Quarta-feira, Julho 22, 2026
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GRITO DE MÃE INTERROMPE JÚRI DE YURI: AO VER LESÕES DO FILHO, ELA CHAMA RÉU DE “MONSTRO” E PARTE PARA CIMA DELE


O julgamento de Igor Ortiz, acusado de homicídio e tortura contra o menino Yuri, de apenas 2 anos, foi marcado por uma cena de forte emoção na manhã desta quarta-feira, dia 22 de julho de 2026, no Fórum de Taubaté. Durante o depoimento da mãe da criança, a sessão precisou ser interrompida depois que ela viu fotografias das lesões sofridas pelo filho, chamou o réu de “monstro” e correu em sua direção.

A confusão aconteceu quando a promotora de Justiça apresentou aos sete jurados imagens reunidas durante a investigação. Entre elas estavam fotografias que mostravam os ferimentos encontrados no corpo de Yuri. Visivelmente abalada, a mãe começou a chorar diante do material exibido no plenário.

Em seguida, ela olhou para Igor Ortiz, gritou “monstro” e avançou contra o acusado, chegando a desferir um chute. Agentes da Polícia Penal e integrantes da segurança do Fórum intervieram imediatamente para impedir que a situação se agravasse.

Diante do tumulto, o juiz determinou a suspensão do julgamento por aproximadamente dez minutos. Igor foi retirado temporariamente do plenário, enquanto a ordem era restabelecida e os trabalhos do Tribunal do Júri permaneciam interrompidos.

Após a retomada da sessão, a mãe conseguiu concluir seu depoimento. O réu voltou ao plenário para acompanhar a continuidade do julgamento, que prosseguiu com a oitiva das demais testemunhas convocadas pela acusação e pela defesa.

A mãe voltou a se manifestar pouco depois, durante o depoimento de uma tia de Igor Ortiz, que também trabalhava como babá de Yuri. Para evitar uma nova interrupção, o juiz determinou que ela fosse retirada do plenário, permitindo que a testemunha terminasse de responder às perguntas.

Cinco testemunhas foram ouvidas durante a primeira parte do julgamento. Prestaram depoimento um amigo do acusado, o médico que recebeu a criança no Hospital Regional do Vale do Paraíba, um investigador da Delegacia Especializada de Investigações Criminais, a mãe de Yuri e a tia de Igor que cuidava do menino.

O primeiro a falar aos jurados foi um amigo do réu. Ele contou que, no dia da morte, foi até um bar para chamar Igor, pois os dois teriam combinado de fumar maconha na residência. Quando chegou ao imóvel, encontrou Yuri aparentemente dormindo.

Segundo a testemunha, algum tempo depois Igor disse que daria banho na criança. Na sequência, o acusado teria saído da casa pedindo ajuda e afirmando que Yuri havia caído dentro do banheiro.

O amigo declarou que correu até uma casa próxima para chamar uma tia do menino. Quando voltou, encontrou Yuri desacordado, com sangue saindo pelo nariz e diversas marcas roxas espalhadas pelo corpo.

O médico responsável pelo atendimento no Pronto Socorro também prestou depoimento. Ele afirmou que Yuri chegou à unidade em parada cardiorrespiratória depois de ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

A equipe médica realizou manobras de reanimação durante mais de uma hora, mas a criança não resistiu. Conforme o profissional, a causa da morte foi um traumatismo craniano grave.

O médico também informou que Yuri apresentava várias lesões pelo corpo. Na avaliação clínica apresentada aos jurados, parte dos ferimentos não teria sido provocada somente no dia da morte, mas ao longo de semanas ou até meses.

Questionado pelo juiz sobre a possibilidade de o traumatismo ter sido causado por uma queda ou outro acidente doméstico, o profissional respondeu que não. Segundo ele, o hematoma encontrado na cabeça era compatível com um impacto de grande intensidade causado por forte ação contundente.

O investigador da Deic responsável pelo caso também foi ouvido. Durante o depoimento, ele afirmou que a Polícia Civil identificou contradições e incompatibilidades nas versões apresentadas por Igor Ortiz no decorrer da investigação.

De acordo com o policial, os elementos reunidos levaram os investigadores a considerar que o acusado teria chamado o amigo até a residência para tentar criar um álibi quando Yuri já estaria gravemente ferido. Essa é a conclusão apresentada pela investigação e será analisada pelos jurados ao lado dos argumentos da defesa.

O investigador declarou ainda que os laudos e demais provas afastaram, na avaliação da Polícia Civil, a versão inicial de um acidente doméstico. A acusação sustenta que o menino sofreu agressões e foi submetido a atos de tortura antes de morrer.

Em seu depoimento, a mãe de Yuri relatou que estava trabalhando quando recebeu a informação de que algo havia acontecido com o filho. Foi durante essa oitiva que as fotografias das lesões foram apresentadas e ocorreu a interrupção do julgamento.

A última testemunha ouvida durante a manhã foi uma tia de Igor Ortiz, que também atuava como babá do menino. No plenário, ela afirmou que nunca presenciou agressões contra Yuri.

A promotora, porém, destacou uma declaração atribuída à testemunha durante o inquérito policial. Na ocasião, ela teria afirmado que Yuri demonstrava medo do padrasto e chorava quando o via. A informação não foi repetida durante o depoimento no Tribunal do Júri.

Depois da oitiva das cinco testemunhas, o juiz determinou um intervalo para o almoço. A previsão era de que a sessão fosse retomada por volta das 13h30 para o interrogatório de Igor Ortiz.

O réu terá a oportunidade de apresentar sua versão diretamente ao Conselho de Sentença e responder às perguntas autorizadas durante o julgamento. Após o interrogatório, Ministério Público e defesa iniciarão os debates.

Terminadas as manifestações da acusação e dos advogados, os sete jurados serão encaminhados para votar os quesitos formulados pelo juiz. As respostas definirão se Igor Ortiz será condenado ou absolvido das acusações de homicídio e tortura.

A expectativa é de que o julgamento seja concluído ainda nesta quarta-feira, com a leitura da sentença após a votação dos jurados. Até a decisão final, Igor deve ser tratado como acusado, já que a responsabilidade criminal será definida pelo Tribunal do Júri.

Foto: Marcelo Caltabiano

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