UM DISPARO NO CENTRO: GABRIEL MORRE APÓS SER BALEADO POR PM DURANTE ABORDAGEM EM SÃO JOSÉ
Uma ocorrência que inicialmente mobilizou a Polícia Militar por causa de um homem armado com uma faca terminou em morte no centro de São José dos Campos. Gabriel Felix Araujo Kusanovich Becker, de 38 anos, morreu depois de ser atingido por um único disparo efetuado por uma policial militar na tarde de quarta-feira, 19 de agosto, durante uma abordagem na Rua Coronel José Monteiro, próximo à Avenida Engenheiro Francisco José Longo. Segundo a investigação, Gabriel teria saído repentinamente de um veículo com uma faca nas mãos e avançado contra os policiais. O tiro atingiu a região do tórax. Ele foi socorrido, mas não resistiu. Uma atualização regional informou que a morte ocorreu antes de sua entrada no Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence.
As primeiras informações divulgadas ainda na quarta-feira apontavam que quatro estudantes teriam encontrado um homem armado com uma faca e pedido ajuda ao avistarem uma viatura. Com o avanço da apuração, porém, novos detalhes do registro policial indicaram que a equipe foi acionada após relatos de populares sobre uma pessoa portando uma faca na região central. Os policiais localizaram Gabriel no interior de um veículo e deram início à abordagem. A investigação agora deverá estabelecer com precisão toda a sequência anterior ao disparo e esclarecer como os relatos iniciais se encaixam na dinâmica registrada formalmente.
Conforme a versão apresentada pelos policiais e considerada inicialmente pela autoridade policial, Gabriel teria saído do automóvel de forma repentina, segurando uma faca, e avançado em direção à equipe. A policial militar Sabrina Santos Leite efetuou um único disparo com sua arma de serviço. Gabriel foi atingido no tórax e caiu ferido. O Samu foi chamado para prestar atendimento e ele foi levado em direção ao Hospital Municipal, na Vila Industrial, mas acabou morrendo em consequência do ferimento. A identificação da policial como integrante da Polícia Militar também aparece em registros públicos anteriores da corporação.
A faca apontada pela polícia como estando nas mãos de Gabriel foi apreendida e deverá passar pelos procedimentos periciais. A arma utilizada pela policial, uma pistola Glock calibre .40, também foi recolhida para análise, assim como um cartucho deflagrado. Esses elementos serão importantes para confrontar a versão apresentada pelos agentes com os vestígios encontrados e estabelecer tecnicamente a posição dos envolvidos, a distância e outros detalhes do momento em que o disparo foi realizado.
O caso foi registrado pela Polícia Civil como morte decorrente de intervenção policial. Em uma primeira análise das circunstâncias apresentadas no plantão, o delegado responsável entendeu que havia elementos compatíveis com legítima defesa por parte da policial, razão pela qual Sabrina não foi presa em flagrante. Essa avaliação, entretanto, não encerra o caso. A morte continuará sendo investigada e a conclusão definitiva dependerá das perícias, depoimentos, exames e demais elementos reunidos durante o procedimento.
A própria classificação inicial como legítima defesa não significa que a ocorrência esteja encerrada administrativamente ou criminalmente. A Polícia Civil determinou perícia e solicitou exames necroscópico e toxicológico no corpo de Gabriel. Em ocorrências com morte decorrente de intervenção policial, a reconstrução dos fatos deve considerar os vestígios, a arma utilizada, os objetos apreendidos, os depoimentos dos agentes e testemunhas e outros elementos que possam auxiliar a esclarecer se o uso da força ocorreu nas circunstâncias relatadas.
A morte também provocou dor entre os familiares de Gabriel, que foram comunicados após o atendimento da ocorrência. O tio dele, Renato Félix de Araújo, afirmou que a família ainda tenta compreender o comportamento apresentado naquele dia. Segundo ele, uma separação recente poderia ter deixado Gabriel emocionalmente abalado, mas os familiares ainda não sabem exatamente o que aconteceu antes da abordagem. Ao falar sobre o sobrinho, Renato resumiu o sentimento da família: “Era um sobrinho amado pela família inteira.”
É importante destacar que a referência feita pelo tio à separação é apenas uma percepção familiar e não estabelece a causa do comportamento de Gabriel naquela tarde. Da mesma forma, até o momento não há resultado público do exame toxicológico ou qualquer elemento que permita afirmar que ele estivesse sob efeito de álcool, drogas ou medicamentos. Essas respostas dependerão dos exames solicitados pela Polícia Civil.
A ocorrência aconteceu em uma área movimentada da região central de São José dos Campos. A Rua Coronel José Monteiro fica próxima a importantes vias da cidade e também abriga instalações da Polícia Militar. A investigação deverá verificar se existem imagens de câmeras públicas ou particulares capazes de registrar parte da abordagem e contribuir para esclarecer os segundos que antecederam o disparo.
O caso ganhou novos contornos desde as primeiras informações divulgadas ainda na noite de quarta-feira. Inicialmente, sabia-se apenas que um homem havia sido baleado depois de supostamente ameaçar estudantes e avançar contra uma policial com uma faca. Na manhã desta quinta-feira, 20 de agosto, vieram a identidade da vítima, a confirmação da morte, o número de disparos, o local atingido, a identificação da policial e a decisão inicial do delegado sobre a atuação da agente.
Gabriel tinha 38 anos. Recebeu um único tiro no tórax e morreu após a tentativa de socorro. A policial não foi presa, porque a autoridade de plantão considerou inicialmente que ela teria agido para repelir uma agressão iminente. Agora, a faca, a pistola Glock, o cartucho deflagrado, os exames periciais e os depoimentos deverão ajudar a Polícia Civil a reconstruir toda a ocorrência e determinar definitivamente o que aconteceu naquela tarde no centro de São José dos Campos.

Foto: Reprodução/TV Vanguarda

