JÚRI CONDENA TRIO A MAIS DE 49 ANOS POR EXECUÇÃO DE MOTORISTA DE APLICATIVO EM UBATUBA
Três homens foram condenados pelo Tribunal do Júri de Ubatuba pelo assassinato do motorista de aplicativo Willian Germano da Silva e pela ocultação do corpo da vítima. O julgamento foi realizado na quinta-feira, dia 16 de julho de 2026, e terminou com penas que, somadas, chegam a 49 anos e quatro meses de prisão, todas com cumprimento inicial em regime fechado.
Thiago Alves Freitas foi condenado a 17 anos e quatro meses de reclusão. Célio Pereira Santos Júnior recebeu pena de 17 anos, enquanto Davi da Silva foi sentenciado a 15 anos de prisão. A Justiça também negou aos três condenados o direito de recorrer em liberdade, mantendo as prisões preventivas.
O crime aconteceu na noite do dia 16 de agosto de 2023, depois que Willian saiu para trabalhar como motorista de aplicativo. Conforme a investigação apresentada no processo, ele aceitou uma corrida e acabou surpreendido e rendido pelo grupo.
Depois da abordagem, o motorista teria sido imobilizado e colocado no porta malas do próprio veículo. Os envolvidos seguiram pela Rodovia Rio Santos, a BR 101, até uma área afastada de Ubatuba.
Segundo a acusação, Willian foi retirado do automóvel e morto com um disparo de arma de fogo. O corpo foi posteriormente abandonado em uma região de mata às margens da rodovia, numa tentativa de dificultar sua localização e ocultar o crime.
O cadáver foi encontrado no dia seguinte ao desaparecimento. As informações reunidas durante as investigações apontaram que a vítima estava com as mãos amarradas e apresentava sinais de violência. O corpo foi localizado a vários quilômetros do ponto onde o veículo de Willian havia sido encontrado.
Durante o julgamento, os jurados acolheram a tese apresentada pelo Ministério Público e reconheceram a responsabilidade dos três réus pelo homicídio e pela ocultação de cadáver. Também foram reconhecidas qualificadoras relacionadas ao meio empregado no crime e ao recurso que dificultou a defesa da vítima.
A acusação sustentou que Thiago Alves Freitas foi o responsável pelo disparo que matou o motorista. Célio Pereira Santos Júnior foi apontado como participante da articulação da ação, enquanto Davi da Silva teria atuado diretamente na abordagem e na imobilização de Willian.
As penas foram definidas de forma individual, considerando a participação atribuída a cada acusado. Apesar das diferenças nas condenações, os três deverão iniciar o cumprimento em regime fechado.
As defesas negaram a autoria dos crimes e questionaram parte das provas apresentadas ao longo do processo, especialmente os elementos relacionados à ocultação do corpo. Também foram feitos pedidos para que as acusações fossem desclassificadas ou para que as penas fossem reduzidas.
As teses defensivas, no entanto, não foram acolhidas pelo Conselho de Sentença. Os jurados entenderam que havia elementos suficientes para reconhecer a autoria e a materialidade dos crimes atribuídos aos réus.
Depoimentos de testemunhas e familiares, levantamentos policiais e provas produzidas durante a investigação ajudaram a reconstituir os últimos passos do motorista. As apurações também analisaram a participação de outras pessoas no crime.
A investigação chegou a trabalhar com a hipótese de que o homicídio tivesse sido encomendado e que os responsáveis pela execução receberiam algum tipo de pagamento. Essa possibilidade, contudo, não foi totalmente esclarecida no julgamento dos três homens agora condenados.
As apurações sobre o assassinato envolveram outros suspeitos. Ao longo da investigação, adultos foram presos e um adolescente foi apreendido por possível participação nos fatos. A eventual responsabilidade de outras pessoas depende da situação de cada processo e das provas reunidas contra cada investigado.
A condenação encerra o julgamento dos três réus em primeira instância, mas ainda permite a apresentação de recursos pelas defesas. A manutenção das prisões significa que eles continuarão detidos durante a tramitação dos questionamentos nas instâncias superiores.
Willian Germano da Silva tinha 44 anos e trabalhava como motorista de aplicativo. A morte provocou comoção entre familiares, amigos e profissionais da categoria em Ubatuba, que acompanharam as investigações e aguardavam o julgamento dos acusados.
Com a decisão do Tribunal do Júri, Thiago, Célio e Davi foram considerados culpados pelo assassinato e pela ocultação do cadáver. As condenações somam 49 anos e quatro meses de prisão em regime inicialmente fechado.


