“ME DEIXA EM PAZ”: ÚLTIMA MENSAGEM DE LÍVIA ANTES DO FEMINICÍDIO REVELA ROMPIMENTO DEFINITIVO COM O EX
Dias antes de ser morta a tiros em Pindamonhangaba, Lívia Berthoud, de 23 anos, deixou registrado em mensagens que não queria mais qualquer contato com o ex-namorado Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos. A conversa, divulgada pela irmã da jovem, Laura Berthoud, mostra Lívia recusando uma tentativa de reconciliação e encerrando a mensagem com um pedido direto: “me deixa em paz”.
A troca de mensagens ocorreu em 4 de agosto de 2026, seis dias antes do crime. Segundo o conteúdo divulgado pela família, Carlos tentava convencer Lívia a retomar o relacionamento, enquanto ela relatava que havia sido enganada durante anos, que o ex gritava com ela e que, por muito tempo, chegou a se culpar pelas reações dele.
Na resposta, Lívia deixa claro que o relacionamento estava encerrado. “Eu não quero nunca mais falar com você, menos ainda pessoalmente. Então me deixa em paz”, escreveu. A mensagem passou a ser tratada pela família como um dos últimos registros da jovem antes da sequência de acontecimentos que terminou em sua morte.
Dois dias depois da conversa, segundo os familiares, Lívia soube que o ex possuía uma arma de fogo. Diante da situação, ela procurou a polícia, registrou boletim de ocorrência e conseguiu uma medida protetiva de urgência.
A decisão judicial determinava que Carlos mantivesse distância mínima de 100 metros da estudante. Segundo informações reunidas no caso, familiares também relataram que ele não aceitava o término do relacionamento e insistia em manter contato.
Laura afirma que a irmã havia feito aquilo que normalmente é orientado às vítimas de violência doméstica. Procurou ajuda, registrou ocorrência, bloqueou contatos e conseguiu medida protetiva.
Mesmo assim, seis dias depois da mensagem em que pediu para ser deixada em paz, Lívia foi morta.
Na manhã de 10 de agosto, a jovem saiu de casa, no Jardim Campo Alegre, para ir à academia. Imagens de câmeras de segurança registraram parte da perseguição que antecedeu os disparos.
Lívia aparece correndo pela rua e tentando conseguir ajuda. Em determinado momento, aproxima-se de um veículo que passava pelo local. O carro não parou.
Pouco depois, ela foi alcançada e atingida por tiros. Segundo informações divulgadas pela família, três disparos atingiram a jovem.
Carlos Eduardo deixou o local e foi encontrado posteriormente pela Polícia Militar em um apartamento no bairro Bela Vista. Segundo o boletim de ocorrência, ele também apresentava ferimento provocado por disparo.
No imóvel, policiais apreenderam um revólver Taurus calibre .38 com munições deflagradas. O suspeito foi socorrido e encaminhado para atendimento médico.
A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em preventiva pela Justiça. Como permanecia hospitalizado, Carlos não participou presencialmente da audiência de custódia. Mais tarde, foi transferido para uma unidade hospitalar do sistema penitenciário.
A Polícia Civil trata o caso como feminicídio. O investigado permanece preso preventivamente, e o processo ainda não teve julgamento definitivo.
Lívia cursava Direito na Universidade de Taubaté e também fazia estágio na área jurídica. Após a morte, familiares passaram a divulgar mensagens, registros e relatos que, segundo eles, ajudam a reconstruir os últimos dias da jovem.
Laura também contou que, após o fim do relacionamento, a irmã teria mudado hábitos por medo. Segundo relatos familiares, Lívia passou a evitar determinadas rotinas e ficou mais atenta aos deslocamentos.
Para a família, a mensagem divulgada agora reforça que a jovem havia deixado de forma explícita a intenção de não retomar o relacionamento.
Em outra manifestação nas redes sociais, Laura afirmou que a insistência diante de uma negativa não deveria ser tratada como amor ou paixão, mas como controle e violência.
A família acompanha o andamento do processo e afirma que continuará cobrando Justiça até o julgamento.

Carlos Eduardo e Lívia Berthoud

