Quinta-feira, Abril 23, 2026
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EX COMPANHEIRO É CONDENADO A 60 ANOS DE PRISÃO POR MATAR MULHER COM 11 FACADAS EM MINAS GERAIS

Quase um ano após um crime que abalou moradores de Campo Belo, no Sul de Minas Gerais, a Justiça condenou Maurício Júnior Valadão, de 28 anos, a 60 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da ex companheira, Carla Alves Pardinho, de 30 anos. O julgamento aconteceu na quinta feira, dia 23 de abril, no Fórum da cidade, e encerrou uma etapa importante de um caso que ganhou grande repercussão pela violência empregada e pelo histórico de ameaças anteriores relatadas pela vítima.

A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri, presidido pela juíza Maiara Nuernberg Philippi. Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras previstas no artigo que trata do feminicídio, entendendo que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica, com extrema crueldade e impossibilidade de defesa por parte da vítima. O processo segue sob segredo de Justiça, o que limita a divulgação de detalhes específicos dos autos.

Maurício Júnior Valadão permanece preso desde o dia do crime, ocorrido em julho de 2025, e está custodiado no Presídio de Campo Belo. Com a condenação definida pelo júri, ele continuará cumprindo pena em regime fechado. A sentença não incluiu aplicação de multa, mas confirmou a responsabilização criminal máxima dentro das circunstâncias avaliadas.

O crime aconteceu no bairro Vila São Jorge e causou forte comoção na cidade. Segundo relatos apresentados durante a investigação, moradores ouviram gritos vindos da residência e presenciaram momentos de desespero antes da chegada do socorro. Carla foi encontrada gravemente ferida após ser atacada pelo ex companheiro com golpes de faca.

Equipes do SAMU e do Corpo de Bombeiros chegaram a prestar atendimento emergencial à vítima. Ela ainda foi socorrida com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Conforme apontou a perícia da Polícia Civil, Carla sofreu 11 facadas, sendo oito na região do pescoço e três nas costas. A quantidade e localização dos golpes reforçaram a tese de feminicídio qualificado, diante da brutalidade empregada.

As investigações revelaram que Carla havia procurado ajuda pouco antes do assassinato. Segundo a Polícia Civil, ela registrou boletim de ocorrência por ameaças e perseguições após o término do relacionamento. Na ocasião, medidas protetivas foram concedidas pela Justiça para impedir aproximação do agressor. No entanto, dias antes do crime, a própria vítima solicitou a retirada das medidas.

A condenação reacendeu discussões sobre a violência contra a mulher e os riscos enfrentados por vítimas em relações abusivas. O caso passou a ser lembrado como um alerta sobre a importância da manutenção das medidas de proteção e do acompanhamento em situações de ameaça, especialmente quando há histórico de perseguição e agressividade.

A sentença encerra a fase de julgamento, mas deixa marcada uma tragédia que terminou com a morte de uma jovem de 30 anos e com uma condenação considerada severa pela Justiça mineira.

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