ATAQUES QUE CHOCAM O VALE: cinco pessoas feridas, uma morte brutal e a responsabilidade que recai sobre os donos
A sequência de ataques envolvendo cães da raça pitbull no Vale do Paraíba e no Litoral Norte expôs não apenas a violência dos episódios, mas principalmente a irresponsabilidade de tutores que falham em manter seus animais sob controle. Em menos de quinze dias, cinco pessoas foram atacadas. Uma delas morreu.
O caso mais grave ocorreu em São José dos Campos e terminou na morte da idosa Marlene Ferreira Leite, de 69 anos. Ela caminhava pela rua quando foi surpreendida por dois pitbulls soltos. O ataque foi devastador. Marlene sofreu ferimentos gravíssimos, teve os braços e uma das pernas amputados em decorrência das lesões e foi socorrida em estado crítico. Não resistiu. O óbito foi confirmado na manhã de terça-feira (24/2).
O tutor dos animais será indiciado por homicídio doloso. Inicialmente registrado como lesão corporal gravíssima, o caso foi reclassificado após a morte da vítima. No boletim de ocorrência, a autoridade policial foi clara ao afirmar que o responsável assumiu o risco de produzir a morte da vítima ao deixar de adotar as devidas cautelas necessárias para manter os animais sob controle. A investigação aponta falha direta na guarda dos cães.
Antes da tragédia, outro ataque já havia gerado revolta. No bairro Jardim Limoeiro, também em São José dos Campos, um pitbull abandonado atacou duas moradoras. Uma delas foi mordida na perna enquanto caminhava pela rua. O Samu foi acionado e a vítima encaminhada a atendimento médico. O animal foi recolhido pelo Centro de Controle de Zoonoses. Mais uma vez, o pano de fundo é abandono e ausência de responsabilidade.
No litoral, em Caraguatatuba, a violência se repetiu. Durante um passeio na Praia das Palmeiras, um casal foi atacado quando um pitbull conseguiu escapar de uma residência na avenida Giuseppe Carmino Aulicino. Segundo o boletim de ocorrência, o animal teria saído por um vão existente na parte inferior do portão.
O primeiro alvo foi um Shih tzu do casal, que morreu no local. O pitbull ainda feriu um Yorkshire e um Pastor Alemão. Ao tentar separar os animais, o homem, de 56 anos, e a mulher, de 47, também foram mordidos. Ela sofreu fratura em um dos dedos da mão e precisou de sutura, sendo transferida para o Hospital Stella Maris. O homem também teve lesão na mão. Ambos caíram ao solo durante a tentativa desesperada de conter o ataque.
Os casos reacenderam o debate público. Especialistas e autoridades reforçam que, na maioria das ocorrências, o problema não está apenas na raça, mas na negligência dos donos, com portões inseguros, falta de contenção adequada, ausência de treinamento, abandono e descuido com normas básicas de segurança. Cães de grande porte exigem responsabilidade proporcional ao seu potencial físico.
Diante da sequência de episódios, vereadores do Vale do Paraíba discutem propostas para endurecer a legislação e ampliar a fiscalização. A pressão cresce, e a cobrança também aumenta. Mais do que apontar a raça, a sociedade começa a mirar no elo mais frágil dessa corrente, o tutor que não cumpre seu dever.


