A CADA 19 HORAS, UM PRESO MORRE EM SP E RELATÓRIO EXPÕE COLAPSO NA SAÚDE DOS PRESÍDIOS PAULISTAS
Um levantamento divulgado na quarta-feira, dia 22, revelou um cenário alarmante dentro do sistema penitenciário de São Paulo. Segundo relatório elaborado por entidades de direitos humanos e pesquisadores, uma pessoa privada de liberdade morre, em média, a cada 19 horas nos presídios paulistas. O estudo aponta falhas estruturais graves, falta de atendimento médico, superlotação e dificuldades de acesso à saúde dentro das unidades prisionais.
Os dados analisam o período entre 2015 e 2023 e mostram que 4.189 presos morreram no sistema penitenciário estadual nesse intervalo. O relatório destaca que grande parte dessas mortes está relacionada a doenças que poderiam ser tratadas ou controladas com acompanhamento adequado, atendimento contínuo e melhores condições de permanência nas unidades.
Entre os principais problemas identificados está a ausência de equipes de saúde. Das 180 unidades prisionais existentes no estado, 78 não possuem profissionais vinculados ao Sistema Único de Saúde, dificultando consultas, exames, diagnósticos e tratamentos especializados.
Além da carência de médicos, enfermeiros e especialistas, o relatório também chama atenção para a dificuldade de deslocamento de presos até hospitais externos. Entre janeiro e setembro de 2025, quase 17 mil atendimentos médicos deixaram de acontecer por falta de escolta policial. A suspensão atingiu consultas, exames laboratoriais, cirurgias, tratamentos e procedimentos considerados urgentes.
Com mais de 200 mil pessoas presas, São Paulo possui uma das maiores populações carcerárias do Brasil. Em diversas unidades, a quantidade de detentos ultrapassa a capacidade oficial, criando ambientes marcados por superlotação, ventilação insuficiente, umidade, higiene precária e maior risco de propagação de doenças.
A Penitenciária de Parelheiros, na Zona Sul da capital, foi citada como exemplo crítico no levantamento. A unidade abriga mais de 1.700 presos e opera com aproximadamente 180% da capacidade. Segundo o relatório, o local não possui atendimento permanente de médico, enfermeiro, psicólogo ou dentista.
Especialistas afirmam que doenças consideradas controláveis acabam evoluindo para quadros graves dentro das prisões. Tuberculose, complicações relacionadas ao diabetes, infecções respiratórias, doenças de pele e problemas crônicos aparecem entre as principais causas associadas às mortes.
Inspeções recentes também identificaram situações envolvendo presos doentes e pessoas com deficiência vivendo em celas superlotadas, sem água quente, iluminação adequada e acesso rápido a medicamentos. Há relatos de demora na entrega de remédios contínuos, inclusive para pacientes com doenças graves e tratamentos permanentes.
Representantes de entidades ligadas aos direitos humanos classificam o cenário como preocupante e afirmam que o sistema prisional enfrenta um colapso estrutural. Segundo especialistas, sem investimento em saúde, ampliação de equipes e melhorias nas condições físicas das unidades, a tendência é de agravamento dos indicadores.
Em resposta, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que mantém equipes de saúde próprias ou conveniadas, além de oferecer atendimento médico presencial e remoto. A pasta também destacou campanhas de prevenção, programas de combate à tuberculose e abertura de concurso para reforço do efetivo penitenciário.
O relatório será encaminhado ao Ministério Público de São Paulo e à Secretaria da Administração Penitenciária. A expectativa é que o documento pressione por medidas práticas e mudanças estruturais que reduzam o número de mortes e ampliem o acesso à saúde dentro dos presídios paulistas.


