UMA PROMESSA, 318 KM E MAIS DE 500 CARTAS: CICLISTAS CHEGAM A APARECIDA CARREGANDO HISTÓRIAS DE FÉ
Uma promessa feita por um pai, uma cirurgia cardíaca enfrentada por uma criança de apenas três anos e a vontade de agradecer por uma graça alcançada deram origem a uma peregrinação que, três anos depois, ganhou uma dimensão ainda maior. Doze ciclistas do grupo Peregrinos da Esperança percorreram aproximadamente 318 quilômetros pelo Caminho da Fé até o Santuário Nacional de Aparecida, levando na bagagem mais de 500 cartas com pedidos, agradecimentos e intenções de oração de devotos de Santo Amaro da Imperatriz e região, em Santa Catarina.
A jornada durou oito dias e atravessou diferentes paisagens até a chegada à Casa da Mãe Aparecida. O grupo passou por trechos de Minas Gerais, pela Serra da Mantiqueira e por Campos do Jordão antes de concluir o percurso em Aparecida. Mais do que um desafio físico, os ciclistas transformaram cada quilômetro em uma experiência de oração, reflexão e convivência.
A história começou em 2023 com Tiago Manoel de Campos. Na época, o filho dele, com apenas três anos, precisou passar por uma cirurgia cardíaca. Segundo o ciclista, a criança já demonstrava uma relação especial com Nossa Senhora Aparecida e, diante daquele momento delicado, a família se apegou ainda mais à fé.
Depois de receber a graça pela qual havia pedido, Tiago decidiu agradecer da forma que conhecia melhor: pedalando. Como já praticava ciclismo havia alguns anos, fez a promessa de percorrer o Caminho da Fé, saindo de Águas da Prata em direção ao Santuário Nacional. Convidou amigos e realizou a primeira peregrinação.
A experiência não ficou apenas naquele primeiro percurso. O grupo voltou ao Caminho da Fé em outras oportunidades e, neste ano, chegou à terceira peregrinação. A diferença é que, desta vez, os ciclistas não levaram apenas suas próprias orações e agradecimentos.
A ideia foi abrir espaço para que outras pessoas também participassem simbolicamente da viagem. Moradores da região puderam escrever cartas com pedidos, agradecimentos e intenções destinadas a Nossa Senhora Aparecida. As mensagens foram recebidas antes da partida e carregadas pelos peregrinos durante todo o trajeto.
A expectativa inicial era reunir aproximadamente 150 cartas. A mobilização, porém, cresceu rapidamente e surpreendeu os próprios organizadores. Pouco antes da viagem, mais de 500 mensagens já haviam sido entregues, superando em mais de três vezes a meta projetada.
Cada envelope passou a representar alguém que, mesmo sem estar sobre uma bicicleta, seguia simbolicamente junto com o grupo. Eram histórias de famílias, agradecimentos por graças alcançadas, pedidos relacionados à saúde, dificuldades pessoais e intenções que seriam levadas até Aparecida.
Os ciclistas iniciaram então o percurso de aproximadamente 318 quilômetros. Ao longo dos oito dias, enfrentaram subidas, descidas, cansaço físico e as mudanças de relevo características do Caminho da Fé. Uma das passagens registradas ocorreu na Capela São Bento, em Estiva, Minas Gerais, antes de o grupo seguir pela região da Mantiqueira.
Campos do Jordão também fez parte da rota antes da descida rumo ao Vale do Paraíba e ao destino final. O percurso, conhecido pelas longas subidas e pela exigência física, ganhou para o grupo um significado diferente: cada trecho era associado a momentos de oração.
Segundo Tiago, a peregrinação foi estruturada espiritualmente a partir da Via Sacra. Os participantes procuravam relacionar os acontecimentos de cada dia às estações da caminhada de Jesus. Além disso, o terço era rezado diariamente por todos os peregrinos.
A convivência durante oito dias também aproximou ainda mais os integrantes. Longe da rotina diária, os ciclistas dividiram momentos de dificuldade, cansaço, superação, oração e conversas sobre suas próprias histórias.
Tiago contou que o caminho permitiu conhecer aspectos pessoais dos companheiros que muitas vezes não aparecem na convivência comum. Durante a peregrinação, o grupo compartilhou medos, batalhas particulares e testemunhos de vida, tornando o percurso também uma experiência de fortalecimento da amizade.
Outra característica desta edição foi o sentimento de responsabilidade com as centenas de cartas carregadas. Os participantes sabiam que não estavam pedalando apenas em nome próprio, mas levando consigo as intenções de mais de 500 pessoas.
A ideia de transportar as mensagens surgiu inspirada em experiências semelhantes de peregrinos que transformam o próprio caminho em uma forma de aproximar outras pessoas da fé. Para Tiago, mesmo quem não consegue percorrer centenas de quilômetros pode participar de uma peregrinação por meio de uma oração, de uma mensagem ou de uma intenção entregue a quem fará o trajeto.
Quando finalmente chegaram ao Santuário Nacional de Aparecida, os 12 ciclistas encerraram não apenas uma viagem de mais de 300 quilômetros. Junto com eles chegaram centenas de histórias escritas em papel e carregadas durante oito dias por estradas, montanhas e cidades.
As cartas tinham como destino a Casa da Mãe Aparecida, onde seriam entregues como símbolo das intenções daqueles que confiaram aos peregrinos seus agradecimentos e pedidos.
A jornada que começou três anos atrás com a promessa de um pai pela recuperação do filho hoje reúne amigos, famílias e uma comunidade inteira. O menino que motivou o primeiro pedal cresceu, o grupo continuou voltando ao Caminho da Fé e, nesta edição, mais de 500 pessoas puderam viajar simbolicamente junto com os peregrinos.
No fim, os 318 quilômetros foram percorridos por apenas 12 bicicletas. Mas, dentro das mochilas e no propósito da peregrinação, centenas de pessoas seguiram juntas até Aparecida.


