Segunda-feira, Julho 20, 2026
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“PRETO LIXO” E “MACACO”: TORCEDOR DENUNCIA INJÚRIA RACIAL DE ÁRBITRO ASSISTENTE DURANTE JOGO EM TAUBATÉ


Uma partida válida pela Segunda Divisão do Campeonato Amador de Taubaté terminou em caso de polícia após dois torcedores denunciarem que foram vítimas de injúria racial durante uma confusão envolvendo a equipe de arbitragem. O episódio aconteceu no domingo, dia 19, no campo localizado no bairro Cidade Jardim, durante o confronto entre Rodoviário e Atlético Bonfim.

O homem acusado é Pedro Raimundo Marques, de 67 anos, que trabalhava como árbitro assistente, popularmente conhecido como bandeirinha. Ele foi conduzido ao Plantão Policial de Taubaté e preso em flagrante após os relatos apresentados pelas vítimas e por testemunhas. Pedro passou por audiência de custódia na segunda-feira, dia 20, e recebeu liberdade provisória.

Um dos torcedores que denunciou o caso foi Leandro de Oliveira. Em entrevista à TV Vanguarda, ele afirmou que o árbitro assistente teria utilizado expressões como “preto lixo” e “macaco” durante uma discussão ocorrida à margem do campo. Segundo Leandro, as ofensas foram dirigidas contra ele e outro torcedor que acompanhava a partida.

Leandro relatou que os torcedores foram questionar uma decisão tomada durante o jogo quando a discussão começou. Conforme a versão apresentada por ele, além dos xingamentos, Pedro teria afirmado que era branco enquanto dirigia palavras de conteúdo racial aos torcedores.

O torcedor afirmou que nunca havia passado por uma situação semelhante e que ficou sem reação diante das palavras que teriam sido pronunciadas. Segundo Leandro, o episódio causou forte abalo emocional e um sentimento difícil de expressar.

A confusão teria começado após uma decisão da arbitragem durante o segundo tempo. O Atlético Bonfim marcou um gol e o árbitro principal correu em direção ao centro do campo, indicando inicialmente a validação do lance. O árbitro assistente, entretanto, teria permanecido parado e posteriormente apontado impedimento após reclamações de jogadores do Rodoviário.

Com a anulação do gol, integrantes da torcida do Atlético Bonfim passaram a protestar contra a decisão. De acordo com a versão apresentada pelos policiais militares ouvidos na delegacia, alguns torcedores dirigiram xingamentos e expressões depreciativas contra a equipe de arbitragem, incluindo a palavra “lixo”.

As vítimas afirmaram que, em resposta às manifestações, Pedro Raimundo teria pronunciado a frase: “Pelo menos sou lixo branco e não lixo preto”. Os torcedores também relataram outras expressões de conteúdo racial, que passaram a ser investigadas pelas autoridades responsáveis.

Em depoimento, o árbitro assistente admitiu ter xingado um dos torcedores, mas negou ter utilizado palavras discriminatórias ou feito qualquer declaração de caráter racial. Ele alegou que estava sendo alvo de agressões verbais por parte da torcida e afirmou que reagiu durante a discussão.

Pedro também teria admitido que simulou uma ameaça envolvendo uma arma para tentar se defender da situação. Apesar da menção, não há informação de que alguma arma de fogo tenha sido localizada ou apreendida durante a ocorrência.

A Polícia Militar conduziu Pedro Raimundo, os dois torcedores que se apresentaram como vítimas e uma testemunha ao Plantão Policial de Taubaté. Após a análise dos relatos, a prisão em flagrante foi ratificada pelos crimes de injúria racial e ameaça. O caso deverá ser investigado pela Polícia Civil por meio do 3º Distrito Policial de Taubaté.

Durante a audiência de custódia realizada na segunda-feira, dia 20, a Justiça concedeu liberdade provisória ao árbitro assistente. A decisão não representa o encerramento da investigação ou o julgamento do caso. Pedro continuará respondendo às apurações relacionadas às acusações apresentadas pelos torcedores.

A Liga Municipal de Futebol de Taubaté não se posicionou diretamente sobre os questionamentos feitos pela imprensa, mas publicou uma nota oficial repudiando o episódio. A entidade afirmou que manifestações racistas e qualquer outra forma de discriminação são inaceitáveis e não serão toleradas dentro das competições organizadas pela Liga.

A nota também informou que os fatos serão apurados com rigor e encaminhados ao Tribunal de Justiça Desportiva e aos demais órgãos competentes. Com isso, além da investigação criminal, o árbitro assistente poderá ser submetido a um procedimento na esfera esportiva.

O Atlético Bonfim também se manifestou e repudiou os episódios de racismo, ameaça e intimidação que, segundo o clube, teriam sido sofridos pelo torcedor. A equipe declarou que espera a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.

O Rodoviário Cidade Jardim foi procurado pela reportagem da TV Vanguarda, mas o presidente do clube não havia retornado o contato até a última atualização. A Defensoria Pública, responsável pela defesa de Pedro Raimundo Marques, também foi acionada, mas não havia apresentado manifestação pública sobre o caso.

A partida foi interrompida antes do término depois que jogadores demonstraram resistência em continuar o confronto com o árbitro assistente em campo. A Liga Municipal de Futebol de Taubaté deverá analisar a súmula, os relatos dos envolvidos e as regras da competição para decidir qual será o desfecho esportivo do jogo.

O torcedor Leandro de Oliveira relatou ofensas raciais proferidas pelo árbitro no Campeonato Amador de Taubaté — Foto: Gabriel Guimarães/TV Vanguarda

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