Sábado, Agosto 29, 2026
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SEM PAGAR UM CENTAVO, MAS JÁ EMPLACADA: DUPLA É PRESA E POLÍCIA APURA ESQUEMA DE R$ 3 MILHÕES EM MOTOS


Uma motocicleta zero-quilômetro retirada de uma concessionária sem qualquer pagamento, mas já emplacada oficialmente no nome da suposta compradora, levou a Polícia Civil a prender duas pessoas e aprofundar uma investigação que pode chegar a cerca de R$ 3 milhões em prejuízos. O caso aconteceu na manhã deste sábado, 29 de agosto, no Centro de Barra Mansa, e envolve uma mulher de 20 anos e um homem de 45, ambos de Ipatinga, em Minas Gerais.

A ação foi conduzida por agentes da 90ª Delegacia de Polícia de Barra Mansa, sob coordenação do delegado Marcus Montez. Segundo a investigação, a equipe já acompanhava a movimentação de um grupo suspeito de aplicar golpes contra concessionárias de motocicletas e decidiu agir no momento em que a dupla retirava mais um veículo do estabelecimento.

O ponto que mais chamou a atenção dos investigadores foi justamente a documentação apresentada. A mulher teria mostrado ao vendedor um comprovante indicando que a motocicleta já estava emplacada em seu nome. Diante disso, o funcionário, que era novo na concessionária e não conhecia as fraudes anteriores, acreditou que a negociação estivesse regular e autorizou a retirada do veículo.

O problema é que, segundo a Polícia Civil, nenhum pagamento havia sido feito pela motocicleta. Quando os suspeitos foram abordados, não conseguiram apresentar comprovante de quitação. A própria empresa confirmou aos policiais que nenhum valor havia entrado referente àquela venda.

A nota fiscal da negociação também havia sido posteriormente cancelada depois que a concessionária identificou indícios de fraude envolvendo uma funcionária. Mesmo assim, a motocicleta já aparecia emplacada no nome da mulher. É justamente essa etapa que deverá receber atenção especial dos investigadores, que pretendem verificar junto ao Detran-RJ como todo o procedimento de registro foi realizado.

A Polícia Civil também quer descobrir se despachantes participaram das operações. Até agora, não foi explicado publicamente como os documentos necessários chegaram ao sistema de emplacamento nem de que maneira veículos sem pagamento efetivado teriam conseguido avançar pelas etapas burocráticas normalmente exigidas para registro.

Durante a abordagem, os policiais fizeram uma nova descoberta dentro do carro utilizado pela dupla. Foram encontrados uma pistola calibre .380 carregada com 12 munições, duas placas de motocicletas e diversos documentos relacionados a outros veículos. Todo o material foi apreendido e deverá passar por análise para verificar possíveis conexões com outras negociações investigadas.

Segundo a Polícia Civil, o episódio deste sábado não seria um caso isolado. As investigações apontam que o mesmo método teria sido utilizado anteriormente para retirar diversas motocicletas da concessionária, acumulando prejuízo estimado em aproximadamente R$ 3 milhões. O valor, portanto, não corresponde apenas ao veículo apreendido nesta operação, mas ao conjunto das fraudes que estão sendo apuradas.

Uma funcionária do estabelecimento já foi identificada pelos investigadores como suspeita de participação no esquema. A polícia ainda não divulgou qual seria exatamente o papel atribuído a ela nem se há mandado de prisão em aberto. A apuração deverá esclarecer se teria auxiliado na emissão de documentos, na liberação dos veículos ou em outras etapas das supostas fraudes.

Além da funcionária, um terceiro suspeito também aparece na investigação. Segundo a Polícia Civil, ele estaria dando apoio à ação e conseguiu fugir antes da abordagem. Apesar da fuga, já foi identificado e deverá responder pelos fatos apurados.

A polícia também busca descobrir o destino das outras motocicletas supostamente retiradas da concessionária utilizando o mesmo método. Até o momento, não foram divulgados quantos veículos estão envolvidos, quais modelos foram levados ou se as motos foram revendidas, transferidas para terceiros ou levadas para outras cidades ou estados.

Os dois presos foram autuados em flagrante pelos crimes de estelionato, associação criminosa e posse ilegal de arma de fogo. Eles deverão ser encaminhados ao sistema prisional e permanecer à disposição da Justiça. As prisões e autuações não representam condenação definitiva, e a responsabilidade de cada investigado ainda será analisada ao longo do processo.

A investigação agora tenta reconstruir toda a cadeia do possível esquema, desde a obtenção dos documentos até o emplacamento e a retirada dos veículos. Os investigadores deverão cruzar dados das placas apreendidas, documentos encontrados no carro, movimentações ligadas à concessionária e registros mantidos pelo Detran.

O caso ganha dimensão justamente porque a fraude, segundo a polícia, teria conseguido ultrapassar diferentes etapas de controle. Uma motocicleta sem pagamento confirmado teria saído da concessionária já registrada no nome da suposta compradora, criando uma aparência de regularidade capaz de convencer um vendedor a liberar o veículo.

Agora, a 90ª DP tenta descobrir quantas vezes o mesmo método foi utilizado, quantas motocicletas desapareceram e quem mais teria participado de um esquema que, segundo a estimativa preliminar, pode ter deixado um rombo de cerca de R$ 3 milhões.

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