JUSTIÇA POR YURI: PADRASTO ACUSADO PELA MORTE DO MENINO DE 2 ANOS VAI A JÚRI EM TAUBATÉ
O padrasto acusado pela morte do menino Yuri, de apenas 2 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri na próxima quarta-feira, dia 22 de julho de 2026, no Fórum de Taubaté. A sessão colocará diante dos jurados um caso que começou apresentado como possível acidente doméstico, mas passou a ser tratado como homicídio após a Polícia Civil identificar contradições nos depoimentos e incompatibilidades entre a versão do acusado e os resultados dos exames periciais.
Yuri morreu no dia 13 de fevereiro de 2025. A criança deu entrada no Hospital Regional do Vale do Paraíba em parada cardiorrespiratória, depois de sofrer um grave traumatismo craniano. Durante o atendimento, a equipe médica também identificou diversas lesões espalhadas pelo corpo do menino, algumas aparentemente produzidas em momentos diferentes, situação que levantou suspeitas de violência.
A primeira versão apresentada pelo padrasto indicava que Yuri teria sofrido uma queda no banheiro enquanto tomava banho. Segundo o relato, a criança estava passando mal e vomitando, motivo pelo qual ele teria decidido levá-la para o banho. O homem afirmou que saiu por alguns instantes para buscar uma toalha e, quando retornou, encontrou o menino machucado e com sangramento.
As circunstâncias narradas pelo padrasto, no entanto, começaram a ser questionadas durante a investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais de Taubaté. Os policiais analisaram os depoimentos, os vestígios encontrados na residência e as conclusões médicas sobre as lesões apresentadas pela criança.
Uma reprodução simulada dos fatos foi realizada para verificar se a queda descrita pelo acusado poderia explicar os ferimentos encontrados em Yuri. Conforme a investigação, o resultado indicou que a versão do acidente doméstico não era compatível com o conjunto de provas reunido no inquérito.
O laudo necroscópico apontou que a morte foi provocada por traumatismo craniano associado a múltiplas lesões. A apuração também identificou sinais considerados compatíveis com agressões e tortura. Roupas da criança contendo manchas de sangue foram apreendidas e incorporadas ao material analisado pela Polícia Científica.
Na época da morte, Yuri morava com a mãe e o padrasto. A mãe contou aos investigadores que estava trabalhando quando recebeu a informação de que o filho havia caído no banheiro e não acordava. Ela afirmou que acreditava que a criança estivesse sob os cuidados de uma babá que vivia na casa da frente, dentro do mesmo terreno.
Em depoimento, a mãe declarou não saber por qual motivo Yuri estava sob a responsabilidade do companheiro naquele momento. Após a morte do filho, ela rompeu o relacionamento e passou a afirmar que acreditava na responsabilidade do então companheiro pelo ocorrido.
A mulher também relatou que o padrasto demonstrava ciúmes de Yuri e que o relacionamento era marcado por discussões relacionadas à criança. Essas declarações deverão ser apresentadas e avaliadas durante o julgamento, juntamente com os demais depoimentos e elementos periciais.
A babá informou à polícia que o menino não havia sido levado até sua residência naquele dia, apesar de normalmente permanecer sob seus cuidados. Segundo o relato, o padrasto disse que Yuri estava vomitando e que daria banho nele. Pouco tempo depois, teria aparecido dizendo que a criança havia caído e batido o rosto no chão.
A testemunha também declarou que Yuri chorava e demonstrava medo quando o padrasto se aproximava, embora tenha afirmado que nunca presenciou diretamente uma agressão. O depoimento passou a integrar o conjunto de informações analisado pelos investigadores.
Outro homem que esteve na residência contou que foi chamado pelo acusado e encontrou Yuri deitado. Segundo a testemunha, o padrasto afirmou que a criança estava doente e seria levada para o banho. Momentos depois, ele teria saído do banheiro dizendo que o menino havia caído.
A mesma testemunha relatou ter visto sangue saindo do nariz de Yuri enquanto eram realizadas tentativas de reanimação. A criança foi levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Durante os depoimentos, o padrasto negou ter agredido Yuri. Ele admitiu que gritava com a criança em algumas ocasiões, mas atribuiu as lesões anteriores a quedas e brincadeiras com o cachorro da família. A defesa poderá retomar essa versão diante dos jurados e questionar as conclusões apresentadas pela acusação.
Com o avanço do inquérito, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do investigado. O mandado foi autorizado pela Justiça, mas o acusado não foi localizado inicialmente e passou a ser considerado foragido.
Ele foi encontrado posteriormente no bairro Araretama, em Pindamonhangaba, durante uma ocorrência relacionada ao tráfico de drogas. Na ocasião, além dos procedimentos referentes ao flagrante, os policiais cumpriram o mandado de prisão expedido dentro da investigação sobre a morte de Yuri.
No Tribunal do Júri, a acusação deverá apresentar os laudos médicos e necroscópicos, os resultados da reprodução simulada, as roupas apreendidas, os depoimentos das testemunhas e as contradições apontadas durante a apuração. A defesa terá a oportunidade de contestar as provas e apresentar seus argumentos ao Conselho de Sentença.
Os jurados deverão decidir se o padrasto é culpado ou inocente pelas acusações relacionadas à morte da criança. Até a decisão do Tribunal do Júri, ele deve ser tratado como acusado, já que não existe condenação definitiva pelo caso.
A sessão está prevista para acontecer no Fórum de Taubaté. O julgamento deverá reconstruir os acontecimentos que antecederam a morte de Yuri e analisar se as lesões encontradas no menino são compatíveis com a versão de uma queda acidental ou com a acusação de violência apresentada no processo.

