PRESO DORMINDO EM CASA: HOMEM APONTADO COMO LIDERANÇA DO TRÁFICO É INVESTIGADO NA MORTE DE FILHA DE VEREADOR EM BARRA MANSA
Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar terminou com a recaptura de um homem de 30 anos conhecido como “DG”, no bairro Siderlândia, em Barra Mansa. Segundo a Polícia Civil, ele é apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho no município, possui condenação anterior por tráfico de drogas e também aparece em investigações sobre homicídios, entre elas a apuração da morte de Ana Clara de Carvalho Moreira, de 25 anos, filha do vereador de Resende James do Churrasquinho.
A prisão aconteceu na manhã de quarta-feira, 26 de agosto, após uma troca de informações de inteligência entre as forças de segurança. Policiais civis da 90ª Delegacia de Polícia e agentes do GAT-2 da Polícia Militar seguiram até um endereço em Siderlândia e encontraram o investigado dentro da residência. Conforme a polícia, ele estava dormindo quando foi surpreendido pelos agentes e não ofereceu resistência durante a abordagem.
Apesar da ligação do nome dele com a investigação da morte de Ana Clara, a prisão não ocorreu por causa do homicídio da jovem. Contra o homem havia um mandado de recaptura. De acordo com a Polícia Civil, ele havia deixado o sistema prisional em outubro de 2025 para visitar familiares e não retornou, passando a ser considerado foragido. A informação divulgada pelas autoridades é de que ele já havia sido condenado a 14 anos de prisão por tráfico de drogas.
Depois de localizado, “DG” foi levado para a 90ª DP de Barra Mansa. Além do cumprimento do mandado, a Polícia Civil pretende ouvi-lo em diferentes investigações conduzidas pela unidade. Entre elas está justamente o inquérito que tenta esclarecer quem participou e o que motivou a morte de Ana Clara.
A jovem desapareceu no dia 28 de dezembro de 2025. Segundo informações fornecidas pela família na época, Ana Clara estava em casa, onde morava com a mãe, quando recebeu uma mensagem pelo celular. Pouco tempo depois, saiu da residência e não voltou. Familiares perderam contato e iniciaram uma mobilização pública em busca de informações sobre seu paradeiro.
O desaparecimento mobilizou uma grande operação em Barra Mansa. Policiais civis da 90ª DP, Corpo de Bombeiros e outras equipes passaram a realizar buscas principalmente em áreas de mata dos bairros Siderlândia e São Domingos. Cães farejadores e drones também foram empregados durante as varreduras em locais de difícil acesso.
A procura terminou de forma trágica em 10 de janeiro. Um corpo feminino foi localizado enterrado em uma área de mata no bairro São Domingos, durante as buscas coordenadas pela Polícia Civil. As características encontradas indicavam inicialmente que se tratava de Ana Clara, informação posteriormente confirmada.
Um dia antes, as equipes haviam encontrado na mesma região o corpo de Marco Antônio de Souza, de 42 anos, que estava desaparecido desde 20 de dezembro. A descoberta aconteceu durante as buscas por Ana Clara. O caso aumentou a atenção da polícia sobre aquela área de mata, mas não existe confirmação pública de que as duas mortes tenham ligação direta entre si.
Desde a localização do corpo da jovem, a 90ª DP mantém detalhes relevantes do homicídio sob investigação. Na época, o pai de Ana Clara pediu que os responsáveis fossem identificados e responsabilizados. A polícia já trabalhava com possíveis envolvidos e mantinha sob reserva informações que poderiam comprometer as diligências.
Também chegou a ser mencionada, durante as primeiras investigações, uma possível linha de crime passional ou feminicídio. Essa possibilidade foi relatada publicamente pelo pai da jovem com base nas informações que dizia ter recebido sobre a investigação. Entretanto, a motivação definitiva não foi oficialmente esclarecida, e o trabalho policial continuou buscando estabelecer a dinâmica completa do crime e a participação de cada suspeito.
É nesse cenário que a prisão de “DG” ganha importância. A Polícia Civil afirma que o homem é investigado por possível envolvimento na morte de Ana Clara, mas ainda não tornou público qual papel exatamente ele teria desempenhado. Não foi informado se a suspeita é de participação direta no homicídio, apoio logístico, ocultação do corpo ou outra conduta.
Por isso, a ligação dele com o caso permanece no campo da investigação. A existência de uma condenação anterior por tráfico e o mandado de recaptura não significam que ele tenha sido condenado pela morte de Ana Clara. Caberá à Polícia Civil reunir provas sobre eventual participação e encaminhar os elementos ao Ministério Público e à Justiça.
A polícia também atribui a “DG” posição de destaque no tráfico de drogas de Barra Mansa e afirma que ele é investigado por outros homicídios registrados no município. Essas suspeitas fazem parte de inquéritos diferentes e ainda deverão ser individualizadas pelas autoridades.
A captura dentro de casa encerrou um período de meses em que ele era considerado foragido do sistema prisional. Agora, além de retornar ao cumprimento da pena já existente, o homem deverá ser ouvido sobre crimes ainda em investigação.
No caso de Ana Clara, a prisão pode representar mais uma etapa na tentativa de responder perguntas que permanecem desde dezembro: quem enviou a mensagem que levou a jovem a sair de casa, o que aconteceu nas horas seguintes, quantas pessoas participaram do crime, por que o corpo foi levado para uma área de mata e qual teria sido a motivação do homicídio.
A Polícia Civil continua trabalhando para definir a eventual participação de “DG” e identificar outros possíveis envolvidos. Até o momento, não há informação pública de denúncia ou condenação dele pela morte da filha do vereador.


