Quinta-feira, Outubro 22, 2026
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SUSPEITA DE SURTO DE SARNA AFASTA 54 PESSOAS DE ESCOLA EM ATIBAIA; FUNCIONÁRIA RELATA COCEIRA INTENSA ATÉ DURANTE A MADRUGADA


Uma suspeita de surto de escabiose, doença popularmente conhecida como sarna humana, provocou o afastamento de 54 pessoas de uma escola municipal em Atibaia, no interior de São Paulo, e mobilizou equipes da Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária e da rede pública de saúde. A situação foi identificada na Escola Municipal Prefeito Walter Engrácia de Oliveira, localizada no Jardim das Cerejeiras, na região de Caetetuba, onde 41 alunos e 13 funcionários precisaram ser afastados após apresentarem diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. A quantidade de pessoas atingidas levou a Prefeitura a intensificar as medidas de prevenção, realizar inspeções na unidade de ensino e iniciar visitas às residências dos estudantes para orientar os familiares sobre os cuidados necessários. Enquanto as autoridades tentam conter a transmissão, o relato de uma funcionária chama a atenção pela intensidade dos sintomas. A servidora contou que sofre com coceiras tão fortes que chegam a interromper seu sono durante a madrugada, mesmo depois de procurar atendimento médico e iniciar o uso de medicamento prescrito.

Os primeiros casos chegaram ao conhecimento da Secretaria Municipal de Saúde na sexta-feira (16), quando surgiram relatos de sintomas compatíveis com escabiose entre integrantes da comunidade escolar. Com o aumento das suspeitas e a necessidade de evitar a disseminação da doença, a administração municipal passou a acompanhar a situação em conjunto com a Secretaria de Educação. Na terça-feira (20), equipes da Vigilância Epidemiológica e da Vigilância Sanitária estiveram na Escola Municipal Prefeito Walter Engrácia de Oliveira, situada na Rua Carlos Rado Paternost, nº 61, para verificar as condições sanitárias do ambiente e orientar os profissionais sobre procedimentos de limpeza, higiene e prevenção. O número de afastamentos chegou a 54 pessoas, mas a Prefeitura esclareceu que o total reúne pacientes com diagnóstico confirmado e pessoas que ainda apresentavam suspeita da doença, não significando que todos os afastados tenham recebido confirmação médica da infestação.

Entre os relatos que revelam os transtornos enfrentados pela comunidade escolar está o de uma funcionária que preferiu não ter sua identidade divulgada. Em entrevista à TV Vanguarda, ela contou que começou a apresentar lesões na pele na sexta-feira (16), principalmente na região das axilas, acompanhadas de uma coceira persistente. A servidora também relatou que seu filho, estudante de outra unidade escolar do mesmo bairro, passou a apresentar sintomas semelhantes, aumentando sua preocupação com a possibilidade de transmissão dentro do ambiente familiar. Mesmo após procurar atendimento e receber prescrição de um medicamento antialérgico, a mulher afirmou que continuava enfrentando dificuldades para dormir devido ao desconforto provocado pelas lesões. “Mesmo eu tomando o antialérgico que o médico receitou, acordo de madrugada para coçar”, declarou. O relato demonstra como os sintomas podem interferir na rotina das pessoas afetadas, especialmente quando a coceira se intensifica durante a noite, uma das características frequentemente associadas à escabiose.

Diante da identificação dos casos, a Prefeitura de Atibaia adotou medidas que ultrapassam os limites da escola, envolvendo também as residências dos estudantes. Agentes comunitários de saúde passaram a realizar visitas domiciliares para conversar com as famílias, identificar possíveis pessoas com sintomas e reforçar a importância do acompanhamento médico. A estratégia, conhecida como busca ativa, procura localizar outros casos que possam estar relacionados à transmissão da doença e orientar os moradores sobre os procedimentos necessários para interromper a circulação do parasita. A chefe da Vigilância Epidemiológica, Patrícia Silveira, explicou que não basta identificar os pacientes que apresentam sintomas, sendo necessário avaliar também as pessoas que mantêm contato próximo com eles. “Não adianta só identificar o problema e não tratar. Então a unidade de saúde está atendendo os casos, está fazendo busca ativa nas casas com os agentes comunitários, porque também precisa tratar as famílias dessas crianças”, afirmou.

A escabiose é uma doença de pele provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, um parasita microscópico que se instala nas camadas superficiais da pele humana e provoca uma reação responsável pela coceira intensa e pelo aparecimento de pequenas lesões. A transmissão ocorre principalmente por meio do contato direto e prolongado entre pessoas, especialmente em situações de convivência próxima, como nas residências e em determinados ambientes coletivos. Também pode ocorrer, com menor frequência, pelo compartilhamento de roupas, toalhas e peças de cama contaminadas. Uma das dificuldades no controle da doença é que os sintomas nem sempre aparecem imediatamente após a infestação. Em pessoas que nunca tiveram escabiose, o intervalo entre o contato com o parasita e o surgimento dos primeiros sinais pode durar várias semanas, período em que a transmissão ainda pode acontecer. Por esse motivo, a avaliação dos familiares e de outros contatos próximos é considerada importante para reduzir o risco de novos episódios.

