Domingo, Julho 12, 2026
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“NÃO ME DEU TRABALHO ALGUM”: ÁUDIO DE PATROA TRAZ NOVAS CONTRADIÇÕES NO CASO BERENICE


Um áudio gravado pelo advogado trabalhista Luiz Fernando trouxe um novo e importante desdobramento para o caso do desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, em Ubatuba. A gravação, que registra uma conversa com Eliana, proprietária do estabelecimento onde Berenice trabalhava, passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela Polícia Civil e levanta novas dúvidas sobre a versão apresentada pela ex patroa da vítima.

O caso, que já era tratado com grande preocupação pela família e pelos investigadores, ganhou ainda mais força após o confronto entre o conteúdo do áudio e o depoimento prestado oficialmente por Eliana à polícia. A principal contradição apontada está no horário em que a empresária afirma ter dado carona à cozinheira até o trevo de Ubatumirim. Segundo a versão atribuída à patroa, Berenice teria sido deixada no local entre 15h e 15h30. No entanto, o advogado afirma ter prova de conversa com a cliente depois desse horário, o que colocou a cronologia dos fatos no centro da investigação.

Na gravação, Luiz Fernando pergunta diretamente se Eliana havia levado Berenice a algum lugar. A resposta da empresária tenta explicar o último deslocamento conhecido da cozinheira. Ela afirma que Berenice queria uma carona, mas que teria decidido ficar no trevo de Ubatumirim. Segundo o relato registrado no áudio, a trabalhadora estaria em dúvida se seguiria para a região das Toninhas ou se permaneceria ali mesmo.

Em seguida, Eliana menciona o pagamento de R$ 2.600,00 em dinheiro, valor que, segundo ela, teria sido entregue a Berenice por causa de um acordo relacionado à rescisão trabalhista. A empresária afirma que a cozinheira havia trabalhado quatro meses no estabelecimento e que havia uma conversa sobre um acerto de cinco meses. O pagamento em espécie, sem recibo assinado ou comprovação bancária formalizada, também passou a ser tratado como ponto sensível dentro da apuração.

O trecho que dá título a este novo capítulo do caso aparece quando o advogado pergunta se Berenice havia dado trabalho. Eliana responde: “Não, não, não me deu trabalho algum.” A frase, aparentemente simples, ganhou peso por surgir em um contexto de investigação sobre desaparecimento, suposta carona, pagamento em dinheiro e possível divergência de horários. Para a Polícia Civil, cada detalhe da conversa pode ajudar a reconstruir os últimos passos da cozinheira.

O áudio passou a reforçar três pontos considerados fundamentais pela investigação. O primeiro é a incompatibilidade entre o horário da carona informado por Eliana e o contato que o advogado diz ter mantido com Berenice após esse período. O segundo é a alegação de pagamento de R$ 2.600,00 em dinheiro vivo, sem registro formal apresentado até o momento. O terceiro é a versão de que Berenice teria ficado no trevo de Ubatumirim sem destino definido, hipótese vista com desconfiança por familiares.

A família da cozinheira contesta a narrativa de que ela teria desaparecido por vontade própria ou decidido mudar os planos sem avisar os filhos. Segundo os parentes, Berenice pretendia retornar para Igaratá, no Vale do Paraíba, após resolver a situação trabalhista. O silêncio repentino da vítima, que deixou de responder mensagens, aumentou a angústia dos familiares e fortaleceu a suspeita de que algo grave possa ter ocorrido após o encontro com a patroa.

A Polícia Civil trabalha agora para cruzar o conteúdo do áudio com outras provas, como mensagens, registros telefônicos, imagens de câmeras de segurança, dados de localização e depoimentos de testemunhas. O objetivo é confirmar se Berenice realmente foi deixada no trevo, se permaneceu no local, se entrou em outro veículo ou se a versão apresentada por Eliana apresenta inconsistências capazes de mudar o rumo do inquérito.

Eliana permanece detida. A prisão não representa condenação, mas foi determinada em uma fase considerada importante para o avanço das investigações. A Polícia Civil segue realizando buscas na região do trevo de Ubatumirim e em áreas próximas, além de revisar imagens de câmeras que possam ter registrado a movimentação dos veículos e os últimos deslocamentos conhecidos da cozinheira.

O caso Berenice deixou de ser apenas um desaparecimento e passou a ser investigado como possível homicídio. A suspeita apurada é de que a cozinheira possa ter sido morta em meio a uma disputa relacionada ao pagamento de direitos trabalhistas. Até o momento, o corpo da vítima ainda não foi encontrado, o que aumenta a dor da família e mantém a investigação em andamento.

A frase “não me deu trabalho algum”, dita no áudio, agora se soma a uma sequência de pontos que a polícia tenta esclarecer. O que parecia ser uma conversa sobre rescisão trabalhista se transformou em uma das peças mais relevantes de um caso que envolve desaparecimento, possível morte, contradições, pagamento em dinheiro e o último rastro conhecido de uma trabalhadora que saiu para resolver sua situação profissional e nunca mais voltou.

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