Terça-feira, Abril 14, 2026
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Pais de Jacareí protestam contra exames nus em alunos de escola municipal

Famílias de estudantes da Escola Municipal Sílvio Silveira Mello Filho, em Jacareí (SP), expressaram revolta com atendimentos médicos preventivos que envolveram a remoção de roupas das crianças, algo não previsto no comunicado oficial da escola.

O incidente aconteceu em 8 de abril, no Complexo Educacional Paulo Freire, durante ações do programa “Saúde Nota Dez”, parceria entre as secretarias de Saúde e Educação da cidade. Alunos do 1º ano do fundamental foram levados ao local para avaliações médicas.

Uma mãe de uma menina de 6 anos relatou que a escola solicitou permissão apenas para o deslocamento, sem mencionar a necessidade de despir as crianças. O bilhete da gestão escolar garantia explicitamente que não haveria “exames com retirada de roupas, administração de vermífugo ou aplicação de vacinas”.

Relatos das famílias

Apesar disso, as crianças precisaram se despir para exames, incluindo inspeções dermatológicas. “Minha filha contou que os colegas ficaram só de roupa íntima, em grupos de até quatro ou sozinhas com a enfermeira. Algumas nem tiraram, mas outras sim”, descreveu a mãe.

Ela questionou: “Crianças voltaram com uniformes trocados, o que indica que não foi em local individual e reservado, como alegam. Meninas de calcinha e sutiã, meninos de cueca – um deles sem nada. Onde estava a autorização para isso?”

Outras mães confirmaram: meninos e meninas atendidos juntos em salas, sem professores ou responsáveis presentes, apenas com profissionais de saúde desconhecidos. “Nunca autorizaram tirar a roupa. Se avisassem, teríamos vestido camadas extras para proteger”, disse uma. Outra acrescentou: “O bilhete prometia acompanhamento constante, mas minha sobrinha ficou só de calcinha com uma médica sozinha na sala. O que garante o que rolou ali?”

As famílias criticam a falta de aviso tanto da escola quanto da Secretaria, apontando falha na comunicação.

Resposta da prefeitura

A Prefeitura de Jacareí explicou que o “Saúde Nota Dez”, ativo há 13 anos, visa detectar e prevenir doenças em alunos da rede municipal, com sucessos em tratamentos. O circuito de salas inclui avaliações por profissionais de saúde, e a remoção do uniforme é essencial para exames dermatológicos e clínicos.

“Atenção ocorre de forma reservada, com separação por gênero e supervisão profissional, sem alterações em relação a edições anteriores”, informou. A administração admitiu “ruído de comunicação” no bilhete escolar e realizou reunião na escola no dia 13 para esclarecimentos. Para futuras edições, haverá pedido explícito de autorização por etapa.

Por fim, alertou que “informações falsas sobre o programa podem causar prejuízos graves, com casos monitorados pela Procuradoria Municipal”.

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