Sexta-feira, Julho 24, 2026
Cidades

PLANTÃO TERMINA EM PRISÃO: ENFERMEIRO É FLAGRADO COM MEDICAMENTOS E 31 RECEITUÁRIOS DA FUSAM EM CAÇAPAVA


Uma denúncia anônima, uma abordagem no estacionamento e dezenas de medicamentos retirados sem o devido registro transformaram o encerramento de um plantão em caso de polícia na FUSAM, em Caçapava. Um enfermeiro de 42 anos, contratado por uma empresa prestadora de serviços, foi preso em flagrante na manhã de quarta-feira (22), sob suspeita de manter fora do ambiente hospitalar medicamentos, materiais de atendimento e receituários pertencentes ou relacionados à instituição.

A abordagem aconteceu por volta das 7h10, logo após o término do plantão do profissional. Segundo as informações registradas na ocorrência, a diretoria assistencial da FUSAM recebeu uma denúncia informando que o enfermeiro estaria guardando medicamentos do hospital em uma bolsa particular. A situação foi comunicada à presidência da fundação, que solicitou o apoio da Guarda Civil Municipal de Caçapava.

Os agentes acompanharam a movimentação do profissional e aguardaram o momento em que ele deixaria o hospital. A abordagem foi realizada no estacionamento da instituição, localizada na região central da cidade. O histórico policial menciona a abertura voluntária de uma mochila, enquanto outro depoimento e a manifestação oficial da administração municipal indicam que produtos também foram encontrados no veículo utilizado pelo enfermeiro.

De acordo com o relato de um dos guardas, o profissional colaborou com a equipe durante todo o procedimento. Não houve necessidade do uso de algemas. Representantes da FUSAM acompanharam a conferência dos materiais para verificar a origem dos produtos e confirmar se eles faziam parte do estoque da instituição.

A diretora assistencial e uma farmacêutica reconheceram os medicamentos como itens utilizados pelo hospital. Parte dos produtos, segundo o boletim, era destinada ao uso restrito em ambiente hospitalar, enquanto outras substâncias exigiam controle específico de retirada, armazenamento e administração.

A relação elaborada pela Polícia Civil reuniu 31 registros de medicamentos. Como alguns produtos apareciam mais de uma vez no auto, o total chegou a 54 unidades. Entre os itens estavam norepinefrina, tramadol, dipirona, ácido tranexâmico, fenitoína, ondansetrona, escopolamina, furosemida e cloreto de potássio.

Também foram localizados antibióticos injetáveis, como meropenem, cefepima, ceftriaxona e clindamicina, além de comprimidos, frascos e tubos de produtos utilizados em procedimentos médicos. Alguns dos medicamentos encontrados são empregados em atendimentos de emergência ou necessitam de prescrição e controle rigoroso.

Além dos medicamentos, a apreensão incluiu seringas, agulhas, cateteres do tipo Jelco, dispositivos do tipo scalp, tiras utilizadas em testes de glicemia e lancetas. Esses materiais também tiveram a origem verificada por representantes da instituição.

Outro ponto que passou a ser investigado foi a localização de 31 receituários médicos. Os documentos continham carimbos cujas circunstâncias de utilização ainda deverão ser esclarecidas. Eles permaneceram vinculados à investigação para a realização de exames, conferência de assinaturas, datas, preenchimentos e identificação dos profissionais mencionados.

Após os procedimentos legais, os medicamentos foram devolvidos à FUSAM por meio de um termo de restituição. Os receituários e demais documentos que necessitam de análise continuaram sob responsabilidade das autoridades policiais.

A restituição dos produtos ao hospital reduz o impacto imediato sobre o estoque, mas não encerra a apuração. A instituição poderá conferir os lotes, as datas de validade, os setores de origem, os registros de dispensação e eventuais diferenças entre o material disponível e as informações existentes no sistema da farmácia hospitalar.

Em depoimento, o enfermeiro confirmou que os medicamentos estavam sob sua posse. Ele afirmou que trabalhava na FUSAM por meio de uma empresa terceirizada e declarou que mantinha os produtos disponíveis para eventual utilização em situações de emergência durante os plantões.

O profissional alegou que existiriam dificuldades burocráticas para a reposição de determinados materiais durante os atendimentos. Ele reconheceu que não realizava o registro adequado da retirada, mas negou que tivesse intenção de vender os medicamentos ou obter qualquer vantagem pessoal.

A versão apresentada será confrontada com as escalas de serviço, os controles da farmácia, os registros de movimentação dos produtos, possíveis imagens internas e os depoimentos de outros profissionais da unidade.

Sobre os receituários, o enfermeiro afirmou que médicos deixavam documentos previamente carimbados para posterior preenchimento durante os plantões. Segundo sua declaração, as assinaturas nem sempre eram realizadas pelos próprios médicos.

A afirmação ainda não foi confirmada. A Polícia Civil deverá ouvir os profissionais cujos nomes e carimbos aparecem nos papéis e analisar individualmente os documentos antes de concluir se houve falsificação, uso irregular ou qualquer outra conduta criminosa.

A autoridade policial considerou inicialmente que o enfermeiro prestava serviços a uma instituição municipal e estava com produtos do estoque hospitalar fora do ambiente de trabalho, sem autorização e sem os registros necessários. Com base nos depoimentos dos guardas, da diretora assistencial, da farmacêutica e do próprio profissional, foi formalizada a prisão em flagrante por suspeita de peculato.

O caso também apresenta referência a uma possível falsificação de documento público, mas esse ponto continua em investigação. Não é possível afirmar, neste momento, que os receituários sejam falsos ou que médicos tenham participado de alguma irregularidade.

A Polícia Civil deverá solicitar imagens, comparar os produtos encontrados com os controles da farmácia, verificar há quanto tempo os medicamentos estavam fora do estoque e apurar se ocorreram outras retiradas sem registro. A investigação também poderá analisar os protocolos utilizados para impedir que materiais hospitalares deixem a instituição sem a correspondente baixa no sistema.

Em nota, a Prefeitura de Caçapava informou que a própria FUSAM acionou a Guarda Civil Municipal assim que recebeu a denúncia. A administração declarou que está colaborando integralmente com as autoridades e disponibilizando as informações e os documentos necessários para o esclarecimento dos fatos.

A prisão em flagrante não representa condenação. O enfermeiro terá direito à defesa durante o inquérito e em eventual processo judicial. A classificação jurídica poderá ser modificada conforme o resultado das perícias, dos depoimentos e das demais provas reunidas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!