ENTRE LÁGRIMAS E ORAÇÕES: APÓS 11 ANOS LUTANDO CONTRA O CÂNCER, DEVOTA CHEGA A APARECIDA PARA PAGAR PROMESSA
Foram 11 anos atravessando dias de medo, incertezas, tratamentos e orações. Uma caminhada longa, dolorosa e marcada por momentos em que continuar parecia exigir mais forças do que Marizene Neponuceno acreditava possuir. Moradora de Serra Branca, na Paraíba, ela enfrentou o câncer, passou por uma cirurgia nos rins, ficou em coma e ainda precisou lidar com o abandono do pai de seus filhos. Mesmo assim, não deixou a esperança morrer. Sustentada pela fé em Nossa Senhora Aparecida, permaneceu firme até chegar o momento que aguardava havia mais de uma década: viajar ao Santuário Nacional para agradecer pela vida e pagar a promessa feita durante sua luta.
Marizene descobriu o câncer em 2014. No ano seguinte, iniciou o tratamento e começou uma batalha que mudaria completamente sua história. A doença trouxe preocupações, limitações e o temor de não conseguir acompanhar o crescimento dos filhos ou continuar cuidando dos pais. Em meio à fragilidade física e emocional, ela também enfrentou a ausência daquele que deveria ajudá-la a atravessar esse período. O pai de seus filhos foi embora, deixando sobre seus ombros o peso da enfermidade e das responsabilidades familiares.
Foi justamente quando a solidão e o sofrimento apertaram que Marizene se agarrou ainda mais à fé. Devota de Nossa Senhora Aparecida desde criança, ela encontrou na oração o amparo que precisava para prosseguir. Quando o corpo fraquejava e o desânimo se aproximava, voltava o pensamento para a Padroeira do Brasil. Sua devoção não apagava a dureza do tratamento, mas renovava sua coragem para enfrentar mais um dia.
A caminhada ganhou um capítulo ainda mais delicado cerca de dois anos depois do início do tratamento. Marizene precisou passar por uma cirurgia nos rins e entrou em coma. Antes de perder a consciência, fez um pedido profundo a Nossa Senhora Aparecida. Pediu que sua vida fosse preservada porque sentia que ainda tinha uma missão a cumprir: cuidar dos pais, permanecer ao lado dos filhos e continuar sendo o apoio de sua família.
Naquele momento, entre a vida e a incerteza, nasceu uma promessa que Marizene carregaria no coração durante os anos seguintes. Se conseguisse superar aquela situação, iria pessoalmente até Aparecida para agradecer. Não seria apenas uma viagem. Seria o encontro entre a mulher que um dia temeu não voltar para casa e a devota que, mesmo diante da dor, escolheu continuar acreditando.
Marizene despertou do coma e retomou sua caminhada. Ainda havia consultas, acompanhamento médico e o receio que costuma acompanhar quem enfrenta uma doença grave. Os anos passaram lentamente, mas a promessa permaneceu viva. Cada nova etapa vencida aumentava seu desejo de chegar à Casa da Mãe Aparecida e transformar em agradecimento todas as lágrimas derramadas durante o tratamento.
Depois de 11 anos de acompanhamento em um hospital especializado em câncer, Marizene afirma ter recebido a notícia que esperava desde o início daquela batalha: estava curada. A mulher que enfrentou a doença, o abandono e o coma agora poderia começar a olhar para trás e compreender a dimensão do caminho percorrido. Para ela, a recuperação representava a resposta às orações feitas nos momentos em que tudo parecia mais difícil.
No mês de agosto de 2026, Marizene deixou Serra Branca e iniciou a viagem até Aparecida, no interior de São Paulo. A distância entre a Paraíba e o Vale do Paraíba foi vencida com a emoção de quem carregava muito mais do que uma bagagem. Ela levava consigo 11 anos de lembranças, o medo vivido durante a cirurgia, a gratidão por ter despertado do coma, o amor pelos filhos, a missão de cuidar dos pais e a promessa que havia feito em oração.
Ao entrar no Santuário Nacional, Marizene finalmente se aproximou do lugar que imaginara tantas vezes durante o tratamento. Diante do Nicho de Nossa Senhora Aparecida, ela pôde agradecer pela vida e pelo caminho que conseguiu atravessar. A peregrinação representou o cumprimento de um compromisso íntimo, nascido quando seu futuro ainda era incerto e quando a fé era uma das poucas forças que ela sentia possuir.
A chegada à Basílica colocou frente a frente dois momentos de sua história. De um lado estava a mulher que, antes de entrar em coma, pediu para não morrer porque precisava cuidar da família. Do outro estava a devota que, anos depois, permanecia de pé diante da Padroeira do Brasil para agradecer. Entre esses dois momentos estavam o tratamento, as noites difíceis, a espera por resultados, as responsabilidades de mãe e filha e a decisão de não desistir.
As lágrimas derramadas diante de Nossa Senhora não representavam apenas a lembrança da doença. Elas também carregavam o alívio de quem atravessou uma das fases mais difíceis da vida e conseguiu retornar para casa. Para Marizene, pagar a promessa foi dizer, com sua própria presença, que a esperança permaneceu viva mesmo nos dias em que o medo parecia maior.
A história da paraibana se juntou aos milhares de testemunhos levados todos os anos ao Santuário Nacional. Pessoas chegam a Aparecida a pé, de bicicleta, a cavalo, de ônibus ou depois de longas viagens, cada uma trazendo uma promessa e uma razão para agradecer. Marizene chegou levando a história de uma mulher que enfrentou o câncer durante 11 anos e transformou a dor em fé, a incerteza em perseverança e a chegada à Casa da Mãe em um abraço de gratidão.

Foto: Portal A12

