DA CASA LAVADA À PRISÃO DECRETADA: JUSTIÇA MANDA PRENDER CASAL INVESTIGADO PELA MORTE DE CLARA VICTORIA EM CARAGUATATUBA
A investigação sobre a morte de Clara Victória de Oliveira Palhares, de 17 anos, teve um novo avanço em Caraguatatuba. A Justiça decretou a prisão preventiva de Luiz Paulo Prates de Souza, de 26 anos, e Gabriely Nascimento Pereira, de 21, apontados pela Polícia Civil como os principais suspeitos do homicídio. Os dois são considerados procurados e, até a atualização mais recente localizada, não havia confirmação pública de que tivessem sido presos. Clara morreu na segunda-feira (31), depois de ser levada já sem vida à UPA Sul, no bairro Perequê-Mirim.
O caso começou a ser investigado após a adolescente dar entrada na unidade por volta das 18h30, transportada em um Chevrolet Prisma prata. Segundo o boletim de ocorrência, o homem que a levou afirmou aos funcionários que teria encontrado Clara ferida em via pública e decidiu socorrê-la. Pouco depois, deixou a UPA alegando que precisava devolver o veículo. As câmeras da unidade registraram a chegada do automóvel e passaram a integrar as diligências da Polícia Civil.
Os primeiros exames apontaram um ferimento profundo no peito provocado por arma branca. Clara também apresentava um dente fraturado e marcas na região do pescoço, elementos que fizeram os investigadores considerar a possibilidade de outras agressões antes da morte, inclusive estrangulamento. A Polícia Técnico-Científica foi acionada para aprofundar a análise por meio de exame necroscópico e outros procedimentos periciais.
Outro detalhe chamou a atenção da investigação: apesar da extensão da lesão no peito, havia poucos vestígios de sangue nas roupas da adolescente e a vestimenta aparentemente não apresentava perfuração compatível com o ferimento. A circunstância passou a ser considerada pelos investigadores durante a tentativa de reconstruir onde e em quais condições Clara teria sido atacada.
As diligências levaram a polícia até uma residência no bairro Travessão, apontada como local onde o crime teria ocorrido. No imóvel, os investigadores encontraram manchas e respingos de sangue, além do piso molhado e uma garrafa de água sanitária próxima à entrada. Havia ainda sangue na calçada, um travesseiro com manchas próximo ao muro e outros elementos submetidos à perícia. A suspeita da Polícia Civil é de que o local tenha sido lavado depois da morte numa possível tentativa de eliminar vestígios.
Durante o trabalho da Polícia Técnico-Científica, uma faca que pode ter relação com o homicídio foi apreendida. O objeto será analisado para verificar se corresponde à arma utilizada no ferimento que provocou a morte da adolescente. O celular de Clara, um iPhone, também foi encontrado dentro da residência, juntamente com outros aparelhos telefônicos ligados às pessoas investigadas. Os dispositivos passaram a fazer parte da apuração e podem ajudar a reconstruir os contatos e os últimos momentos da jovem.
A investigação trabalha com a hipótese de que Clara tenha sido atraída até a residência antes de ser morta. Uma das linhas analisadas aponta para uma discussão relacionada a ciúmes. Conforme relatos incluídos no boletim de ocorrência, a adolescente teria enviado uma mensagem a Luiz Paulo para pedir a devolução de uma tesoura que pertencia a ela. Gabriely teria interpretado a conversa como uma possível aproximação entre os dois. A Polícia Civil ainda precisa confirmar de forma definitiva se esse episódio foi realmente a motivação do crime.
O pai de Luiz Paulo também foi ouvido durante as diligências. Segundo o registro policial, ele relatou ter escutado uma discussão na residência do filho e informou que Luiz Paulo mantinha relacionamento com Gabriely, com quem possui um filho. O homem também mencionou à polícia a possibilidade de existência de algum tipo de relação entre Luiz Paulo e Clara, informação que passou a ser analisada pelos investigadores, mas que ainda não foi estabelecida como fato comprovado.
Outro elemento considerado pela polícia foi a localização do Chevrolet Prisma utilizado para levar Clara à UPA. O carro, ligado a um dos investigados, foi encontrado diante do imóvel relacionado ao caso e apreendido para perícia. Os investigadores deverão procurar impressões digitais, material biológico e outros vestígios capazes de ajudar a determinar quem estava no veículo e como aconteceu o deslocamento da adolescente até a unidade de saúde.
A Polícia Civil também requisitou exame subungueal, que busca identificar material presente sob as unhas da vítima. Esse tipo de análise poderá apontar vestígios decorrentes de eventual luta corporal ou contato físico antes da morte. Os resultados dos exames serão utilizados para tentar individualizar a participação atribuída a cada investigado.
O homicídio foi registrado inicialmente como homicídio qualificado por motivo fútil e mediante emboscada. A classificação consta no boletim de ocorrência e permanece sujeita às conclusões da investigação e às decisões posteriores do Ministério Público e da Justiça. A Polícia Civil ainda trabalha para determinar quem desferiu o golpe, se houve participação conjunta nas agressões e quais atos teriam sido praticados por cada suspeito antes e depois da morte.
Com o avanço das investigações, a Justiça decretou agora a prisão preventiva de Luiz Paulo e Gabriely. A medida permite que os dois sejam presos assim que forem localizados. Até a manhã deste sábado (5), as buscas mais recentes localizadas ainda tratavam o casal como procurado, sem confirmação de cumprimento dos mandados.
As defesas dos investigados não haviam sido localizadas nas publicações consultadas para apresentar manifestação sobre as acusações. Apesar da prisão preventiva decretada, Luiz Paulo e Gabriely permanecem na condição de investigados e não existe condenação judicial até o momento. A responsabilidade criminal de cada um deverá ser definida no decorrer da investigação e de eventual processo.


