CASO GISELE: CORONEL PEDE LIBERDADE, MAS MPSP CITA RISCO A TESTEMUNHAS E NOVO LAUDO REFORÇA TESE DE HOMICÍDIO
A defesa do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de Taubaté, pediu à Justiça a revogação da prisão preventiva do oficial, réu pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O pedido foi apresentado após o encerramento de uma etapa importante da instrução do processo, mas recebeu manifestação contrária do Ministério Público de São Paulo e também da família da vítima.
Geraldo está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. Ele responde por feminicídio e fraude processual e, desde o início das investigações, sustenta que Gisele teria tirado a própria vida. A acusação, porém, apresenta uma versão diferente e se apoia principalmente em laudos periciais que apontam elementos considerados incompatíveis com a hipótese de suicídio.
A defesa afirma que, com o avanço do processo e a produção das principais provas, não haveria mais risco de interferência do réu na instrução. Por esse motivo, pede que Geraldo possa responder em liberdade enquanto o processo continua.
O Ministério Público se manifestou contra. A promotora Ingrid Maria Bertolino Braido afirmou que não surgiram fatos novos capazes de justificar a revogação da prisão preventiva e citou o risco de influência sobre testemunhas.
Um dos pontos destacados pela Promotoria foi o próprio interrogatório do oficial, realizado na segunda-feira, 5 de outubro. Segundo o MPSP, Geraldo admitiu ter tentado entrar em contato com Sheila Aparecida Magrini, policial militar e amiga de Gisele, por meio de três ou quatro ligações para o batalhão.
Para a acusação, esse episódio reforça a preocupação com eventual interferência no andamento do processo. A Promotoria também considerou insuficiente a adoção de medidas cautelares alternativas à prisão.
A família de Gisele também pediu a manutenção da preventiva. O advogado dos pais da soldado, José Miguel da Silva Junior, argumentou que a patente e os contatos acumulados pelo tenente-coronel poderiam ser utilizados para influenciar testemunhas ou interferir em etapas do processo.
Outro elemento que ganhou peso nos últimos dias foi a divulgação de um novo laudo complementar do Instituto de Criminalística. O documento manteve as conclusões anteriores e reforçou a avaliação de que Gisele não teria condições de ter produzido o disparo contra a própria cabeça.
Segundo a perícia, vestígios de sangue, posição das lesões e outros elementos materiais observados no local seriam incompatíveis com a versão de suicídio e apontariam para a participação de uma segunda pessoa.
A defesa contesta essa interpretação. Durante um interrogatório que durou várias horas no Fórum Criminal da Barra Funda, Geraldo questionou pontos dos laudos, mensagens relacionadas a uma possível separação do casal e outros elementos apresentados pela acusação.
O oficial também sustenta que algumas conclusões periciais foram interpretadas de forma equivocada e insiste na versão de que não houve homicídio.
Gisele Alves Santana tinha 32 anos e morreu depois de ser atingida por um tiro na cabeça em 18 de fevereiro. Ela chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.
O caso inicialmente foi tratado como possível suicídio, mas a investigação mudou de direção após a análise das provas técnicas. A partir daí, Geraldo passou a ser investigado e posteriormente se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
A acusação também cita informações relacionadas ao celular da vítima, incluindo desbloqueio do aparelho e exclusão de mensagens após o disparo. A defesa contesta a interpretação desse material.
Antes do pedido atual, a defesa já havia tentado obter a liberdade do oficial em outras oportunidades. Em março, o Superior Tribunal de Justiça negou um pedido relacionado à prisão.
Agora, caberá à Justiça analisar novamente se Geraldo permanecerá preso durante o andamento do processo. Até o momento, não há condenação definitiva.
O processo segue em tramitação e deverá avançar para novas etapas, inclusive com definição sobre eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.


