Quinta-feira, Agosto 20, 2026
Cidades

ARMADILHA NO CAIXA ELETRÔNICO: TRIO É PRESO COM DISPOSITIVOS PARA PRENDER CARTÕES E ENGANAR CLIENTES DA CAIXA


Um esquema montado para transformar uma simples ida ao caixa eletrônico em uma armadilha terminou com três homens presos em flagrante após uma investigação iniciada em Volta Redonda e compartilhada com policiais da Região dos Lagos. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos são investigados por integrar um grupo especializado em fraudes contra clientes da Caixa Econômica Federal. O método atribuído ao trio consistia na instalação de dispositivos capazes de provocar a retenção do cartão bancário dentro do terminal e na colocação de etiquetas com um número de telefone falso, apresentado às vítimas como se fosse um canal oficial de atendimento do banco.

A operação envolveu agentes da 93ª Delegacia de Polícia de Volta Redonda e da 124ª DP de Saquarema. O trabalho começou depois que policiais do setor de inteligência de Volta Redonda identificaram um veículo que estaria relacionado aos suspeitos e passaram a acompanhar informações sobre sua circulação. A análise indicou que o grupo, que teria vindo do estado de São Paulo, deixou a região Sul Fluminense e seguiu em direção à Região dos Lagos, levando a equipe da 93ª DP a compartilhar os dados com os investigadores de Saquarema.

Com as informações em mãos, os policiais conseguiram localizar o veículo associado ao grupo e realizar a abordagem. Durante a revista, foram encontrados materiais que reforçaram a suspeita de que os ocupantes estariam preparados para aplicar golpes em terminais bancários. Entre os objetos apreendidos estavam dispositivos que, segundo a investigação, seriam utilizados para impedir que os cartões fossem devolvidos normalmente pelos caixas eletrônicos, além de etiquetas preparadas com um número de telefone falso.

A estratégia atribuída aos criminosos explorava justamente o momento de desespero de quem acreditava ter perdido o cartão dentro da máquina. Depois que o dispositivo fazia o cartão permanecer preso, a vítima encontrava próximo ao terminal uma etiqueta contendo um suposto telefone de atendimento da Caixa Econômica Federal. Sem saber que o aviso teria sido colocado pelos próprios golpistas, o cliente poderia ligar para o número acreditando estar conversando com funcionários do banco.

Do outro lado da ligação, segundo a linha investigativa, integrantes do esquema se apresentariam como atendentes e tentariam obter informações bancárias, dados pessoais ou senhas. Enquanto a vítima acreditava estar buscando ajuda para recuperar o cartão, os suspeitos poderiam retornar ao terminal, remover o dispositivo instalado e ficar com o cartão retido. Com o cartão em mãos e as informações obtidas durante a falsa ligação, o golpe poderia abrir caminho para saques ou outras movimentações fraudulentas.

A investigação indica ainda que pessoas idosas estariam entre os alvos preferenciais do esquema, justamente por poderem apresentar maior dificuldade diante de uma situação inesperada no caixa eletrônico e recorrer mais facilmente ao número de telefone indicado no próprio terminal. A Polícia Civil agora busca estabelecer quantas vítimas podem ter sido atingidas pelo grupo, quais cidades foram percorridas pelos suspeitos e se o mesmo método foi utilizado anteriormente em outras agências.

Os três homens foram conduzidos à unidade policial após a abordagem e autuados em flagrante, permanecendo à disposição da Justiça. As identidades e idades dos presos não haviam sido divulgadas nas informações públicas disponíveis. Também não foi informado, até o momento, quanto dinheiro teria sido obtido pelo grupo, quantos clientes foram efetivamente lesados ou se cartões pertencentes a vítimas foram encontrados durante a operação.

Outro ponto que deverá ser aprofundado é a possível atuação interestadual dos suspeitos. A informação de que o grupo teria saído de São Paulo e circulado por cidades do Rio de Janeiro passou a ser analisada pelos investigadores para verificar se havia uma rota definida para a aplicação dos golpes, com deslocamentos entre diferentes municípios a fim de dificultar a identificação e a atuação das forças de segurança.

A participação da 93ª DP foi fundamental para que a abordagem acontecesse fora de Volta Redonda. Depois da identificação do veículo e da percepção de que os suspeitos haviam seguido para a Região dos Lagos, o trabalho de inteligência foi compartilhado com a 124ª DP, permitindo que policiais locais acompanhassem a movimentação e realizassem a abordagem. A prisão, portanto, foi resultado da troca de informações entre delegacias de regiões diferentes.

Os dispositivos apreendidos também poderão ajudar a Polícia Civil a compreender com maior precisão como as armadilhas eram instaladas e removidas dos equipamentos. A investigação deverá apurar ainda se os materiais encontrados já haviam sido utilizados anteriormente, quem fornecia os números falsos utilizados nas etiquetas e se outras pessoas faziam parte da estrutura responsável por atender as ligações das vítimas.

O caso serve também como alerta para clientes de bancos. Telefones encontrados em adesivos improvisados ou colocados diretamente sobre caixas eletrônicos não devem ser utilizados sem que a autenticidade seja confirmada pelos canais oficiais da instituição financeira. Senhas bancárias não devem ser fornecidas por telefone, principalmente quando a ligação ocorre após um problema inesperado com o cartão.

Para a Polícia Civil, o material encontrado durante a abordagem será importante não apenas para o flagrante, mas também para tentar identificar outros possíveis episódios semelhantes. A análise de celulares, registros de deslocamento, imagens de câmeras e demais elementos eventualmente apreendidos poderá indicar a extensão da atuação do grupo e se existem outras vítimas em Volta Redonda, na Região dos Lagos ou em outras cidades.

O que começou com uma investigação sobre um veículo suspeito em Volta Redonda terminou com três homens levados para a delegacia e uma suposta estrutura de fraude bancária exposta. A polícia agora tenta descobrir quantas pessoas foram atingidas pelo esquema e se outras peças da quadrilha continuam em atividade.

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