PIX, ÚLTIMA LIGAÇÃO E UM MISTÉRIO DE 3 ANOS: CASO DÉCIO É ARQUIVADO SEM RESPOSTA SOBRE PARADEIRO
Mais de três anos depois de um desaparecimento cercado por movimentações bancárias, uma ligação não atendida, mensagens, rastreamentos de celular e uma série de diligências policiais, a família de Décio de Castro Santos continua sem a resposta mais importante: onde ele está. O estudante desapareceu em 18 de janeiro de 2023, em São José dos Campos, quando tinha 23 anos. A investigação foi encerrada pela Justiça após não serem encontrados elementos suficientes para esclarecer o paradeiro do jovem, mas o procedimento poderá ser reaberto caso novas provas ou informações relevantes apareçam.
A apuração ficou sob responsabilidade da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic de São José dos Campos e percorreu diferentes caminhos ao longo dos anos. Houve quebra de sigilos telefônico e bancário, análise de movimentações financeiras, depoimentos de testemunhas, consultas em órgãos públicos e unidades de saúde e coleta de material biológico. Mesmo com o volume de diligências, a polícia não conseguiu chegar a uma resposta conclusiva sobre o que aconteceu com Décio.
O procedimento chegou a ser arquivado pela primeira vez em setembro de 2024. A família, entretanto, não desistiu. Depois de novos pedidos e da apresentação de informações que os parentes consideravam relevantes, o caso foi desarquivado em junho de 2025 e novamente em novembro daquele ano, permitindo que novas diligências fossem realizadas. Sem surgirem elementos capazes de esclarecer o desaparecimento, o Ministério Público pediu novo arquivamento, aceito pela Justiça em 11 de fevereiro de 2026.
O arquivamento não fecha definitivamente a porta para uma nova investigação. Caso surjam provas ou informações que tenham potencial para mudar o cenário atual, o desaparecimento poderá voltar a ser investigado. Para a família, essa possibilidade mantém aberta uma pequena esperança de que algum elemento ainda desconhecido possa finalmente explicar o que aconteceu.
Décio tinha 23 anos quando desapareceu e atualmente teria 27. Segundo a mãe, Sueli Leme do Nascimento, ele mantinha contato frequente com a família, conversava diariamente com parentes e amigos e não demonstrava intenção de abandonar sua rotina. Poucos dias antes de desaparecer, ainda segundo a família, o jovem havia conquistado uma bolsa integral para um cursinho preparatório e alimentava o sonho de estudar Medicina.
Uma das questões que mais intrigam a família envolve as últimas horas conhecidas de Décio. Segundo Sueli, o filho esteve com um casal antes de desaparecer. Durante a madrugada de 19 de janeiro de 2023, teriam sido registradas transferências via Pix e empréstimos bancários na conta do estudante. Conforme a mãe, as movimentações ultrapassaram R$ 2 mil e continuaram aproximadamente até as 6h. Depois desse horário, segundo ela, a conta não teria registrado novas movimentações.
A família também questiona o que teria acontecido depois do encontro. Segundo Sueli, o casal afirmou que Décio deixou o local sozinho. A mãe diz, porém, não ter encontrado registro de viagem por aplicativo de transporte que corresponda à suposta saída. Para ela, esse detalhe aumenta as dúvidas porque o jovem costumava utilizar aplicativos para seus deslocamentos.
Há ainda informações obtidas pela própria família a partir de equipamentos eletrônicos e redes sociais. Segundo Sueli, mensagens recuperadas indicariam que Décio teria sido chamado diversas vezes pelo casal antes do encontro. A mãe também afirma que a última localização conhecida do telefone celular estaria relacionada à residência dessas pessoas. Essas informações foram apresentadas à polícia, mas não há confirmação pública de que tenham permitido estabelecer responsabilidade criminal de qualquer pessoa pelo desaparecimento.
Outro ponto levantado pelos familiares envolve a possível presença de uma terceira pessoa em um veículo que teria participado dos acontecimentos daquela noite. Sueli também relata ter solicitado análise de imagens de câmeras e buscas com cães farejadores em locais onde acredita que o filho possa ter sido levado. Apesar dessas suspeitas, nenhuma delas resultou até agora na localização de Décio.
Entre todas as lembranças daquela noite, uma das mais dolorosas para a mãe é uma ligação que ficou sem resposta. Poucas horas antes de desaparecer, Décio telefonou para Sueli enquanto ela trabalhava. Ela não conseguiu atender naquele momento. Quando tentou retornar, o celular do filho já estava desligado.
Sueli afirma que esse comportamento não era comum. Segundo ela, Décio costumava insistir quando realmente queria falar e não fazia apenas uma chamada. Com o passar dos anos e sem uma explicação para o desaparecimento, a mãe passou a enxergar aquela ligação como um possível pedido de ajuda que nunca conseguiu ouvir. Trata-se de uma interpretação pessoal da família, e não de uma conclusão da investigação policial.
A mãe também afirma acreditar que o filho possa ter sido vítima de um crime depois do encontro ocorrido nas últimas horas antes do desaparecimento. Essa hipótese é sustentada pelos familiares a partir das movimentações bancárias, das mensagens recuperadas, da última localização do telefone e de outras informações reunidas ao longo dos anos. Até agora, porém, a Polícia Civil não apresentou publicamente prova suficiente para confirmar que Décio foi morto ou apontar uma pessoa como responsável por seu desaparecimento.
É justamente a falta de uma resposta concreta que mantém a família mobilizada. Não há corpo localizado, confirmação oficial de morte ou pessoa denunciada criminalmente pelo desaparecimento. O que resta são pistas que não foram suficientes para esclarecer o caso e uma mãe que continua pedindo que qualquer pessoa com alguma informação procure as autoridades.
Sueli resume a espera de mais de três anos com uma frase: “Meu filho não é invisível.” Ela afirma não buscar vingança, mas respostas. Caso o filho esteja morto, diz querer localizar o corpo para poder realizar um sepultamento digno e encerrar uma angústia que começou em janeiro de 2023.
Mesmo com o procedimento arquivado, a mãe garante que continuará procurando. Para ela, enquanto não houver uma explicação concreta sobre o paradeiro de Décio, o desaparecimento continuará aberto dentro de casa, independentemente da situação judicial do inquérito.
Qualquer nova informação relevante poderá permitir que o caso seja retomado. A família continua pedindo ajuda da população e reforça que informações sobre Décio de Castro Santos podem ser comunicadas às autoridades. A Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190 e informações também podem ser encaminhadas à Polícia Civil.


