FREI GILSON NO CENTRO DA POLÊMICA: DECLARAÇÕES SOBRE MULHERES, GAYS, ABORTO E RACISMO DIVIDEM A INTERNET
O nome do sacerdote católico Frei Gilson voltou ao centro das discussões nas redes sociais após declarações sobre o papel da mulher dentro da família provocarem forte repercussão. Dono de uma legião de seguidores e conhecido por arrastar multidões em transmissões religiosas e eventos de oração, o religioso passou a ser alvo de críticas por falas consideradas conservadoras e controversas.
O debate ganhou força depois que vídeos de pregações começaram a circular na internet, mostrando Frei Gilson defendendo a liderança masculina dentro do lar e associando o empoderamento feminino a uma ideologia moderna. Em um dos trechos mais compartilhados, o frei afirma que “Deus deu ao homem a liderança” e que o homem seria o “chefe do lar”. Para ele, a mulher teria sido criada para auxiliar o homem, utilizando interpretações bíblicas como base para sustentar a fala.
As declarações rapidamente provocaram reações de figuras públicas e milhares de internautas. A senadora Soraya Thronicke criticou duramente o religioso, classificando suas falas como misóginas e afirmando que líderes religiosos não deveriam usar a fé para reforçar ideias que, segundo ela, limitam conquistas sociais e a independência feminina. Outras personalidades também se manifestaram, entre elas a jornalista Rachel Sheherazade e a deputada federal Tábata Amaral.
Além da polêmica envolvendo mulheres, Frei Gilson já protagonizou debates por declarações sobre temas como aborto, relações homoafetivas, racismo e política. Em outras pregações que repercutiram nos últimos anos, o religioso reforçou posicionamentos alinhados à doutrina católica conservadora.
Ao comentar temas ligados à sexualidade, Frei Gilson afirmou que cristãos deveriam seguir apenas os ensinamentos da Igreja Católica e da Bíblia. Em uma de suas falas mais compartilhadas, defendeu que relações homoafetivas não estariam de acordo com os ensinamentos religiosos, assim como o uso de anticoncepcionais e relações sexuais antes do casamento.
Em outra ocasião, o sacerdote também chamou atenção ao criticar o que definiu como uma “geração do mimimi”. Em um vídeo que voltou a circular nas redes, ele cita o apelido carinhoso dado a uma mulher chamada de “Pretinha” para afirmar que a sociedade estaria excessivamente sensível a debates sobre preconceito e racismo. A declaração foi vista por muitos usuários como uma minimização do problema racial e provocou reações indignadas.
Questões políticas também já apareceram em transmissões do religioso. Durante uma oração realizada ao lado de outro frei, Frei Gilson fez um apelo pedindo que o Brasil fosse livre do “flagelo do comunismo”, o que gerou críticas de pessoas que acusaram o sacerdote de misturar religião com posicionamento ideológico.
Em temas ligados à vida e à morte, o religioso também mantém posicionamentos firmes. Em suas pregações, declarou ser contrário ao aborto e à morte assistida, defendendo que o ser humano não teria poder para decidir quem nasce ou quem morre. Segundo ele, a vida estaria exclusivamente nas mãos de Deus.
As reações às falas se multiplicaram nas redes sociais. Internautas classificaram os discursos como ultrapassados, preconceituosos e incompatíveis com debates atuais sobre igualdade e direitos humanos. Outros, no entanto, saíram em defesa do religioso, afirmando que ele apenas reproduz ensinamentos tradicionais da Igreja Católica.
Apesar das críticas, Frei Gilson continua sendo um dos maiores nomes da internet religiosa no Brasil. Suas transmissões ao vivo reúnem milhões de pessoas, especialmente durante períodos religiosos, e seus conteúdos alcançam números expressivos nas plataformas digitais.
Frei Gilson, cujo nome de batismo é Gilson da Silva Pupo Azevedo, nasceu em São Paulo e foi ordenado sacerdote em 2013. Integrante do Instituto dos Freis Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, ganhou notoriedade não apenas pela atuação religiosa, mas também pela música e pelas transmissões de oração realizadas nas madrugadas.
Entre apoiadores e críticos, o religioso segue ocupando espaço nas discussões públicas, demonstrando como fé, política, costumes e redes sociais podem se misturar em debates que mobilizam opiniões e dividem o público.