Os sintomas mais comuns incluem coceira intensa, principalmente durante a noite, pequenas erupções na pele, vermelhidão e lesões que podem surgir em diferentes partes do corpo. Entre as regiões frequentemente atingidas estão os espaços entre os dedos, punhos, axilas, cintura e outras áreas de dobras da pele. Em crianças pequenas, as manifestações também podem aparecer em locais diferentes dos observados em adultos. A coceira persistente pode provocar ferimentos decorrentes do ato de coçar, aumentando o risco de infecções secundárias. Entretanto, a presença desses sintomas não significa, isoladamente, que a pessoa esteja com escabiose, pois outras doenças dermatológicas podem provocar manifestações semelhantes. Por isso, a Prefeitura orientou pais e responsáveis a procurar atendimento nas unidades de saúde ao perceberem sinais suspeitos, evitando diagnósticos por conta própria ou a utilização de medicamentos sem orientação profissional.

Para atender à demanda relacionada aos casos identificados na escola, a rede municipal disponibilizou médicos, enfermeiros e medicamentos para os pacientes que necessitam de tratamento. Segundo a chefe da Vigilância Epidemiológica, a escolha da medicação depende da avaliação realizada por um profissional de saúde, podendo envolver produtos de aplicação sobre a pele ou medicamentos administrados por outras vias, conforme a indicação médica. Patrícia Silveira reforçou que a automedicação não é recomendada e que os familiares devem seguir corretamente as orientações recebidas durante o atendimento. “O tratamento é feito por uma prescrição médica, então pode ser com uso de loção e medicamento, mas é com prescrição médica. Então nós não orientamos que as pessoas se mediquem por conta própria”, explicou. Outra medida importante é o cuidado com roupas pessoais, toalhas e roupas de cama utilizadas pelas pessoas afetadas, além da avaliação dos contatos domiciliares, já que o tratamento isolado de um paciente pode não ser suficiente para impedir uma nova infestação quando outras pessoas da residência também estão infectadas.

A administração municipal também reforçou as orientações de higiene e limpeza na Escola Municipal Prefeito Walter Engrácia de Oliveira. Apesar do afastamento de 41 estudantes e 13 funcionários, a unidade permaneceu funcionando normalmente para os demais alunos, sem determinação de suspensão geral das aulas. As equipes responsáveis pelo acompanhamento da ocorrência orientaram os profissionais sobre os procedimentos necessários para reduzir os riscos de transmissão, enquanto a unidade passou a receber atenção contínua em relação à limpeza dos ambientes. A Prefeitura também encaminhou orientações às famílias para que observem possíveis sintomas e procurem atendimento médico quando necessário. É importante destacar que a escabiose pode afetar pessoas de qualquer idade e condição social, e seu aparecimento não representa, necessariamente, falta de higiene pessoal ou negligência dos responsáveis pela unidade escolar, uma vez que a transmissão está principalmente associada ao contato próximo entre pessoas infestadas.

O caso também exige atenção porque a escabiose pode continuar provocando coceira mesmo após o início ou a conclusão do tratamento adequado. Isso acontece porque a reação inflamatória e alérgica da pele pode persistir durante algum tempo, mesmo depois da eliminação dos ácaros. A permanência dos sintomas, portanto, não significa automaticamente que o medicamento tenha falhado, embora o agravamento das lesões, o aparecimento de novos sinais ou a continuidade do problema devam ser avaliados por profissionais de saúde. Nas residências onde existem casos confirmados, as orientações médicas também podem abranger pessoas que compartilham o mesmo ambiente e mantêm contato direto com os pacientes. A realização coordenada do tratamento, quando indicada, é uma das estratégias utilizadas para impedir que o parasita continue sendo transmitido entre familiares e outras pessoas próximas.

Até a atualização das informações divulgadas na quarta-feira (21), o número informado pela Secretaria Municipal de Saúde permanecia em 54 pessoas afastadas, entre alunos e funcionários com diagnóstico confirmado ou suspeita de escabiose. Não havia confirmação pública de quantos casos haviam sido efetivamente diagnosticados, nem de um aumento no total de afastamentos. As aulas continuavam normalmente para os estudantes que não estavam afastados, enquanto as equipes municipais mantinham o acompanhamento da situação, as orientações aos profissionais da escola e as visitas domiciliares às famílias. A Prefeitura de Atibaia recomenda que moradores que apresentem coceira persistente, lesões na pele ou suspeita de contato com pessoas infectadas procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima para avaliação e orientação sobre o tratamento adequado.

 Foto 1: Reprodução/Rede Vanguarda. Foto 2: Reprodução

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