, quando a Justiça deverá decidir se o suspeito continuará preso ou responderá ao processo em liberdade.
A ocorrência chama atenção pela violência desencadeada dentro de um serviço de transporte compartilhado, transformando uma viagem comum em uma sequência de agressões que terminou em prisão e prejuízo material.


