FINGIU ESTAR MORTO PARA VIVER: HOMEM LEVA FACADAS, É ESPANCADO E SE ARRASTA POR 700 METROS APÓS EMBOSCADA DA EX EM SÃO JOSÉ
Fingir que estava morto foi a última alternativa encontrada por Adriano Nilo Cândido para sobreviver a uma emboscada dentro da própria casa, em São José dos Campos. Depois de ser atingido por diversas facadas, chutes, tapas e pisões, o homem permaneceu imóvel até convencer os agressores de que havia morrido. Gravemente ferido, ele ainda conseguiu fugir pelos fundos do imóvel e percorreu aproximadamente 700 metros, parte do caminho se arrastando, até encontrar ajuda.
A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira, dia 31, os dois últimos investigados pelo ataque registrado no Jardim Santa Luzia. Os homens foram encontrados no bairro Jardim Santa Cecília após uma denúncia anônima recebida pelos investigadores. A ex-companheira da vítima, apontada como participante da ação, já havia sido presa pela Polícia Militar na quinta-feira, dia 30.
Com as novas capturas, os três suspeitos identificados durante a investigação ficaram presos. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, com direito à defesa e ao contraditório.
O crime aconteceu na noite de 31 de outubro de 2025. Adriano retornava do trabalho em uma oficina mecânica quando percebeu que o portão da garagem de sua residência estava aberto. As luzes da casa estavam apagadas e a porta permanecia destrancada.
Sem imaginar que havia uma armadilha preparada dentro do imóvel, ele entrou e caminhou até um dos quartos. Foi nesse momento que dois homens, que estavam escondidos na residência, o atacaram pelas costas.
Segundo a investigação, Adriano recebeu várias facadas, principalmente na região das costas. Mesmo depois de cair, as agressões continuaram. Ele foi atingido com chutes, tapas e pisões na cabeça, no rosto, no tórax e no abdômen, sem condições de reagir ou se defender.
A Polícia Civil afirma que a ex-companheira permaneceu dentro da casa durante toda a ação. Conforme o inquérito, ela teria incentivado os comparsas a continuar as agressões e chegou a verificar se Adriano ainda respirava.
Ao perceber que a vítima continuava viva, a mulher teria alertado os dois homens, que retomaram o ataque. Foi nesse momento que Adriano decidiu parar completamente de reagir e fingir que estava morto.
A estratégia foi decisiva. Convencidos de que haviam concluído o assassinato, os investigados interromperam as agressões. Antes de deixar o imóvel, eles levaram o telefone celular, a carteira e aproximadamente R$ 1 mil que pertenciam à vítima.
Adriano permaneceu imóvel até perceber que estava sozinho. Mesmo com diversas perfurações e ferimentos graves pelo corpo, ele reuniu forças para sair pelos fundos da residência e iniciar uma busca desesperada por socorro.
Durante o trajeto, a vítima alternou momentos em que conseguia caminhar com outros em que precisava se arrastar. Foram cerca de 700 metros até alcançar outra casa e conseguir pedir ajuda.
O homem foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal de São José dos Campos, onde permaneceu internado durante cinco dias. A gravidade dos ferimentos exigiu intervenção cirúrgica.
O laudo pericial apontou múltiplas lesões provocadas por arma branca e pelas agressões físicas. Os ferimentos atingiram o crânio, a face, o tórax, o abdômen e a região lombar. Parte das lesões foi classificada como grave e apresentava risco de morte.
Para os investigadores, a tentativa de homicídio somente não foi consumada porque Adriano conseguiu enganar os agressores e procurar ajuda imediatamente após a fuga do trio.
A forma como a residência foi encontrada também reforçou a suspeita de que o ataque havia sido planejado. O portão aberto, as luzes apagadas, a porta destrancada e a presença dos dois homens escondidos dentro da casa foram considerados elementos compatíveis com uma emboscada preparada para surpreender a vítima e impedir qualquer possibilidade de defesa.
A continuidade das agressões quando Adriano já estava caído também levou a Polícia Civil a apontar o emprego de meio cruel. Segundo a investigação, os golpes não pararam mesmo quando a vítima estava ferida, imobilizada e sem condições de reagir.
Após o ataque, a Polícia Civil iniciou diligências para identificar e localizar os envolvidos. A ex-companheira foi presa primeiro. Com a continuidade das buscas e o recebimento de informações anônimas, os outros dois suspeitos foram encontrados no Jardim Santa Cecília.
As prisões foram realizadas por equipes policiais que investigavam o caso. Os homens foram conduzidos para os procedimentos de polícia judiciária e permaneceram à disposição da Justiça.
As atualizações mais recentes indicam que os investigados deverão responder por tentativa de homicídio qualificado, diante das circunstâncias de emboscada e meio cruel, além do crime relacionado ao roubo dos pertences da vítima. A classificação jurídica definitiva dependerá da denúncia apresentada pelo Ministério Público e das decisões tomadas durante o processo.
Os nomes e as idades dos dois homens presos não foram divulgados. A Polícia Civil também não informou se o celular, a carteira e o dinheiro levados da residência foram recuperados.
A motivação atribuída à ex-companheira e o papel individual de cada investigado ainda serão detalhados no andamento do processo. Até a divulgação das informações, as defesas dos três presos não haviam sido localizadas para comentar as acusações.


