RADICADO EM LORENA HÁ QUASE 40 ANOS, ESCRITOR INDÍGENA DANIEL MUNDURUKU PARTICIPA DE ENCONTRO LITERÁRIO GRATUITO NO VALE DO PARAÍBA
Um dos principais nomes da literatura indígena brasileira, o escritor, educador e pesquisador Daniel Munduruku, de 62 anos, que reside em Lorena há quase quatro décadas, será o protagonista de um encontro literário gratuito nesta sexta-feira (23), em São José dos Campos. A atividade está marcada para as 19h, no Museu Municipal, localizado na Praça Afonso Pena, no Centro da cidade, e integra o projeto São José, Cidade Leitora, promovido pela Academia Joseense de Letras. Reconhecido nacional e internacionalmente por suas obras dedicadas à cultura e à memória dos povos originários, o escritor mantém uma trajetória diretamente ligada ao Vale do Paraíba, especialmente à cidade de Lorena, onde construiu parte importante de sua carreira acadêmica, literária e cultural.
Embora tenha nascido em Belém, no Pará, em 28 de fevereiro de 1964, Daniel Munduruku estabeleceu residência em Lorena em 1987, quando se mudou para o interior paulista em busca de formação acadêmica. Na cidade, estudou Filosofia na instituição salesiana que posteriormente passou a integrar o Centro Universitário Salesiano de São Paulo, concluindo a graduação em 1989. Sua trajetória educacional também inclui formação em História e Psicologia, doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e estudos de pós-doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A relação com Lorena ultrapassou a formação universitária e se consolidou ao longo dos anos, tornando o município uma referência importante em sua vida pessoal e profissional.
Pertencente ao povo indígena Munduruku, Daniel construiu uma carreira dedicada à valorização das tradições, dos conhecimentos ancestrais e das diferentes formas de expressão dos povos indígenas brasileiros. Sua produção literária começou em 1996, com o lançamento do livro Histórias de Índio, obra que abriu caminho para uma trajetória marcada pela publicação de dezenas de títulos destinados a crianças, adolescentes, educadores e leitores adultos. Entre seus trabalhos conhecidos está Meu vô Apolinário: Um mergulho no rio da (minha) memória, no qual recupera experiências da infância e ensinamentos transmitidos pelo avô, abordando a relação entre memória, identidade e pertencimento cultural.
Ao longo de aproximadamente três décadas de atividade literária, o escritor conquistou reconhecimentos importantes, incluindo o Prêmio Jabuti, o Prêmio da Academia Brasileira de Letras de melhor livro infantil, o Prêmio Érico Vanucci Mendes, concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e o Prêmio UNESCO-Madanjeet Singh para a Promoção da Tolerância e da Não Violência. Também recebeu a Ordem do Mérito Cultural, tendo sido homenageado na categoria Grã-Cruz em 2013. Suas publicações são utilizadas em atividades educacionais e contribuem para ampliar o conhecimento sobre a história, as tradições e as experiências contemporâneas dos povos indígenas.
A ligação com Lorena também está presente em sua participação nas instituições culturais da cidade. Daniel Munduruku é membro fundador da Academia de Letras de Lorena e diretor-presidente do Instituto Uk’a, Casa dos Saberes Ancestrais, organização voltada à valorização da cultura indígena por meio da educação, da literatura e da produção editorial. O trabalho desenvolvido pelo instituto contribui para a circulação de obras de autores indígenas e para a preservação de conhecimentos transmitidos entre gerações. Além dessas atividades, o escritor participa de encontros literários, conferências, projetos educacionais e iniciativas de formação cultural em diferentes regiões brasileiras e no exterior.
Outro reconhecimento importante aconteceu em 2025, quando Daniel Munduruku foi eleito para a Academia Paulista de Letras, passando a ocupar a cadeira número 21 da instituição. A eleição ocorreu em setembro daquele ano e representou um novo capítulo de sua trajetória no meio literário. Sua presença na academia se soma aos trabalhos desenvolvidos em Lorena e às atividades realizadas em universidades, escolas e instituições culturais. Daniel também ampliou sua atuação artística ao participar da novela Terra e Paixão, exibida pela TV Globo entre 2023 e 2024, na qual interpretou o pajé Jurecê.
No encontro desta sexta-feira em São José dos Campos, o escritor compartilhará experiências de sua trajetória pessoal e profissional, abordando assuntos relacionados à ancestralidade, à identidade, à educação e à literatura indígena. A programação prevê uma conversa com o público sobre o papel das narrativas na preservação da memória coletiva e na transmissão de conhecimentos entre gerações. A proposta é aproximar os participantes das diferentes formas de compreender e transmitir histórias, especialmente aquelas relacionadas às experiências dos povos originários do Brasil.
A atividade faz parte do projeto São José, Cidade Leitora, iniciativa da Academia Joseense de Letras que busca incentivar a leitura e promover o contato direto entre escritores e a população. O encontro conta com apoio cultural da Fundação Cultural Cassiano Ricardo e integra uma programação voltada à valorização da literatura, da memória e da diversidade cultural. A participação é aberta a estudantes, professores, pesquisadores, escritores e demais interessados, sem necessidade de inscrição antecipada.
O evento será realizado às 19h, no Museu Municipal de São José dos Campos, situado na Praça Afonso Pena, sem número, na região central do município. A entrada é gratuita, e os participantes poderão acompanhar a conversa com Daniel Munduruku e conhecer mais sobre sua produção literária. Para o público de Lorena e das demais cidades do Vale do Paraíba, a programação também representa uma oportunidade de acompanhar o trabalho de um escritor que, embora nascido no Norte do país, mantém residência e uma longa trajetória cultural na região desde 1987.

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