Quarta-feira, Outubro 28, 2026
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DE BARTENDER A CAMPEÃO: FABRÍCIO BAKAI SUPERA DIFICULDADES, CONQUISTA R$ 500 MIL NO JUNGLE FIGHT E QUER REALIZAR O SONHO DE REUNIR A FAMÍLIA


Depois de anos conciliando o trabalho como bartender com uma rotina intensa de treinamentos, o lutador Fabrício Bakai, de 37 anos, conquistou o maior prêmio de sua carreira no MMA. Natural de Teresina, no Piauí, e morador de Varginha, no Sul de Minas Gerais, desde 2017, o atleta sagrou-se campeão dos meio-médios do Jungle Fight e faturou R$ 500 mil ao vencer a decisão da chamada Luta do Milhão. A conquista aconteceu no sábado (24), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e marcou uma trajetória de superação que incluiu dificuldades financeiras, perdas familiares e momentos em que o lutador chegou a considerar abandonar o esporte. Agora, com o cinturão conquistado, Bakai pretende realizar dois sonhos: comprar a casa própria e trazer a filha para morar mais perto dele.

A trajetória do campeão começou a ganhar novos rumos há nove anos, quando ele deixou Teresina e se mudou para Varginha para participar de uma seletiva de atletas. A oportunidade surgiu na equipe Ribas Family, comandada pelo treinador Marcelo Ribas, que se tornou uma das principais referências de sua carreira. O que inicialmente seria uma oportunidade de demonstrar suas habilidades acabou transformando sua vida. Fabrício permaneceu no município mineiro, passou a integrar a equipe e iniciou uma longa caminhada em busca de espaço entre os principais competidores do MMA nacional.

Entretanto, a permanência em Varginha exigiu muito mais do que dedicação aos treinamentos. Sem depender exclusivamente dos recursos obtidos nas competições, Bakai precisou trabalhar para custear suas despesas e continuar investindo na carreira esportiva. Durante esse período, atuou como bartender em um restaurante localizado em um shopping da cidade, dividindo seus dias entre o emprego e a preparação física. A rotina exigia disciplina para manter os treinamentos e cumprir as responsabilidades profissionais, enquanto buscava oportunidades de competir em eventos de maior expressão.

Ao recordar os primeiros anos no Sul de Minas, o lutador destacou o papel desempenhado por Marcelo Ribas, responsável por lhe oferecer uma oportunidade na equipe e acompanhar seu desenvolvimento. A parceria construída ao longo de aproximadamente nove anos foi fundamental para a evolução técnica de Bakai, que passou a disputar competições nacionais e internacionais. O atleta também reconheceu o apoio recebido de pessoas que contribuíram para sua permanência em Varginha durante os períodos mais difíceis da carreira.

A caminhada até o cinturão também foi marcada por perdas pessoais. Entre 2021 e 2022, Fabrício enfrentou a morte do pai e do avô, acontecimentos que afetaram sua motivação e o fizeram considerar a possibilidade de abandonar o MMA. Diante das dificuldades emocionais, o incentivo do treinador e das pessoas próximas foi importante para que ele continuasse no esporte. Anos depois, a conquista da Luta do Milhão passou a representar não apenas um resultado esportivo, mas também a realização de um objetivo perseguido durante um período marcado por desafios.

A participação no torneio que distribuiria R$ 1 milhão em premiações aconteceu de maneira inesperada. Bakai tinha uma luta programada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, quando recebeu um convite do organizador do Jungle Fight, Wallid Ismail, por intermédio de Marcelo Ribas. A oportunidade surgiu com aproximadamente três dias de antecedência, após a necessidade de substituição de um participante. Mesmo com pouco tempo para decidir, o lutador aceitou o desafio e abriu mão do compromisso internacional para disputar a competição no Brasil.

O primeiro passo na caminhada pelo prêmio aconteceu em abril, quando Fabrício enfrentou Martin Farley nas quartas de final e venceu por decisão unânime dos jurados. O resultado garantiu sua classificação para a semifinal, disputada em junho, na Farma Conde Arena, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Na ocasião, o atleta derrotou Matheus Araújo, conhecido como Matheus The Monster, por nocaute no primeiro round, assegurando sua presença na decisão do torneio.

A grande final aconteceu no sábado (24), durante o Jungle Fight 156, no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista. Do outro lado estava Ernane Pimenta, adversário que chegava ao confronto embalado por uma sequência de nove vitórias consecutivas por nocaute. O combate reunia dois atletas em busca do cinturão da categoria até 77 quilos e do prêmio de R$ 500 mil, considerado um dos principais incentivos financeiros oferecidos pelo evento.

Durante o primeiro round, Fabrício conseguiu desenvolver parte de sua estratégia e trabalhar posições de controle sobre o adversário. No início do segundo assalto, entretanto, a disputa teve um desfecho inesperado. Ernane sofreu uma lesão no joelho direito durante uma movimentação próxima à grade e não conseguiu continuar. A interrupção aconteceu aos 30 segundos do segundo round, garantindo a vitória de Bakai por desistência decorrente da lesão do adversário. Ernane precisou deixar a área de combate em uma maca, com a perna enfaixada.

Com o resultado, Fabrício conquistou o cinturão dos meio-médios e recebeu a premiação de R$ 500 mil. A vitória também ampliou sua sequência de invencibilidade para dez lutas. Conforme os números divulgados após o evento, o atleta passou a acumular 27 vitórias, oito derrotas e um empate em sua carreira profissional. O título representou o maior resultado alcançado desde sua mudança para Varginha e consolidou a trajetória construída ao lado da equipe Ribas Family.

Apesar da importância do cinturão, o campeão revelou que parte de seus maiores objetivos está fora do octógono. Depois de anos trabalhando e treinando para se manter no esporte, Fabrício pretende utilizar a premiação para conquistar a casa própria e aproximar a família. Um de seus principais desejos é trazer a filha para morar mais perto, permitindo uma convivência familiar maior após o período dedicado à construção da carreira.

O Jungle Fight 156 também teve uma decisão feminina com premiação de R$ 500 mil. Nágila Goku conquistou o título ao derrotar Bianca Sattelmayer por nocaute técnico, completando a distribuição de R$ 1 milhão entre os campeões das duas categorias. O evento ainda contou com uma campanha de arrecadação que reuniu mais de cinco toneladas de alimentos e mais de uma tonelada de ração destinadas a ações sociais e abrigos de animais.

Para Fabrício Bakai, a conquista encerrou uma etapa iniciada em 2017, quando deixou o Piauí em busca de uma oportunidade em Varginha. Depois de trabalhar como bartender, enfrentar dificuldades financeiras, superar perdas familiares e conquistar vitórias importantes, o lutador chegou ao cinturão do Jungle Fight e ao prêmio de R$ 500 mil. Agora, seus planos incluem a continuidade da carreira no MMA e a realização dos objetivos familiares que pretende concretizar com a premiação.

Fabrício Bakai recebe o cinturão do Fight do Milhão, no Jungle Fight — Foto: Divulgação

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