X-MEN DO CRIME: POLÍCIA PRENDE 10 E REVELA ESQUEMA DE EXECUÇÕES, CARROS DUBLÊ E ORDENS VINDAS DA PRISÃO
Uma investigação de longa duração da Polícia Civil terminou com dez pessoas presas em Taubaté e revelou detalhes de uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas, planejar a execução de integrantes de grupos rivais e utilizar carros adulterados em ações criminosas. A ofensiva, batizada de Operação X-Men, foi realizada na segunda-feira, 17 de agosto, pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais, a DEIC, e ainda mantém sete investigados na condição de foragidos.
Ao todo, a Justiça expediu 17 mandados de prisão preventiva contra pessoas apontadas pela investigação como integrantes da organização. As ordens foram determinadas pela 3ª Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro. Dez suspeitos foram localizados e presos durante a operação, enquanto as equipes seguem trabalhando para encontrar os outros sete procurados.
Entre as pessoas presas está uma estagiária de Direito. A presença dela entre os investigados chamou atenção durante a divulgação da operação, mas a Polícia Civil ainda não detalhou publicamente qual teria sido exatamente sua função dentro da estrutura criminosa nem o grau de participação atribuído a ela nos fatos apurados.
A Operação X-Men é resultado de uma investigação iniciada após uma forte escalada de homicídios em Taubaté. Segundo a DEIC, o município registrava uma média aproximada de 21 homicídios consumados e chegou a contabilizar 42 mortes em 2021. Parte desse aumento passou a ser relacionada pelas autoridades a uma disputa entre grupos rivais pelo domínio de áreas ligadas ao tráfico de drogas.
Com o avanço das investigações e prisões realizadas ao longo dos anos, os policiais afirmam ter conseguido mapear a estrutura da organização e compreender como os crimes teriam sido planejados. De acordo com a Polícia Civil, o grupo não se limitava à comercialização de entorpecentes e teria organizado uma estrutura destinada a eliminar adversários e ampliar seu domínio territorial.
Um dos pontos mais graves identificados pela investigação envolve a preparação de homicídios contra rivais. Segundo a DEIC, havia integrantes encarregados de estudar previamente os alvos antes das ações criminosas.
Um dos homens presos nesta etapa da operação é apontado como responsável pela logística de execuções determinadas pelas lideranças do grupo. Conforme a apuração policial, ele pesquisava informações sobre as futuras vítimas nas redes sociais, identificava os locais normalmente frequentados pelos alvos e realizava levantamentos presenciais.
As investigações indicam que o suspeito chegava a passar de carro pelos locais frequentados pelas vítimas para realizar filmagens. Os registros, endereços, hábitos e demais informações levantadas eram posteriormente organizados em uma espécie de “dossiê do crime”.
Esse material seria repassado aos integrantes responsáveis pela execução dos homicídios. Para a Polícia Civil, a existência desse levantamento prévio demonstra que parte dos assassinatos investigados teria sido planejada de maneira estruturada, com divisão de funções entre os envolvidos.
A mesma investigação aponta que esse suspeito também estaria ligado à preparação dos veículos utilizados pelos criminosos. De acordo com a polícia, integrantes da organização praticavam roubos para conseguir dinheiro destinado à compra de armas e também se apropriavam de veículos que posteriormente passavam por adulterações.
Os automóveis roubados teriam placas e outros sinais identificadores modificados para se transformarem nos chamados carros “dublê”. Esses veículos seriam utilizados durante ações criminosas e execuções e, depois dos crimes, abandonados para dificultar a identificação dos envolvidos e a reconstrução da rota utilizada pelo grupo.
Outro ponto considerado importante pelos investigadores é a forma como a organização teria continuado funcionando mesmo depois da prisão de integrantes apontados como lideranças. Segundo a Polícia Civil, o homem considerado líder do grupo e seu braço direito já estavam presos antes da operação desta segunda-feira.
Mesmo de dentro do sistema prisional, eles teriam conseguido manter contato com integrantes que permaneciam em liberdade. A investigação aponta que cartas eram utilizadas para transmitir orientações e ordens aos comparsas do lado de fora.
Essas mensagens passaram a fazer parte do conjunto de elementos reunidos pela DEIC para demonstrar a continuidade da atuação do grupo mesmo após prisões anteriores. A Polícia Civil trabalha agora para estabelecer quais ordens foram efetivamente transmitidas, quem teria recebido essas determinações e quais crimes podem estar relacionados a essa comunicação.
O próprio nome da operação surgiu de uma estratégia atribuída aos integrantes investigados. Segundo a DEIC, suspeitos utilizavam apelidos inspirados em personagens da franquia X-Men como forma de dificultar a identificação e a compreensão das conversas durante as investigações.
A utilização dos codinomes, entretanto, não impediu o avanço do trabalho policial. Ao longo da apuração, os investigadores conseguiram relacionar apelidos, funções e pessoas que fariam parte da organização, chegando aos 17 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça.
A operação contou com equipes da DEIC de Taubaté e apoio do 1º e do 4º Distritos Policiais do município, além da Guarda Civil Municipal. As forças de segurança realizaram diligências para localizar os investigados e cumprir as ordens judiciais.
Para a Polícia Civil, a Operação X-Men representa o encerramento de uma etapa importante da investigação iniciada após a onda de homicídios de 2021. O trabalho, entretanto, ainda não terminou.
Sete investigados permanecem procurados e as equipes continuam realizando diligências para localizá-los. A Polícia Civil também poderá aprofundar a análise de celulares, documentos, comunicações e outros materiais obtidos durante a investigação para identificar possíveis novos envolvidos.
Até a manhã desta terça-feira, 18 de agosto, não havia informação pública confirmando a captura de algum dos sete foragidos. Também não haviam sido divulgados os nomes dos dez presos nem detalhes completos sobre a participação individual atribuída a cada investigado.
A Polícia Civil afirma que as investigações permitiram reconstruir a estrutura de um grupo suspeito de combinar tráfico de drogas, obtenção de armas, preparação de veículos adulterados e planejamento de assassinatos de rivais. Caberá agora ao andamento do processo e à Justiça analisar as provas reunidas e definir a responsabilidade criminal de cada investigado.


