Sexta-feira, Outubro 23, 2026
Capa

EMPRESÁRIO DEIXA PRESÍDIO NO VALE DO PARAÍBA, PASSA A SER ACUSADO DE TORTURA CONTRA EX-MULHER E PODE VOLTAR À PRISÃO


O empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, que estava preso preventivamente na Penitenciária de Potim, no Vale do Paraíba, voltou ao centro de uma disputa judicial após conquistar a liberdade, depois de 67 dias de prisão. Acusado de agredir e ameaçar a ex-mulher, a cirurgiã-dentista Giullia Falcão, de 27 anos, ele deixou a unidade prisional na quarta-feira (21), mas, já na quinta-feira (22), o Ministério Público de São Paulo apresentou um recurso para tentar reverter a decisão. Além das acusações de lesão corporal e ameaça, o empresário também passou a responder a uma acusação de tortura, ampliando a gravidade das denúncias relacionadas ao episódio de violência doméstica ocorrido na capital paulista.

A prisão preventiva havia sido decretada após uma ocorrência registrada no dia 14 de agosto, no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Segundo o relato apresentado pela vítima à polícia, as agressões começaram depois de um jantar do casal com dois clientes do empresário. Durante o trajeto de volta para casa, uma discussão teria terminado em violência dentro do automóvel, quando Kos teria desferido socos contra a então esposa. Parte da ocorrência foi registrada por câmeras de segurança, e Giullia apresentou ferimentos graves no rosto. As imagens e os depoimentos passaram a integrar a investigação que resultou na prisão do empresário e na concessão de medidas protetivas de urgência em favor da cirurgiã-dentista.

De acordo com o depoimento de Giullia, a violência não terminou quando os dois chegaram à residência. A mulher afirmou que, depois de se recusar a entrar no imóvel, teria sido puxada pelo marido com o auxílio de um segurança que trabalhava na rua. Dentro da casa, segundo a denúncia, as agressões continuaram, incluindo golpes com um taco de beisebol que teriam atingido sua mão. A vítima também relatou ameaças envolvendo um dispositivo de choque elétrico e afirmou que o empresário teria tomado seu telefone celular e ameaçado matá-la caso tentasse sair para a rua. O Ministério Público passou a examinar a participação de outras pessoas no episódio, incluindo a conduta do segurança apontado como participante da ação.

Com o avanço das investigações, a Promotoria ampliou as acusações contra Ivo Kos, incluindo o crime de tortura. O segurança que teria auxiliado o empresário a conduzir a vítima para o interior da residência também foi denunciado, enquanto a atuação de outros profissionais que teriam presenciado os acontecimentos passou a ser investigada. As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda dependem de análise judicial e não representam condenação definitiva. Em sua versão dos acontecimentos, o empresário negou ter utilizado um taco de beisebol ou um aparelho de choque elétrico contra a ex-mulher. Entretanto, admitiu ter desferido um soco no rosto de Giullia quando estavam na calçada, alegando que teria reagido a agressões que estaria sofrendo.

Durante o período em que o empresário permaneceu preso no Vale do Paraíba, Giullia concedeu entrevistas nas quais relatou outros episódios de violência que afirma ter sofrido ao longo do relacionamento, inclusive durante viagens internacionais. Em setembro, a cirurgiã-dentista chegou a defender publicamente a manutenção da prisão do então marido, afirmando considerar a medida necessária para recuperar sua tranquilidade. Posteriormente, a situação ganhou novos contornos com a conclusão do divórcio, formalizado em outubro, e um acordo entre as partes envolvendo questões familiares e financeiras. A mulher declarou à Justiça que não se sentia mais amedrontada ou ameaçada pelo ex-marido, desde que permanecessem integralmente em vigor as medidas protetivas anteriormente estabelecidas.

A manifestação da vítima foi considerada na decisão que permitiu a saída de Kos da Penitenciária de Potim. A liberdade, entretanto, não significa o encerramento do processo criminal nem a retirada das acusações. Conforme as condições divulgadas sobre a decisão judicial, o empresário deverá utilizar tornozeleira eletrônica, manter distância mínima de 300 metros da ex-mulher e respeitar as restrições de aproximação e contato estabelecidas para protegê-la, incluindo limitações relacionadas à residência, ao local de trabalho e aos familiares. O descumprimento das determinações poderá provocar uma nova avaliação judicial e resultar em medidas mais rigorosas.

A decisão de soltura motivou a reação dos promotores de Justiça Fabíola Sucasas, Mariana Pieragnoli e Pedro Alonso, que apresentaram recurso contra a revogação da prisão preventiva. Em um documento de aproximadamente 30 páginas, o Ministério Público sustenta que a liberdade do empresário pode representar risco concreto à integridade física e psicológica da vítima. Para os promotores, a conclusão do divórcio e a mudança na manifestação de Giullia sobre o medo que sentia não são suficientes, por si só, para afastar os fundamentos que justificaram a prisão. O órgão também questiona circunstâncias relacionadas ao retorno do empresário à residência anteriormente ocupada pelo casal, considerando a necessidade de preservar a segurança da mulher.

Além de solicitar o retorno de Ivo Kos à prisão, o Ministério Público defendeu a adoção de medidas adicionais para impedir possíveis aproximações ou interferências no andamento do processo. Entre as providências solicitadas estão mecanismos de monitoramento eletrônico com alerta de aproximação, restrições de contato com testemunhas, apreensão de armas e objetos relacionados às agressões investigadas e participação em programas de reeducação e acompanhamento psicossocial. A Promotoria argumenta que a gravidade dos fatos denunciados e as circunstâncias relatadas pela vítima precisam ser consideradas na análise sobre a manutenção ou não da liberdade provisória.

Depois de deixar a unidade prisional no Vale do Paraíba, o empresário utilizou as redes sociais para publicar uma fotografia ao lado do filho e comemorar o retorno ao convívio familiar. Na publicação, afirmou estar novamente ao lado daquele que chamou de maior amor de sua vida e declarou ter tido a liberdade retirada injustamente. A manifestação ocorreu enquanto o processo criminal permanecia em andamento e o Ministério Público buscava restabelecer sua prisão preventiva. A defesa do empresário contesta as acusações, e as circunstâncias dos fatos continuam submetidas à análise da Justiça.

Até esta sexta-feira (23), não havia confirmação de uma nova ordem de prisão contra Ivo Kos em decorrência do recurso apresentado pelo Ministério Público. O processo tramita sob segredo de justiça, circunstância que restringe a divulgação de documentos e detalhes das decisões judiciais. Caberá ao Judiciário analisar os argumentos da Promotoria e da defesa para decidir se o empresário permanecerá em liberdade, sujeito às medidas cautelares, ou se deverá retornar ao sistema prisional.

MP tenta levar de volta à prisão Ivo Kos, que estava no Vale – Montagem: sampi.net

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

erro: Content is protected !!