TRAGÉDIA NO CONGADO: Morte brutal de ‘Mãe Divina’ comove Poços de Caldas e expõe sequência alarmante de atropelamentos
A despedida de uma das figuras mais emblemáticas da cultura popular de Poços de Caldas foi marcada por comoção, tristeza e revolta. O corpo de Divina Aparecida Peregrino, conhecida como Mãe Divina, de 68 anos, foi sepultado na tarde desta segunda-feira (23), após dias de luta pela vida em um leito de UTI. Símbolo do congado na cidade, ela era bandeireira do tradicional Terno de Congo São Jerônimo e Santa Bárbara, onde construiu uma trajetória de respeito, fé e dedicação às manifestações culturais.
Mãe Divina não resistiu aos graves ferimentos causados por um atropelamento ocorrido na última quarta-feira (18), na Rua Coronel Virgílio Silva, na Zona Leste do município. Desde então, permanecia internada na Santa Casa, mas seu estado de saúde se agravou, culminando em sua morte na madrugada de sábado (21).
De acordo com informações apuradas junto à Polícia Militar, o atropelamento foi provocado por um motociclista de 21 anos, que conduzia o veículo sem possuir habilitação. Após atingir a idosa, o jovem fugiu do local sem prestar socorro, agravando ainda mais a gravidade da ocorrência.
A sequência dos fatos, no entanto, ganhou contornos ainda mais dramáticos minutos depois. Ainda na mesma via, o motociclista perdeu o controle da direção, invadiu a contramão e colidiu violentamente contra um poste e a grade de uma residência. O Samu foi acionado, mas o condutor, identificado como Leonardo André de Oliveira, não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Em nota oficial, a Prefeitura de Poços de Caldas lamentou profundamente a morte de Mãe Divina, destacando sua importância para o fortalecimento do congado e para a preservação das tradições culturais do município. Sua partida representa uma perda irreparável para a comunidade, que agora se despede de uma mulher que dedicou a vida à cultura, à fé e à identidade popular.
O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade, reunindo familiares, amigos e integrantes do congado, todos impactados pela tragédia que interrompeu de forma abrupta uma história marcada por devoção e representatividade.
O caso acende um alerta preocupante. Somente neste mês, Poços de Caldas já registrou três atropelamentos envolvendo idosos, evidenciando um cenário de insegurança nas vias da cidade. Em outro episódio recente, Márcio Lino Pereira, de 62 anos, segue internado em estado grave após ser atropelado na Rua Marechal Deodoro.
Segundo a Polícia Militar, antes desse atropelamento houve uma série de agressões nas proximidades do Mercado Municipal. Após o ataque, os suspeitos fugiram em um veículo e, durante a fuga, acabaram atingindo a vítima. Até o momento, ninguém foi preso.
Já no dia 12 de março, uma mulher de 75 anos também foi vítima de atropelamento na região central da cidade, em frente ao terminal de linhas urbanas. O motorista, de 23 anos, relatou que a idosa estava na faixa de pedestres, mas o semáforo estava aberto para os veículos. Ele afirmou que tentou desviar, porém não conseguiu evitar o impacto. Diferente dos outros casos, ele permaneceu no local e prestou socorro.
A sequência de ocorrências reforça a necessidade urgente de medidas mais eficazes de segurança no trânsito, especialmente para proteger a população idosa, que tem sido, de forma recorrente, vítima de episódios que poderiam ser evitados. Enquanto isso, Poços de Caldas chora a perda de Mãe Divina, não apenas uma vítima, mas um verdadeiro patrimônio cultural da cidade.

