ACHOU QUE ERA BARULHO DE MOTO E ACABOU BALEADA: CABELEIREIRA PODE FICAR MAIS UM MÊS INTERNADA APÓS TIROTEIO EM PINDA
O que parecia ser apenas barulho de motocicletas terminou em uma noite de tiros, morte e uma longa recuperação pela frente. A cabeleireira Juliane Nascimento da Silva, de 37 anos, voltava para casa depois de fechar o salão onde trabalha quando foi atingida na perna durante o tiroteio registrado no sábado (29), no Conjunto Residencial Araretama, em Pindamonhangaba. Ela sofreu uma fratura exposta, já passou por uma cirurgia e deverá permanecer internada por aproximadamente mais um mês, aguardando condições para passar por um novo procedimento. A Polícia Civil ainda investiga de qual arma partiu o disparo que atingiu a profissional.
Juliane havia encerrado o expediente por volta das 21h30 e pretendia passar em um mercado antes de voltar para casa. Quando virou uma esquina, foi alertada por um homem de que havia um tiroteio nas proximidades. Ela relatou que inicialmente não conseguiu identificar os estampidos como tiros e acreditou que o barulho vinha de motocicletas passando pela região. Poucos instantes depois, sentiu o impacto do disparo na perna e caiu.
A cabeleireira contou que percebeu estar no meio da troca de tiros apenas depois de ser atingida. Ferida e com fortes dores, precisou se arrastar para tentar sair da área onde os disparos estavam acontecendo. Segundo Juliane, a sensação na perna era de muita dor e queimação, e qualquer tentativa de movimentação agravava o sofrimento.
Um policial se aproximou e verificou seu estado enquanto o socorro era acionado. Juliane foi encaminhada para atendimento hospitalar, onde os médicos constataram uma fratura exposta. Ela precisou ser submetida a uma primeira cirurgia, na qual foram colocados pinos para estabilização da lesão.
A recuperação, porém, ainda está longe do fim. Segundo a filha, Thayná da Silva Ramos, de 20 anos, Juliane deverá passar por uma nova cirurgia para colocação de uma placa de aço na perna. O procedimento é considerado necessário para que ela avance na recuperação e possa voltar a caminhar normalmente.
A previsão repassada pela família é de que a cabeleireira permaneça aproximadamente mais um mês internada. Depois da alta, o tratamento deverá continuar e ainda não existe previsão para que consiga retornar ao trabalho. Juliane é autônoma e depende diretamente da atividade no salão para obter renda.
Além das consequências físicas, o episódio provocou impacto direto na situação financeira da família. Juliane é mãe de quatro filhos, mora de aluguel e trabalhava diariamente para ajudar nas despesas da casa. Com a internação prolongada e a impossibilidade de ficar em pé ou trabalhar durante o período de recuperação, o salão deverá ser fechado.
Thayná relatou que a preocupação financeira se soma à incerteza sobre a recuperação da mãe. Segundo ela, Juliane era uma das principais responsáveis pelas despesas familiares e não há previsão de quando poderá retomar a rotina profissional.
O trauma provocado pelo tiroteio também permanece. Segundo familiares, a cabeleireira teme retornar ao bairro onde foi baleada e ainda tenta compreender como uma volta para casa depois de um dia de trabalho terminou em internação, cirurgias e meses de recuperação.
O disparo que atingiu Juliane aconteceu durante a mesma ocorrência que terminou com a morte de Adriana Silva dos Santos, de 48 anos, conhecida na região como Tia Dri. Adriana estava em um bar no Araretama quando foi atingida por um tiro na cabeça. Ela morreu ainda no local.
Adriana era costureira, viúva e mãe de cinco filhos. O filho dela, de 31 anos, também foi atingido durante a ocorrência e sofreu um ferimento de raspão na região abdominal.
Segundo a Polícia Militar, Raimundo Soares de Oliveira, de 57 anos, é investigado como autor dos disparos contra Adriana. Ele foi localizado posteriormente pelos policiais e, conforme a ocorrência, teria atirado contra a equipe durante a abordagem. Houve reação policial e o suspeito acabou baleado na perna.
Um revólver calibre 32 foi apreendido. Raimundo foi preso em flagrante e posteriormente teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia.
A ocorrência foi registrada como homicídio, tentativas de homicídio e lesão corporal decorrente de intervenção policial. A Polícia Civil segue apurando a sequência dos fatos e a participação de cada envolvido.
Uma das principais questões ainda sem resposta é justamente a origem do tiro que atingiu Juliane. Até o momento, a polícia não confirmou se o projétil saiu da arma atribuída ao suspeito preso ou de uma das armas utilizadas pelos policiais durante a intervenção.
A definição deverá depender principalmente da perícia balística e da análise dos vestígios recolhidos na ocorrência. O resultado será importante para esclarecer quem efetuou o disparo que provocou a fratura exposta na cabeleireira.
A motivação do ataque que terminou com a morte de Adriana também permanece sob investigação. Uma versão divulgada posteriormente aponta que a vítima teria intervindo em uma situação envolvendo uma criança antes de ser baleada, mas essa circunstância ainda não foi apresentada pela Polícia Civil como conclusão definitiva sobre o motivo do crime.
Enquanto a investigação tenta esclarecer os disparos daquela noite, Juliane permanece hospitalizada. A próxima etapa será a nova cirurgia para colocação da placa de aço na perna e, depois disso, um período ainda indefinido de recuperação até que possa voltar a andar e trabalhar.


