Sábado, Julho 18, 2026
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DOIS TIROS DENTRO DA CAMINHONETE: POLÍCIA APONTA RESCISÃO COMO POSSÍVEL MOTIVO DA MORTE DE BERENICE


A investigação sobre a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, ganhou novos elementos após a Polícia Civil confirmar que a caminhonete pertencente à empresária Eliane Alves dos Santos apresentava marcas de pelo menos dois disparos de arma de fogo. Segundo os investigadores, os tiros foram efetuados de dentro para fora do veículo, onde também foi encontrada uma grande quantidade de sangue humano.

Eliane, de 46 anos, está presa temporariamente por suspeita de envolvimento no desaparecimento e na morte da cozinheira. A prisão tem caráter investigativo e não representa condenação. A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais para estabelecer a dinâmica completa do crime e definir as responsabilidades de todos os envolvidos.

De acordo com o delegado Tadeu Ricardo de Castro, um dos responsáveis pelas apurações, a direção dos disparos enfraquece a hipótese de que um único tiro acidental tenha ocorrido dentro da caminhonete. Os vestígios apontam para pelo menos dois disparos efetuados no interior do veículo.

A polícia ainda não confirmou se os projéteis atingiram Berenice. Os exames realizados no corpo deverão verificar a existência de ferimentos provocados por arma de fogo e a possível presença de projéteis. Caso os tiros tenham atingido a vítima sem atravessar o corpo, os projéteis poderão ser encontrados durante a necropsia. Outra possibilidade analisada é que tenham sido retirados ou descartados posteriormente.

O Instituto de Criminalística informou aos investigadores que o material localizado na caminhonete é sangue humano. Apesar da confirmação, os exames de DNA ainda deverão apontar se o sangue pertence a Berenice. O resultado será comparado com o material genético da cozinheira e de seus familiares.

A principal linha de investigação para a motivação do crime envolve uma divergência sobre a rescisão do contrato de trabalho de Berenice. Conforme as informações reunidas pela Polícia Civil, a cozinheira pretendia encerrar o vínculo de forma amigável e receber aproximadamente R$ 4 mil.

A empresária teria declarado que pagou cerca de R$ 900 em dinheiro. No entanto, não teria apresentado recibo ou qualquer outro documento que comprovasse a entrega do valor. A diferença entre o que Berenice esperava receber e o pagamento relatado pela patroa passou a ser analisada como possível motivo para uma discussão.

A Polícia Civil considera a questão trabalhista a primeira hipótese de motivação surgida durante o inquérito. Outras possibilidades não foram descartadas e poderão ser incluídas na investigação caso novos elementos sejam encontrados.

Berenice desapareceu no dia 30 de junho, após deixar o restaurante onde trabalhava em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A cozinheira foi vista entrando na caminhonete da empresária, que posteriormente apresentou informações sobre o local onde teria deixado a funcionária.

As declarações passaram a ser questionadas depois que imagens de câmeras de monitoramento e registros de radares indicaram o deslocamento da caminhonete em direção ao estado do Rio de Janeiro. A partir desses dados, a Polícia Civil ampliou as buscas para regiões entre Ubatuba, Paraty e Angra dos Reis.

O corpo de Berenice foi encontrado na sexta-feira, dia 17 de julho de 2026, em uma área de mata na localidade de Serra d’Água, em Angra dos Reis. O ponto estava dentro do perímetro traçado pelos investigadores com base no caminho atribuído à caminhonete.

A retirada mobilizou policiais civis, integrantes do Grupo de Pronta Resposta do 3º Batalhão de Ações Especiais de Polícia e equipes do Corpo de Bombeiros. O trabalho foi dificultado pelas condições do terreno e pelo acesso à área onde o corpo estava.

O filho da cozinheira realizou o reconhecimento inicial por meio de uma tatuagem. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, onde permanece submetido aos procedimentos necessários para a identificação técnica e para a determinação da causa da morte.

Além do reconhecimento familiar, os peritos deverão utilizar exames de impressão digital, análise da arcada dentária ou comparação genética, caso esses procedimentos sejam necessários. O estado do corpo poderá influenciar o tempo necessário para a conclusão da identificação oficial.

A análise necroscópica também deverá verificar a existência de lesões, ferimentos provocados por disparos e outros vestígios capazes de indicar como Berenice morreu. Os resultados serão comparados com as marcas encontradas na caminhonete e com as armas apreendidas durante a investigação.

A Polícia Civil também apura a possibilidade de que pelo menos uma segunda pessoa tenha participado da ocultação do corpo. Os investigadores buscam esclarecer se alguém acompanhou a empresária durante o deslocamento, ajudou no transporte da vítima ou participou do abandono do corpo na área de mata.

A investigação tenta ainda determinar se outro veículo foi utilizado e quem esteve com a caminhonete no período entre o desaparecimento de Berenice e a localização do corpo. Imagens de monitoramento, dados de localização e registros de radares deverão ajudar na reconstrução do trajeto.

Durante o cumprimento de mandados, armas de fogo, aparelhos celulares e veículos foram apreendidos. Os equipamentos eletrônicos passarão por perícia para recuperar mensagens, ligações, arquivos e dados de localização que possam revelar contatos mantidos antes e depois do desaparecimento.

Eliane deverá prestar um novo depoimento nos próximos dias. A empresária poderá ser questionada sobre os disparos encontrados na caminhonete, a presença de sangue no veículo, as divergências relacionadas à rescisão trabalhista e o percurso identificado pelos investigadores.

A prisão temporária poderá ser reavaliada pela Justiça conforme o avanço das apurações. A Polícia Civil deverá decidir, após a conclusão dos laudos e das demais diligências, se solicitará a conversão da medida em prisão preventiva.

Os próximos passos incluem a identificação oficial do corpo, o resultado do DNA do sangue encontrado na caminhonete, a análise balística das armas apreendidas, a conclusão da necropsia e a investigação sobre a possível participação de outras pessoas na ocultação do cadáver.

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