CELULAR QUEIMADO DE SUSPEITO VIRA NOVA PEÇA CHAVE NA INVESTIGAÇÃO DA MORTE DE JOICE BATISTON EM MINAS
A investigação sobre a morte de Joice Batiston, em Varginha, no Sul de Minas, ganhou um novo elemento considerado importante pela Polícia Civil. A corporação confirmou que os fragmentos queimados encontrados durante as apurações pertencem a um aparelho celular de Richard Ferreira Tristão, de 30 anos, suspeito do caso e preso temporariamente desde o dia 25 de junho. O material havia sido localizado durante o cumprimento do mandado de prisão e foi encaminhado para perícia, que apontou a propriedade do telefone.
Joice foi encontrada gravemente ferida às margens da Avenida Perimetral, em Varginha, no dia 19 de junho, após solicitar uma corrida de moto por aplicativo para encontrar uma amiga e assistir ao jogo da Seleção Brasileira. A jovem, no entanto, nunca chegou ao destino. Ela morreu em decorrência dos ferimentos, e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil, que identificou Richard como o motociclista responsável pela corrida solicitada pela vítima.
Durante a ação que resultou na prisão temporária do investigado, os policiais apreenderam a motocicleta usada na corrida, que apresentava avarias, além dos fragmentos queimados de um aparelho celular encontrados dentro de um saco de cimento. A confirmação de que o telefone pertencia a Richard passa a integrar a investigação, que busca esclarecer o que aconteceu entre o momento em que Joice embarcou na motocicleta e o instante em que foi encontrada ferida na via.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que Richard não acionou socorro e também não se apresentou às autoridades após o ocorrido. No primeiro depoimento prestado à corporação, ele optou por permanecer em silêncio. A polícia informou ainda que o investigado poderá responder por homicídio, omissão de socorro e fuga do local do acidente, além de outros crimes que possam ser identificados no decorrer das apurações.
A defesa de Richard apresentou uma versão diferente para os fatos. Nesta semana, o advogado Marcio Berti informou que protocolou na Justiça um pedido de revogação da prisão temporária. Em nota, ele afirmou que o investigado nega ter cometido homicídio e mantém a versão apresentada durante o interrogatório. Segundo a defesa, Joice teria caído da garupa da motocicleta durante a corrida por aplicativo e ficado desacordada.
Ainda de acordo com a versão apresentada pelo advogado, Richard teria deixado o local para buscar ajuda e, ao retornar, Joice já não estaria mais ali. A defesa sustenta que não havia motivação para um crime, já que os dois não se conheciam, e afirma que o investigado não sabe o que teria provocado a queda da passageira. A Polícia Civil, por outro lado, segue apurando a conduta do motociclista após o ocorrido e as circunstâncias da morte da jovem.
O laudo de necropsia apontou que a causa da morte de Joice foi traumatismo craniano provocado por ferimentos compatíveis com uma possível queda. Apesar disso, a investigação ainda busca esclarecer se a morte ocorreu apenas em razão da queda, se houve omissão de socorro, fuga do local ou qualquer outra circunstância que possa mudar o enquadramento do caso.
A morte de Joice causou grande comoção em Varginha. No fim de junho, familiares, amigos e moradores realizaram uma passeata no Centro da cidade para pedir justiça e cobrar respostas sobre o que aconteceu. Além da elucidação da morte, os manifestantes também reivindicaram melhorias na segurança da Avenida Perimetral, como iluminação pública e instalação de câmeras de monitoramento.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil. A confirmação de que os fragmentos queimados pertencem ao celular do suspeito aumenta a importância da perícia e pode ajudar a esclarecer se houve tentativa de ocultação de provas, qual foi a sequência dos acontecimentos e de que forma o aparelho se relaciona com a morte de Joice Batiston.


